5 anos e avante

15 12 2009

Hoje é um dia especial para mim e para minha amada Esposa. Nesta data tão próspera, completamos 5 anos de nosso casamento e de nossa existência como apenas um. Foram altos e baixos, discussões e afetos, sorrisos e lágrimas, tudo isso para construir o que somos hoje e para nos fortalecer ainda mais como casal. Hoje eu dedico este texto e minha vida a ela.

Por incrível que pareça, conheci a atual esposa através do RPG, algo que ela não curte tanto agora. Eu tinha um grupo antigo com uns amigos, poucos deles jogam comigo até hoje. De todos os meus amigos, alguns não sabiam o que era RPG, uns não gostavam de RPG ou simplesmente não se interessavam por RPG.

Uma das pessoas que não sabia o que era RPG mas se interessava um pouco, era uma amiga chamada Andressa, irmã da esposa. Andressa entrou em contato comigo e pediu para ir ver como era para jogar conosco.

RPG não é lá uma prática muito apreciada por garotas, seja pelos motivos que forem, elas não costumam aderir tão facilmente ao fato de ficarmos em um quarto jogando, gritando e ouvindo besteiras de amigos homens. Por mais “interessante” que possa parecer para alguns, não costuma ser muito convidativa para a maioria delas.

Andressa já possuía bastantes amigos homens e não se importava em ouvir ou, vejam vocês, falar besteiras quando estava com eles, por isso achei que seria uma boa aceitar ela vir jogar com a gente, afinal, que mal poderia haver?

Pulando as partes técnicas e chatas que vocês não estão interessados em conhecer sobre o RPG, Andressa chegou ao meu quarto para começar a jogar conosco. Junto dela, estava uma das mulheres mais lindas que já havia visto e conhecido pessoalmente. Alguém que podia iluminar um quarto escuro apenas com sua presença. Uma pessoa que em outras circunstâncias, eu jamais conseguiria me aproximar.

Após um tempo, eu até soube que ela nutria um tipo de vontade de me conhecer, sem saber quem eu era, apenas conhecia do que a Andressa contava, sobre o Brad Pitt, sobre o Clube da Luta e por aí vai. Não interessa a vocês (ai).

Dali em diante foi fácil me apaixonar, não tinha nenhum outro motivo para que não acontecesse. Ela era legal, conversava muito bem, se interessava pelos mesmos assuntos que eu (música boa, a vida secreta de Jesus, entre outros), era bonita, se vestia bem. Não conseguiria citar aqui, um motivo sequer do porque eu não me apaixonar por ela. Já o contrário…

Usem sua imaginação e imaginem (redundante?) uma pessoa bonita, arrumada, que usa apenas roupas de marca, que se esforça para trabalhar, que curte ler livros cultos, que gosta de MPB, que cultiva uma boa aparência, que curte moda e tudo mais. Então, eu era exatamente o oposto disso tudo.

Embora nossos costumes fossem muitos parecidos, nossas aparências eram divinamente diferente. Eu era feio e ela bonita, isso define tudo.

Nosso começo de namoro envolveu término de outro namoro (o meu), o fim de uma relação “vai e não vai” (o dela) e algumas pendências familiares a serem resolvidas, alguns encontros escondidos de amigos e parentes, algumas trocas de olhares na presença de amigos, algumas mãos acariciadas enquanto caminhávamos, alguns amigos enganados e por aí vai.

A parte mais difícil foi convencer a família. Convenhamos, sua mãe não gostaria de te ver namorando um “Vagabundo que só fica na praça tocando violão o dia todo”, segundo a própria mãe dela. Hoje uma sogra maravilhosa para mim.

Na falta de uma foto do casamento aqui, fiquem com essa. Não é do nosso casamento mas tá valendo.

Foram alguns meses buscando-a no curso, foram alguns Tridents comprados, alguns abraços trocados, alguns beijos e muito amor e carinho. Estes últimos não faltam até hoje (já o Trident). Eu diria que foi um perído de namoro ótimo e que deveria ser guardado em nossas lembranças para todo o sempre.

Depois de passarmos por todas essas pendências, ainda veio o casamento. Super cedo para alguns e muito tarde para outros. O pai dela aprovou na hora a chance de despachar a filha pra fora de casa. Mesmo que isso implicasse fazê-la morar com um refugiado de Alcatraz. O que antes era antipatia pra cima de mim, se tornou um apego fenomenal na hora de ajudar com qualquer assunto relacionado ao casamento. Nunca vi alguém querer tanto que a filha case. Imagino que tenha sido pelo bom partido que ela tinha arrumado.

Hoje, 5 anos depois, posso dizer que tudo o que tivemos foi ótimo. Passamos por momentos difíceis, que por mais que não desejemos, todo casal acaba passando. Passamos por momentos de solidão e pudemos contar um com o outro. Passamos por momentos de dor e tivemos um ao outro para consolar. Passamos por momentos felizes e ambos estavam ali para comemorar juntos. Todos os momentos que passamos juntos valeram a pena. Não só pela ótima companhia que tenho comigo como também pela ótima mulher que a vi se tornar. Hoje eu sorrio e comemoro alegremente meus 5 anos de casado e desejo a todos a mesma sorte que eu tive.

Agradeço aos amigos de verdade que ficaram conosco até o fim. Que estiveram no casamento e que torcem por nós até hoje. Agradeço aos que nos acompanham e aos que nos adoram. Agradeço a todos por presenciarem a nossa felicidade.

Agradeço também a todos os presentes que já ganhei e a todas as surpresas maravilhosas que ela já me fez. É impossível que eu retribua e consiga tirar dela o mesmo sorriso que ela tira de mim, mas posso garantir que a tentativa será eterna e que nunca vou desistir de fazê-la feliz. Obrigado a todos por terem lido e um grande abraço.

Tá bom. Vou postar uma foto do casamento só pra provar que aconteceu.





Catálogo de Jovens – Parte II

4 12 2009

Continuando a pesquisa iniciada neste post, veremos hoje uma nova classe de jovens que permeiam nosso cotidiano, nos rodeando em cursos, metrô, ônibus ou simplesmente dividindo a cidade em que você existe, sendo obrigado a aturar sem entender, até agora.

Lembrando que estes posts não têm como objetivo estereotipá-los e transformá-los em criaturas asquerosas que são, mas sim auxiliar e desmistificar seus costumes para torná-los menos “incômodos”. Espero que meu esforço valha a pena.

Otakus (Yaaaay Bizarrus Shan Shojo Tomá Nuku)

Esta é uma classe que tenho muito orgulho de dizer que poderia ser dizimada por um meteoro de tamanhos astronômicos que não me faria falta. Se você se veste de forma estranha apenas para fingir fazer parte de uma outra cultura, se você grita com os amigos e os apelidam de nomes duvidosos com traduções mais duvidosas em alguma linguagem oriental, se você lê revistas nacionais de trás para frente apenas para demonstrar seu apego pela sua cultura NOT, você tem grandes chances de fazer parte deste grupo simplório. Ou, na pior das hipóteses, se camuflar dentro de um grupo desses de forma exímia.

Membros desta classe têm grande tendência a se acharem orientais, por mais negros que sejam, por mais morenos, por mais cearenses que sejam, vão insistir de todas as formas que podem e devem vestir-se como orientais e usar gírias desta mesma cultura. Ainda que isso não signifique nada para você. Apenas para “estar inserido no contexto”.

Incesto, homossexualismo, drogas, ilusão, sexo com animais, sexo com anjos, sexo com estojo, sexo com gelatina, sexo com botijão de gás, sexo com mangás, sexo com desenhos, sexo com lamparina, sexo com fogo, sexo com telefones, sexo com computador, sexo com papel, sexo com lamparina de novo, sexo com pedra e, algumas vezes, para não deixar de fora, sexo com a espada de madeira; são práticas comuns a serem adoradas e, algumas vezes, adotadas por estas criaturas. Não importa quanto sua cultura ojerize tais hábitos, se no Japão é comum (e lá, MUITA coisa bizarra é comum), para eles é completamente natural também.

Habitat Natural

Para estudar de perto estas criaturas de costumes estranhos existem duas formas simples. Uma delas consiste em parar em alguma banca de jornal e aguardar seus gritos de “yaaaaaaay” enquanto observam alguma capa de algum mangá com nome duvidosamente tenebroso (Ex: Senhor das Trevas do 8º Crepusculo do Sol de Amanhã; Macarrão, Empada e uma espada atravessada no seu pâncreas; One Piece, One Love, from U2; entre outros)

A segunda forma, muito comum entre eles, é visitar convenções de animes onde os nomes SEMPRE serão substituídos por siglas, o que me leva a crer que seria melhor usarem siglas, ao invés dos nomes. Nestes eventos, além dos campeonatos de gritos (yaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaay) e de quem possui o menor QI, ocorrem uma das práticas mais comuns e degradantes de toda a estratosfera: O Cosplay.

Cosplay é uma prática degradante que merece um post único sobre isso. Não posso desviar do assunto que é o estudo da juventudade perturbada viciada em cultura japonesa.

Vítima de um Cosplay

Organização

Estes grupos de psicóticos costumam reunir-se em grupos de 3 a 5 desajustados para vestirem suas tocas com caras de bichinhos engraçados e japoneses e saírem por aí conversando sobre suas práticas bizarras de adoração aos fatos conturbados dos mangás.

Costumam utilizar-se de um vocabulário próprio que inclui gritos estridentes de “yaaaaaaaaaaaaaaaaay” e também uma forma única de reconhecer seus membros, tanto femininos quanto femininos (Não, isso não foi um erro).

Uma prática bastante comum também é utilizarem sufixos “chan” nos nomes, para assim assinarem de vez o atestado de que estão totalmente sem sanidade alguma e que precisam de uma internação urgente.

Um abraço pro libertador dos judeus.





Cry me a River

26 11 2009

É com este título de uma música do Justin Timberlake que eu inicio um dos posts que mais vão entregar sobre minha personalidade. O ato de chorar por si só já é degradante (tem regra na língua portuguesa sobre três palavras acentuadas em seguida?) e é uma verdade absoluta que hoje em dia os programas de televisão tentam ao máximo tocar em uma parte de seu cérebro que te faça sentir-se uma mulherzinha e cair em lágrimas, seja onde for: Cinema, shopping, sentado no sofá, no motel. Onde for, não há limitações para a falta de escrúpulos de Hollywood e seus tentáculos de emoções.

Eu não sou um cara sentimental. Sou um cara tradicional. Gosto de ver filmes, gosto que as emoções cheguem até mim mas dificilmente vejo algo realmente digno de marejar meus lindos olhos castanhos. Tá, eles não são lindos, mas são olhos, o que faz dessa frase uma meia verdade.

AVISO

Caso você não tenha interesse de acompanhar Lost ou caso você já acompanhe mas esteja nas últimas temporadas, não tem problema algum em ler o texto a seguir. Caso não tenha visto ainda mas tenha intenção de ver, pare por aqui porque irei comentar um caso da série.

Pronto, agora podemos continuar sem interrupções de gente chata que fica se esmigalhando em lágrimas porque leu um spoilerzinho de nada.

Continuando o assunto. Poucos momentos da indústria cinematográfica foram importantes o bastante para me fazerem chorar e demonstrar meu lado mulherzinha. Por sorte eu sempre caio em desgraça quando estou sozinho, ou acompanhado da esposa, que é fiel o suficiente para manter segredo sobre essas coisas (exceto por um certo gosto peculiar por uma banda nacional de formação duvidosa e qualidade musical ainda pior).

Listo abaixo os poucos, vale sempre lembrar que foram poucos, momentos que me fizeram lembrar de como eu sou um franguinho indefeso diante de certas situações.

LOST

Favor tirarem as crianças da sala. Vai tomar no cu. Essa série é um prato cheio pra ficar instigando aquela parte do seu cérebro que diz “Você vai chorar, seu filho de uma puta”. Em vários momentos de Lost esta área do meu cérebro foi afetada. Eu fiquei meio com medo, fiquei tenso, fiquei apaixonado pelas atrizes. Eu tive várias reações assistindo esta série que figura entre uma das 10 mais da minha lista de séries favoritas.

vejam o vídeo abaixo:

Não importa a hora, o dia, a época que eu vir este vídeo. Eu SEMPRE vou me emocionar ao ver o Charlie se esforçando ao máximo para morrer e salvar os outros membros da ilha. Eu me segurei por horas pra não soltar lágrimas vendo a despedida ensandecida de Charlie, mas não consegui. Ao vê-lo saltar no mar sabendo que o futuro era seu fim, eu não consegui e me acabei em lágrimas.  Este episódio inteiro (“Greatest Hits”Melhores Momentos -3.21) me deixou com este sentimento deprimente, mas foi neste momento, no salto do Charlie em que meu coração não aguentou e se acabou em lágrimas.

Extreme Makeover

Para quem não conhece, é um programa de gringos designers/arquitetos que reúnem-se para reformar (ou reconstruir) uma casa para uma determinada família, escolhida por milhares de cartas que enviam pra eles (se você pensou em Lar Doce Lar, MORRA). Acontece que, como era de se esperar, a produção do programa escolhe as famílias que têm sempre uma coisa em comum, a morte de algum ente querido. Dificilmente você vê esse programa e não vê nenhuma família que tenha passado por uma tragédia foda e que tenha levado algum ente querido para o limbo. Vejam o naipe do programa.

Acontece que isso não me comove mais. Quem mora no Brasil e quem vê meia hora de TV brasileira, não pode nunca se comover com morte, com separação ou com crianças arrastadas por carros. Sempre tem uma Sônia Abrão da vida ligando pro pai da criança na hora em que ela está sendo arrastada, tudo isso só para mostrar solidariedade à família. Tá bom.

Tudo ia bem enquando assistia ao show dos designers. Os caras sabem fazer a parada. Infelizmente não tenho um vídeo para vocês, mas posso garantir que foi uma coisa realmente comovente. Imaginem o Gato de Botas, com a cara mais fofinha dele, sendo trucidado por uma lata de refrigerante em camadas, cortando sua pele e retirando seu pêlo, depois sendo jogando em um liquidificador e sendo triturado por hélices vindas de cartazes de Jogos Mortas 64. Imaginou? Foi o mesmo que eu senti quando vi a cena do Extreme Makeover.

O lance é que o garoto havia morrido em um acidente de carro e a mãe estava com o coração dilacerado (sem piada porque isso é foda). Daí, Ty (o apresentador do programa) resolve trazer a dita senhora um pouco mais cedo para casa, porque tinha uma surpresa para ela. A garota que havia recebido o coração doado de seu filho estava lá e queria agradecê-la pessoalmente. Ah, vá pra porra. Você pode estar batendo no peito aí que é fortão e você não choraria. Quero que você morra e seja estuprado pelos atores de Oz. Não adiantou. Eu estava acordado até aquela hora (a essa altura deviam ser umas 0:30 de domingo para segunda, logo, eu deveria estar dormindo pra ir trabalhar) e meu “sentimentômetro” não estava lá muito bem. Dessa vez a esposa já estava dormindo e eu aproveitei para desabar em lágrimas. Chorei igual criança quando perde seu brinquedo. Tentei parar e não conseguia. Daí no final, para culminar com minha inquietudo, os designers resolvem instalar uma placa de “Vá devagar” onde o garoto havia se acidentado. A mãe chorou, a irmã chorou, eu chorei, metade do mundo que estava vendo deve ter chorado. Só você, o fortão, que não chorou. Adebisi espera por você.

Sete Vidas

Esse não foi um caso meu, mas de uma pessoa próxima. Se você não viu o filme, não leia. Vou revelar um spoiler. Minha cunhda, Andresa, é uma pessoa centrada. Faz faculdade, trabalha (demais, até), as vezes sai com os amigos e gosta muito de ver filmes. Certa vez, fomos ao cinema vermos um filme. Não sabíamos o que ver e eu nem lembro as condições exatas da situação, para ser mais sincero. Entre vários filmes em cartaz, escolhemos ver Sete Vidas. Drama estrelado por Will Smith e uma latina que não me recordo o nome mas que me lembra, de longe, a Eva Mendes.

Para que você entenda, eu avisei do Spoiler, Sete Vidas é um drama onde um cara que tirou a vida de sete pessoas, inclusive de sua mulher, passa a sua vida tentando reverter a situação, oferecendo uma nova vida para outras 7 pessoas. O filme tem uma idéia fantástica, embora meio óbvia. As situações são muito legais e algumas até meio “realistas” demais. Você já deve imaginar o que vem pela frente. O cara se apaixona pela mulher a quem ele doaria o coração, se arrepende de ter que fazer o que vai fazer, mas faz. Sem dó nem piedade ele se mata, com o cuidado de um cirurgião, para manter o coração intacto e poder oferecê-lo a sua, agora, namorada.

Claro que a cena comoveu muita gente que estava no cinema, mas Andresa, a cunhada, não ficou só comovida como também fez questão de chorar e soluçar em altíssimo som. Era impossível não perceber e não sentir vontade de confortá-la. Imagino que todos que estavam próximos quiseram chegar mais perto e abraçá-la, oferecendo um ombro amigo a uma pessoa desamparada que acabara de perder alguém muito querido. Um personagem de um filme.

O melhor de toda a situação é que algum tempo depois, alugamos o mesmo filme para que o namorado dela pudesse ver, para mostrar para ele como o filme é bacana. Acontece que no final do filme a Andresa chorou em igual, ou maior, proporção do que a vez em que estávamos no cinema. Isso não faz dela uma pessoa frágil, só demonstra que ela também tem coração e que você será enrabado pelos atores de Oz se continuar rindo da gente.

Tá rindo de que, maluco?





Canhotos, histórias de superação. – UPDATE

24 11 2009

Canhoto é um termo comumente usado para “Pessoa desprovida de habilidades para escrever com a mão correta”. Em minhas vastas pesquisas, pude perceber que os canhotos se dotam de uma egocentricidade extraordinária para discutir certos fatos, citando feitos dignos de serem citados no jornalzinho da escola, como coçarem o ombro direito com maestria, er….é…bom, é isso que os canhotos podem fazer de diferente.

Não importa o dia ou hora em que você  questionar um canhoto de sua deficiência, ele irá se munir imediatamente de argumentos falhos e capengas em relação a todos os canhotos mundialmente conhecidos, como se o fato de ter existido no mundo da “fama” UMA pessoa canhota, permitisse que ela mesma pudesse realizar tal feito. O que nos importa, sinceramente, se Albert Einstein, Adolph Hitler, Tom Cruise, Julia Roberts e Keanu Reeves são canhotos? É como se o fato dessas pessoas terem sido importantes em sua época tenha a ver diretamente com o fato dela ser canhota. Tom Cruise não é um bom ator por ser canhoto, ser destro ou canhoto não faria diferença nenhuma em sua profissão.

Caramba, quanta habilidade em ser canhoto

Se seguíssemos o mesmo padrão de raciocínio falho dos canhotos, poderíamos ver que há muito mais destros famosos e geniais da ciência conhecida do que canhotos. Neste caso, canhoto é quase uma deficiência que é sempre atribuída ao nome para dar um significado para que aquela pessoa seja especial para um grupo de indíviduos: “Fulano pintou esse quadro inteiro com a mão esquerda”. O fato de pintar já é surpreendente. Ser com a mão esquerda só o faz uma criança excepcional e digna de ser assistida pelo AACD.

Quantas celebridades e gênios você conhece? Faça uma lista, por favor. Depois procure saber qual deles era canhoto e qual era destro e você verá, surpreendentemente, que a parcela de destros em qualquer lista (seja na escola, revistas de moda, listas de quem ganhou o bolão da empresa) será sempre SUPERIOR aos canhotos, justamente para salientar o fato de que canhotos são inferiores em sua vida medíocre de tentar ir contra a correnteza da vida.

Uma pessoa canhota normalmente tem uma letra horrível, e as que não possuem tal características certamente usam alguma forma de burlar as regras para se fazer parecer um destro. Observem abaixo a tentativa desesperada de um amigo querendo demonstrar que sua caligrafia era perfeita, mesmo tendo sido escrita com a mão esquerda, a mão, que todos sabem, tem ligação direta com o DEMO.

Sintam a Fúria do Canhoto!

Realmente uma letra apreciável, concordam? Só mesmo se vocês possuíssem catarata congênita em todos os olhos. É claro que é uma tentativa pífia de se fazer parecer uma pessoa normal. Na melhor das hipóteses, esta pessoa, que não gostaria de citar o nome,  pediu a UMA VIZINHA para escrever esta frase de conotação tão depreciativa para minha pessoa.

Canhotos só não são tão lamentáveis quando apreciam sua deficiência (e todos eles o fazem de forma exagerada, como já foi dito) e resolvem tirar proveito dela, indo jogar bola do lado esquerdo do campo, trabalhando como reflexo humano em espelhos pela cidade ou coisas que o valha. Lembrando que todas estas atividades podem ser reproduzidas por destros de forma tão exemplar quanto os mesmos, tornando-os tão especiais quanto um grão de feijão estragado dentro de um pote de milho.

UPDATE

Acabei me esquecendo de citar uma parte importante da evolução dos destros e do resto da humanidade, os canhotos. Parando para avaliar alguns comportamentos, podemos observar que dentre esta classe tão distinta que são os canhotos existem certas pessoas com um histórico de superação e de determinação, são os ambidestros.

Para começar, podemos perceber que a palavra vem de uma origem muito sábia. A pessoa não é duas vezes canhota. Ela é duas vezes DESTRA, logo, vale informar que o ambidestro é uma evolução, ou tentativa de melhoria de uma deficiência, de uma classe desfavorecida pelo nosso senhor Jesus.

Ambidestros são a prova de que mesmo estando ruim, você pode lutar e tentar melhorar sua vida. Não deixe que a vida te deixe pra baixo e te limite. Seja ambidestro e lute por uma vida melhor e com caligrafia perfeita.

UPDATE

Caros canhotos, finalizo este post solicitando sua digitação errônea e pausada em minhas caixas de comentários para discutirmos sobre como superar suas deficiências e conviver bem com elas, aceitando-a e tratando-a como o câncer que é ser canhoto, obrigado.

 

P.S.: Agradeço ao One Piece pela sugestão do Update. Um destro gente boa.





Maldição Tecnológica. Entenda!

6 11 2009

Sabe a decepção? Então, sou eu. Dessa forma melodramática e chorosa que eu começo um texto que marca uma das fases mais aterrorizantes da minha vida. Uma maldição tecnológica caiu sobre mim e nada que eu tente fazer consegue desfazer tal maldição.

Você deve estar rindo e se agonizando de alegria enquanto lê sobre minha desgraça, e por isso eu desejo que você seja preso por acidente em uma cela de uns 4 sul africanos e seja acusado de estupro, pra ver o que é vingança.
Imagine que você vai até o microondas e ponha uma pipoca para estourar. Aguarde alguns minutos e o microondas dê um pulo, três cambalhotas, pegue fogo, tire seu rim e venda no mercado negro, estupre seus animais e depois caia como uma pedra sobre seu dedo mínimo do pé. Pois é, o microondas lá de casa ainda está intacto, mas os videogames, não posso dizer o mesmo.
Eu não sei bem quando isso começou, e se acreditasse em deus eu diria que ele está se vingando por algo que eu possa ter dito ou feito com alguém de menos posses de “diversão” que eu, o que é uma baita mentira, tendo em vista que eu até deixava as crianças que nos visitavam olhar enquanto eu me divertia no videogame, matando gringos e roubando carros no GTA IV.
Começou com meu MP5 (um troço que uso pra ouvir música). Deu um erro e não ligava mais, daí então segui em frente pegando emprestado o da esposa (que tendo em vista a situação, está com os dias contados) e continuei ouvindo música, deve ter sido aí. Quando os aparelhos eletrônicos começaram sua vingança contra mim, eu deveria ter percebido e sido um pouco mais generoso com eles. Logo eu, que tenho um histórico de cuidar MUITO BEM de brinquedos antigos que tive. Tenho inúmeros bonecos e apetrechos que brincava quando criança, todos em ótimo estado de conservação, logo, era de se esperar que este fenômeno fosse se repetir com os videogames. A não ser que eles não quisessem. E eles não querem.

PSP

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Mais um pro saco.

Em determinado momento, depois de tentar instalar um jogo no Cartão de memória do PSP, conectei-o ao USB do laptop para formatar o cartão. Acontece que decorrente dos erros anteriores, por algum motivo que eu nunca vou entender, a memória do dispositivo foi alterada para a memória Flash do console. Memória flash é o que o PSP usava, sim, no passado, para ligar-se. Logo, como ela foi formatada, é meio difícil ele conseguir se ligar novamente. Aí começou mais uma saga da minha maldição.

Xbox 360

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Segundo no saco.

Numa sexta feira, liguei o Xbox para deixar um amigo jogando enquanto iria terminar um episódio de House com a patroa. Antes mesmo de ouvir o som dos jogos, fui interrompido por um enorme aviso dizendo “Você foi banido, seu imbecil”. Fiquei triste e inconsolável, mas já imaginava que isso fosse acontecer um dia. Sabia que a Microsoft não iria deixar barato todo esse tempo de utilização irregular de seu console querido. Acontece que mesmo sabendo, eu nunca imaginei que fosse acontecer. Até que o aviso na tela me fez perceber como sou tolo.

WII

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WII. No saco também.

Tudo já estava indo de mal a pior. PSP tinha ido pro saco, Xbox banido e eu pedindo a deus que nada acontecesse com o WII. Mais uma vez eu fui tolo. As empresas são espertas e sabem o que estão fazendo com seus consoles por aí afora. Para te obrigar a se fuder de verde e amarelo, elas ficam lançando atualizações de jogos para que você seja obrigado a cooperar e atualizar, para, em seguida, tomar um erro lindo na tela. Fui instalar uma atualização via jogo para conseguir jogar uns novos jogos que saíram. Como sou um cara sagaz, dei uma pesquisada na internet e vi que todo mundo tava falando que não tinha problema, que o máximo que poderia acontecer seria eles tirarem um canal de Homebrew, que depois eu poderia instalar novamente. Vi que não seria tão ruim, afinal, eu poderia jogar jogos novos sem me preocupar com nada. Então, lembra que falei da minha tolice? Tomei um erro bonito e agora o WII também está lá quieto esperando um conserto que caiba dentro de meu orçamento.
Este post pode parecer um lamento de um nerd que perdeu seus brinquedinhos que tanto ama (realmente eu os amo) e é. Não há outro objetivo para postá-lo aqui, apenas me lamentar e pedir que vocês orem para suas crenças para que isso pare de acontecer. Eu já aprendi a lição e nunca mais vou zoar meninos da Etiópia que não têm com o que brincar e se divertem chutando crânios. Prometo ser legal e honesto pro resto da vida, desde que eu possa jogar incansavelmente e me divertir novamente. Só isso que quero. É pedir muito?




A Verdade dói.

30 10 2009

Segundo a Wikipédia, temos:

“Verdade significa o que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores.”

A verdade é um conjunto de valores que nos fornece material para calarmos nossas bocas em determinadas situações, ou no mínimo, mentirmos sobre determinados questionamentos, para evitarmos danos maiores.

Ter a verdade como modo de vida é uma prática impossível de se exercer nos dias de hoje. Você não pode simplesmente sair por aí falando a verdade, por mais “bobinha” que seja. Em determinados momentos, a verdade dói. E muito. Não como um chute no saco, nem como uma voadora de dois pés nos peitos, mas a verdade, quando usada sem dó, pode causar dores irreparáveis com o tempo.
Quando questionada sobre o porque de não querer ficar perto de seu avô, uma de minhas (muitas) sobrinhas foi direta em dizer “Porque ele fede”. É claro que para ela a resposta foi natural, não era errado mentir, ainda mais para seus pais, que a educaram de forma exemplar.

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Profissional do Ramo da Mentira

A verdade não deve ser dita em vão, ou então perderá seu poder. Uma verdade bem dita em um determinado momento pode mudar toda a percepção de uma pessoa sobre uma situação. A menina trocada pelo namorado que insiste em querer uma resposta “verdadeira” do mesmo não está buscando a verdade, está buscando uma forma de enfurecer-se com ele. Nesses casos, a verdade não é uma opção, caso contrário, a fúria de uma mulher ensandecida caíra sobre sua cabeça.

Um roqueiro que afirma conhecer determinada banda apenas para parecer “cool” entre os amiguinhos rebeldes não está usando a mentira como arma, mas como escudo para se proteger dos olhares de reprovação para sua condição (de roqueiro) caso não conheça tal banda.

Em outro caso, onde uma menina foi rejeitada e agora, depois de chorar e se lamentar por “perder o amor de sua vida”, luta com todos os esforçor para denegrir a imagem do rapaz que outrora tanto amou. De onde vêm essas verdades, se no momento em que estavam bem elas não existiam? Porque um momento que não deveria ser citado em discussões é tão lembrado quando você percebe que nada mais trará aquela relação de volta? A verdade então pode ser usada como arma?

Uma verdade bem dita é um soco no estômago. Uma mentira bem contata é um conforto aos ouvidos. Sua namorada não quer ouvir “sim, você está gorda” quando lhe questiona a respeito disso. Muito menos irá ficar feliz caso você prefira ser ainda mais sincero, rebatendo “Você não está gorda. Você é gorda” quando questionado a respeito.

Mentir não é saudável, mas falar a verdade, causando estragos, é menos saudável ainda. Não quero aqui começar uma onda de mentiras e levantar a bandeira dos super sinceros. Só quero apontar que a mentira, bem como a verdade, deve ser usada com carinho, com respeito. Não podemos banalizar a única coisa que temos que ainda nos mantém nos trilhos. Não podemos gritar aos quatro cantos as verdades de nossas vidas. Certas verdades devem ficar escondidas e não serem reveladas nunca, se possível.

Entre verdades e mentiras (e um episódio de House que me inspirou nesse texto), escolha a que mais lhe convier, tendo em mente que do outro lado, tanto da verdade quanto da mentira, há uma pessoa ouvindo-a e que poderá não saber distinguir. Quando parar pra pensar, pode ser tarde demais.





Esfregando a nareba no asfalto

27 10 2009

Há quem diga o contrário (eu e minha mãe, por exemplo), mas muitas pessoas insistiam em me chamar de narigudo durante uma parte da minha vida. Não posso dizer que meu nariz possui um tamanho normal, tendo em vista o da maioria das pessoas, que parece que foi esculpido a mão por um cirurgião desses famosos. Meu nariz é “um pouco” maior que o normal e acho que foi esse “pouco” que me permitiu ficar entre a linha tênue de ser um “narizinho” e de não ser uma pessoa deformada ao melhor estilo  “chocolate” Sloth de ser.

Quando criança sonhamos em fazer coisas que nunca seríamos capazes em outra época. Andamos de patins, tentamos saltar distâncias impossíveis, brincamos de coisas que nos dão vergonha hoje em dia, soltamos pipa, rodamos peão, bola de gude, entre outras coisas inocentes, com fins de simplesmente nos divertir.

Algumas brincadeiras são avaliadas como perigosas por nossos pais simplesmente por julgarem que em meio a essas inocentes brincadeiras nós possamos acabar com o nariz sangrando, uma perna quebrada ou uma costela de fora. Mal sabem eles que correr atrás de pipa, rodar peão e jogar bola de gude são muito mais perigosas, pois envolvem a fúria dos mancebos perdedores e essa, meu amigo, é uma fúria que ninguém, por mais macho que seja, quer sentir.

Uma das minhas brincadeiras preferidas era andar de bicicleta. Eu tinha uma bicicleta Monark, que infelizmente não possuo foto alguma para ilustrar, mas ela era um tom meio roxo (para não dizer rosa), com uns rajados verdes e um guidon enorme de cor verde forte.. Era minha querida amiga nas horas de diversão.

Eu não soube andar de bicicleta por um longo período da minha vida. Nos primeiros anos eu era pequeno, anos seguintes eu morei em prédio e outro período eu só tinha um cagaço filho da puta mesmo. Mas superei.

Uma das pessoas responsáveis por me fazer perder o medo era um amigo de época chamado Diego, que espero estar bem nos dias de hoje. Por mais que vocês pensem coisas insólitas sobre nós, em nossa ávida juventude, nunca tivemos uma relação carnal nem nada do tipo. Eu era homem, ele também. Só éramos amigos, por mais que vocês continuem pensando nisso (logo, gays são vocês que ficam imaginando certas coisas).

Diego, este pequeno jovem, na época, me ensinou os truques para andar de bicicleta e superar meu medo foda que tinha. Ele possuía um resto de metal com duas rodas que nos permitia nos equilibrar e nos divertir por toda uma tarde, durante meses. E, para não me acusarem de não ilustrar nada, trago a vocês uma foto do objeto descrito acima.

eu

Este é o pedaço de metal que lhes falei (Sim, sou eu na foto).

Então, com o tempo, consegui aprimorar minhas habilidades com a moto “desmotorizada” e solicitei aos meus responsáveis uma bicicleta própria, para que eu não precisasse mais usufruir da bicicleta alheia para ter um pouco de diversão.

Então, dias depois (acho que Natal ou aniversário, ambos são bem próximos) eu recebi em minhas mãos aquela que seria responsável pelo meu futuro arrependimento de me aventurar na minha amiga de metal.

Em um fatídico dia (não me peçam para lembrar a data) eu e mais uma dezena de mancebos nos reunimos para apostarmos corrida, corrermos em círculo ou simplesmente vaguear por aí, como se pudéssemos decidir o nosso destino. Mesmo que o destino fosse ficar rodeando a vizinhança algumas centenas de vezes. Éramos a versão mirim dos “motoqueiros selvagens“.

Morávamos em uma vizinhança com blocos bem definidos. Nada daquelas favelas homogênicas que os blocos não se dividiam de forma concreta, até que você não entenda mais onde começa uma rua e termina outra. Nada disso, nosso bairro era um local muito legal de se viver.

Corríamos em formato de 8 entre os quatro blocos principais do lugar. Um grupo de cerca de 15 corredores ávidos por aventura e diversão, vivíamos nosso próprio momento Sessão da Tarde. Crianças, com energia, vontade de aparecer e toda aquela coisa que temos quando somos crianças. É claro que eu não podia ficar para trás. Literalmente falando.

Em meio a tanta disparidade de idades em nosso grupo, percebi que minhas frágeis pernas não estavam dando conta do recado de me manter entre os primeiros colocados de nosso passeio. Respirei fundo quando vi que estava ficando pra trás e forcei os músculos das minhas pernas ao máximo. Comecei a correr como se não houvesse amanhã. Conseguia sentir o olhar de “Caralho, como esse muleque é foda” dos outros “competidores”. Podia perceber o tamanho da inveja que recaía sobre mim naquele célebre momento. Inveja essa que me erguerio ao alto patamar das fofocas na escola, no dia seguinte. Até que PLAFT.

“PLAFT” não traduz bem o que aconteceu naquele momento. Seria preciso muito mais que uma onomatopéia para definir a minha queda. Seria preciso mais terror que os cartazes de “Jogos Mortais”. A queda foi realmente feia. Numa das esquinas, eu cortei um de meus companheiros e passei por uma área por fora da “rua”, por assim dizer. Essa área era mais pedregosa e possuía um bueiro (muito do filho da puta). Não sei se para segurar a tampa do bueiro ou simplesmente para me fuder, foi posto um vegalhão dobrado, em forma de “D deitado” no concreto que circundava o bueiro. Algo que só os pedreiros de beira de estrada devem entender. O que sei é que a roda da minha bibicleta foi direto neste pequeno objeto e bateu. A batida não foi grande, mas foi forte o suficiente para me fazer desequilibrar e me estatelar no chão. Estava eufórico e não tive tempo de levar minha mão ao rosto, para me proteger da queda. Meu nariz (e somente ele) esfregou-se no chão graças a força da gravidade e do tamanho do mesmo. Tenho a impressão de que este “esfregaço” durou por cerca de uns 500 metros, mesmo sabendo que isso seria tecnicamente impossível, dada as perfeitas condições que ele se encontra hoje.

Não lembro muito do que aconteceu após isso, lembro-me de ter ficado em casa por muito tempo para recompôr-me do estrago e de atender as pessoas no portão com a cabeça baixa, envergonhado com o desfecho do meu dia de motoqueiro selvagem. Não fiquei traumatizado de andar de bicicleta, mas foi constrangedor esfregar toda a cara no asfalto e perceber que só maculei o Nariz. Sinal de que algum fundo de verdade tem sobre aquelas brincadeiras feitas na escola





Round 1, Fight.

26 10 2009

Hoje em dia não é surpresa que eu diga que nunca entrei numa briga violenta com ninguém. É só olhar pra mim que você vai perceber que minha incapacidade de manter uma briga ou de simplesmente partir para os finalmente, onde trocamos socos deliberadamente até que alguém separe ou que alguém morra, o que normalmente não acontece, é nula.

Eu nunca fui muito próximo da idéia de espancar pessoas ao alheio, como muitos fazem. É como se houvesse uma roleta girando todo o tempo na própria cabeça, em algum momento ela para e você é obrigado a esbofetear o primeiro ser vivo com perna e culhões que você encontre em sua frente. Comigo nunca funcionou assim. (e gay é o senhor teu pai).

Dos muitos lugares que morei Coelho da Rocha foi sem dúvida o que mais me forneceu histórias para contar. Morei em dois lugares distintos dali e até hoje tenho amigos e mantenho contato com a maioria das pessoas que conheci na adolescência. Não sei se porque gosto ou simplesmente porque eles fizeram parte da minha adolescência, como posso esquecer isso assim?

De qualquer forma, morei em dois lugares ali, como dito anteriormente. Um deles, que vou omitir o nome para que vocês não pensem que sou um pobre coitado que viveu de favor (não era favela, mas o nome era bem parecido com isso), foi onde tive muitos amigos e onde fiz mais coisas. Dentre todos os amigos que tive, um deles ficou marcado. Seu nome era Maicon (não sei se a grafia está correta, mas dada a natureza do texto, vou deixar assim para empobrecê-lo mais).

De todo tipo de brincadeira de criança que já brinquei, “briguinha” e “lançar projetéis ao ar” eram as que eu menos gostava, por motivos óbvios. Embora fosse treinado na arte da “briguinha” por ter vivido em uma casa com 4 irmãos, a arte de “lançar projéteis ao ar” era menos favorecida para mim e foi exatamente essa que Maicon escolheu.

Em uma determinada tarde de 5 de julho de 1992 (sim, faça as contas e veja que eu escrevi a data sem a menor noção do que estava fazendo), brincávamos Maicon e eu em frente à minha casa. Brincar é uma palavra que não deveria ser usada pra esse tipo de coisa. Não há nada de divertido em alcançar pedras no chão e arremessá-las em seu “rival”. Mas para nós, era tão divertido quanto jogar videogame.

Diversão sem limites!

Diversão sem limites!

Imaginem que vocês estejam em um jardim, cochilando e curtindo um dia de folga no meio de tantos feriados brasileiros. Você está com sua companheira do lado, apalpando-a, conversando, dançando a dança do ventre (essa vai pro Braitner) e conversando sobre a vida de trabalhador que você leva.

*Poft

Uma pedra cai na sua cabeça. Não imagine uma pedra qualquer, imagine uma senhora pedra. A mãe das pedras, eu diria.

Pois é, foi a mesma sensação que Maicon teve quando arremessei um senhor pedregulho em direção a sua caixa craniana avantajada. Nem preciso dizer que ele se emputeceu ao nível extremo, não é?

Tentei fazer ares de bom amigo, conversar e avisar que foi sem querer. Maicon não quis saber, levou sua mão até a cabeça e saiu cabisbaixo, jurando que minha morte chegaria logo.

Lógico que é mentira. Eu saí correndo em direção a minha querida casa e pedi desculpa aos berros. Maicon levantou puto, catou umas 15 pedras com mãos que ele nem possuía e arremesou na minha direção, jurando a mim e minhas 4 gerações vindouras de morte ou de um sofrimento horrível, o que lhe fosse conveniente na hora da execução do plano.

Maicon estudou comigo na 3ª série, em uma escola bem próxima da minha casa, por isso era inevitável que nos encontrássemos indo ou vindo para a mesma. De qualquer forma, se não fosse assim, morávamos a menos de 100 metros um do outro, não seria difícil nos encontrarmos, ainda que acidentalmente.

Óbvio que não havia acidente algum na caça de nosso querido amigo. Ele queria mesmo me ver destruído. E assim foi. Seguimos os dois para a escola, eu com o meu coração na mão e ele com a sede de sangue, o desfecho não poderia ser outro.

Este é o meu pequeno algoz atualmente

Este é o meu pequeno algoz atualmente

Na saída da escola, andei o mais rápido que podia, até perceber que, como dito, invariavelmente eu o encontraria. Logo, tomei fôlego, parei por um momento e voltei até a porta da escola para esperá-lo e conversarmos, como bons amigos que éramos.

Se você fosse um negro, na década de 50, ficaria na porta de uma escola só para brancos no Alabama? Então, eu deveria ter imaginado que agir como Rosa Parks não seria a melhor forma de intermediar a tragédia que estava por vir.

Não quero aumentar demais e parecer que fui espancado e atropelado por um trator, na verdade não fui. Maicon não me acertou soco algum, apenas me agarrou pelo pescoço, falou algumas frases que pelo calor do momento eu não saberia repetí-las e em seguida me soltou. Qualquer pessoa normal avançaria de volta e arrebentaria a cara dele, mas eu não o fiz. Como bom samaritano que sou (ou covarde, para alguns), eu só consegui olhar pra ele e dizer “E aí, agora estamos certos?”. Ele sacudiu a cabeça fazendo que “sim” e fomos para casa lado a lado, como exemplos de bons amigos.





Vai viver ou “vamo marcá”?

23 10 2009

Você realmente pode querer responder a pergunta do título, e se o fizer, espero que escolha a primeira opção. Conheço muita gente que tem um apego enorme pela segunda, que vão deixando as coisas pra segundo plano, que vão “sobrevivendo” a vida e vão deixando ótimas oportunidades passar, sejam elas ir a uma boate com amigos ou simplesmente passar um aniversário com quem você realmente gosta, independente de qualquer outra coisa. Amizade em primeiro lugar.

Nos dias de hoje é muito comum encontrarmos pessoas que vão empurrando com a barriga, vão se escorando em quem menos aponta os erros e vão vivendo se escondendo numa sombra de perfeição, somente para que nunca sejam confrontadas ou simplesmente questionadas. Essas pessoas esquecem que o questionamento é a parte divertida da vida. Quem não questiona, quem não tem curiosidade, quem não quer saber nada mais do que lhes entregam, está sobrevivendo, ao invés de viver. E essas pessoas, na maioria das vezes, acabam sozinhas, com os “amigos” que plantou durante todo o tempo que esteve longe. Não adianta plantar café e querer colher milho. Se tu planta café, tu vai colher café, porra.

Em momentos como esses, onde eu podia ter escolhido “Marcar”, eu acabei escolhendo viver. Claro que errei, claro que julguei mal, claro que apontei o dedo para amigos quando não devia ter feito, mas fui homem o suficiente para reconhecer o erro e pedir desculpas, de forma humilde e justa que deve ser feita.

Recentemente fomos (Eu, Ágatha, Natasha, Braitner, Pit, Flavia e Nimusha) para o Hopi Hari, típico parque modernoso em Sampa (ou em suas redondezas). Foram horas de diversão, horas de risadas e horas de julgamentos que poucas vezes vi acontecer. Amigos de tão pouco tempo que me fizeram ver o valor da amizade verdadeira. Posso estar enganado, posso estar julgando rápido demais, mas faz tempos que não me divirto assim com amigos de longa data.

É gay, mas a gente se divertiu fazendo

É gay, mas a gente se divertiu fazendo

Em algumas horas você pode se arrepender de ter feito algo. De ter falado algo para alguém que acabou magoando-o. Mas é muito melhor errar e consertar um erro do que viver atrás da sombra de um sucesso ilusório. Ficar tentando fingir que nunca vai errar e que quando errar é só abaixar a cabeça, sair de fininho que ninguém vai perceber. Isso daqui não é sala de aula amigo, é a vida, e na vida ou tu levanta a cabeça e pede desculpas ou tu vai ser o chato da roda de amigos. Aquele cara que se acha foda e que não erra nunca. O cara que ninguém vai querer chegar perto.

Se você tem amigos e os acha importante, deixem eles saberem disso sempre, enquanto puder deixar. Não espere que eles já saibam. Sua namorada sabe que você a ama, mas nem por isso você para de repetir, certo? (por falar nisso, Ágatha, eu te amo hehehe). Com os amigos você não precisa ser tão gay, mas você pode fazer um esforço para ir no aniversário dele, você pode fazer um esforço para ajudá-lo numa hora ruim.

Se você errou em algum momento, levante esse queixo. Você não está se examinando pra ver se tem meningite. Erga sua cabeça, peça desculpas a quem tive que pedir, mande pro inferno que não as aceitar, abrace quem precisa abraçar, viva o que tiver que viver, termine o namoro que te impede de viver, comece um namoro com quem você gosta, explique pra sua namorada sobre sua fã (Né, Braitner?). VIVA. Amanhã vai ser tarde demais, por mais que seja clichê.

Vou escrever um texto sobre a ida ao Hopi Hari, mas quero evitar que fique muito “piada interna”, assim, levarei um pouco mais de tempo. Agradeço as visitas e vejo vocês em breve.

Fiquem com algumas das fotos do passeio do Hopi Hari. Outras vocês podem ver aqui no Flickr.

E aí, Cowboy!

E aí, Cowboy!

Na Bahia tem Capoeira.

Na Bahia tem Capoeira.

Em São Paulo tem trabalhadores

Em São Paulo tem trabalhadores

E no Rio de Janeiro tem palhaços, lógico.

E no Rio de Janeiro tem palhaços, lógico.

Ninguém entendeu qual foi da associação dos palhaços com os cariocas. Achamos que fosse Brasília, né Pit?





Super Trunfo do Jornalismo

15 10 2009

Recentemente tivemos uma grande confusão gerada pelos grandes palpitadores da internet sobre a real necessidade do diploma para exercer a função de jornalista. Jornalista, para quem não sabe, é aquela função indigna de passar para palavras humanas acontecimentos hediondos que aconteceram no casamento da Grasi Massafera, no GP de Interlagos, na Ilha de Caras, na festa de 3 anos da Sasha, entre outros acontecimentos Uber importantes que precisam ser passados para nós, meros mortais.

Há, entre estes profissionais, uma cartilha não divulgada de práticas a serem repetidas à exaustão. Você já deve ter se deparado com muitos tópicos citados nesta cartilha, mas por estar tão acostumado com este tipo de artimanha maléfica praticada diariamente pelos grandes jornais, acabou passando despercebido por seus olhos de Lince. Para isso estamos aqui.

Listamos abaixo as práticas mais comuns entre os “profissionais” da informação, com o fim de lhe ajudar se um dia cair de Para Quedas em uma redação ou algo que o valha. Quando você for contratado por um jornal de renome apenas porque você é filho de alguém importante ou porque é gostosa e pôs silicone, você não precisará se dar ao trabalho de enfrentar anos e anos de estudo para repetir tudo que já estamos cansados de ver e mesmo assim ainda compramos os jornais para nos informarem.

Acidentes de Avião

Nunca esqueça dos que não foram.

Nunca esqueça dos que não foram.

Esta é uma das primeiras regras que você aprende nos meios de comunicação tradicional. Não importa a quem o acidente causou danos, não importa a companhia aérea que está tendo problemas no momento, não importa, nem mesmo, se haviam naquele avião uma embaixada inteira de integrantes de uma organização mundialmente famosa por distribuir armas para mercenários do Paquistão. A única coisa que importa em um acidente de proporções homéricas é “Quem NÃO pegou o avião no dia anterior”.

Seja por doença, por atos de vidência, por previsões da borra do café, por leitura de cartas ou tarot, ou até mesmo por leitura de textos encriptados de forma subliminar nos filmes da Disney, quem não pegou aquele avião é que vai se tornar notícia. Dê ao pobre rebento que nunca saiu de seu país a chance de aparecer em Rede Nacional afirmando que “O Rei Leão olhou pra ele e falou – Não vá naquele avião”. Para você pode parecer uma coisa chata, repetitiva, entediante, mas para o grande público, é uma coisa digna de se criar uma nova religião para adorar o garoto. Tendo, é claro, o Simba como Deus maior.

O espectador não quer saber do desfecho da história, dos culpados nem nada disso, ele, sem dúvida alguma, estará vidrado no fato de que uma senhora não conseguiu pegar o vôo seja lá o motivo que ela alegue. A esses, será dada a primeira página com algum título enobrecedor “Nascendo de novo” e todo o acidente passará em branco pelos olhos alheios, voltando a atenção exatamente ao que interessa. O cara que ficou vivo.

Crianças Prodígio

Ela canta, dança, sapateia. E não faz nada disso bem.

Ela canta, dança, sapateia. E não faz nada disso bem.

Não há nada mais irritante do que uma criança prodígio, você tem que concordar. Mas os jornais e televisões não as encaram assim. O fato de ter apenas 3 anos deixa claro que equilibrar pratos com o nariz, tal qual uma foca faria, é uma tarefa extremamente importante e deve ser noticiada até o fim de nossos mais sagrados dias, exceto se outra notícia melhor aparecer. Daí a gente esquece o garoto dos pratos e começa a seguir e adorar a garota que botou silicone no queixo para ficar parecendo o garoto propaganda da Cepacol.

De nada adianta citarmos as leis de proteção ao adolescente, processar os programas, ou simplesmente deixar de assistir. Esse tipo de prática é tida como “legal” por muitos telespectadores, logo, uma míriade de fãs saíriam às ruas para protestarem contra sua malvadeza em proteger uma criança dos holofotes. Lembrando apenas que os que estão protestando, poderiam estar trabalhando.

Acidentes com Criança

Acidentes rendem boas matérias.

Acidentes rendem boas matérias.

Mais irritante que ver uma criança prodígio é ver um acidente com uma criança, que por si só já é trágico, ser exibido ininterruptamente, na tentativa de nos sensibilizar e acabar com nossas vidas para protestar contra a morte alheia. Contra políticos ninguém protesta, agora contra a morte de uma pessoa que eles nunca viram, por que não, né?.

Não importa se só há especulações sobre os possíveis assassinos, vamos mostrá-los em rede nacional e pedir para que eles assumam a morte de uma criança que ainda nem foi realmente dada como morta, em algumas vezes.

Em casos em que se assume o crime, não há o que exibir. Uma pequena nota já basta. Em situações onde há suspeitas, muitas testemunhas, muitos desencontros de informações, é claro que vale noticiar cada passo que a polícia dá, levando a população ociosa ao furor a cada acusação realizada. Não importa se o povo pode apedrejar um inocente pelo simples fato de o jornal ter dito que ele é criminoso. O importante é a audiência que vai gerar a cada dia em que uma nova pista surgir inocentando o ex-criminoso que foi morto a pauladas por vizinhos no dia anterior.

Também é um ato comum fotografar e divulgar tamanha falta de trabalho do brasileiro quando este aparece no velório de alguém que ele nunca conheceu e de quem, possivelmente, nunca teve nenhum afeto antes do caso ir a público.

Novidades da Internet

Levem a série toda informação do Orkut.

Levem a série toda informação do Orkut.

Não importa quanto tempo faça que inventaram uma nova ferramenta social na internet, sempre haverá espaço para mais uma matéria falando sobre o mesmo, né Fantástico? Não importa se Twitter, Orkut, Facebook, ou o que for, sempre é tempo de apresentar para os mais desavisados qual a nova moda entre os internautas.

As chamadas da matéria sempre apontam a “nova” ferramenta como o sucesso entre os adolescentes, fazendo uma centena de novos integrantes migrarem para o mesmo minutos após a matéria, mesmo que depois disso elas não entendam nada do que está se passando e acabem abandonando o site.

Engraçado também é como alguns repórteres costumam ignorar nomes para não divulgar tais ferramentas. Nomes como “Site de relacionamento” ou “Site para encontros” são sempre usados em matérias “jornalísticas”, mesmo que todos saibam exatamente do site que esteja sendo abordado. Se quer usar o site para falar de alguma matéria, por que não podem fazer comercial gratuito? Se não pode, não fala.

Outra prática comumente irritante é quando repórteres usam comunidade de “um tal site de relacionamento” para traçar o perfil psicológico de uma pessoa. Ninguém procura saber o motivo para o cara estar em tal comunidade, mas afirmam logo que se está em “Dei o cu, agora vou casar” o cara era gay e adepto de práticas super homossexuais (se bem que nesse caso eu concordaria com eles). Eu mesmo já entrei em muitas comunidades apenas porque vi uma discussão interessante e quis participar. Nunca tive nada a ver com “Espancamento de Animais, eu gosto”, mas já fui membro da comunidade algumas vezes para defender meu ponto de vista. No caso de eu ter sofrido um acidente, meus pais devem correr logo para o Orkut para deleltar qualquer comunidade que possa me provar ser um louco psicopata? Um pouco mais de apuração nas fontes seria interessante.

Por falar em fontes, não custa nada citar os locais de onde vocês colheram tais informações. Um pouco de respeito não faz mal a ninguém.