Perdão, bonecos e erros que cometemos

17 01 2010

 Confiança é um prato que se come frio.

 Sem dúvida vocês sabem que este não é o ditado original, mas quem se importa?

A discussão de hoje não é engraçada, eu acho. Nem sequer é uma discussão. São fatos que acontecem conosco em que nossa emoção toma o lugar da razão e agimos por impulso, como selvagens, fazendo-nos perceber o quão medíocre nós somos em escolhas mais detalhadas. Como somos capazes de ferir quem amamos sem percebermos a profundidade dos ferimentos.

 Este fato ocorreu quando eu me mudei para São Vicente, local onde passei grande parte da vida antes do casamento. Vinha de um lugar onde vivi grande parte da minha infância, então era mais do que lógico que os amigos feitos ali não fossem se desfazer assim, como mágica. Foi preciso muitos anos para deixar de visitá-los com frequência, muitos anos e muitas besteiras feitas por muitos, deixando agora só a marca da lembrança e de alguns papos no msn.

Meus amigos sempre foram muito próximos e sempre nos divertimos muito quando estávamos juntos, era óbvio que eu fosse solicitar a presença deles vez ou outra aqui em casa, pra não ter que ficar me contentando em brincar sozinho. Sabe como é. Eu não conhecia ninguém, não queria ficar na nova casa como se estivesse sozinho no mundo.

Eu tinha um irmão, mas não era lá o grande exemplo de amizade que eu gostaria de ter, então, eu precisava dos antigos amigos presentes ali, pra me fazer esquecer um pouco essa coisa da mudança e tudo mais.
 Houveram vários casos engraçados dessas idas e vindas dos amigos. Bibinho, nosso eterno amigo e eterno contraventor, arrumou mais brigas por aqui do que eu poderia ter arrumado em toda minha vida; Gleisson chorou e esperneou para voltar para a casa da mãe dele. Curioso é que a mãe dele sempre o tratou muito mal, batendo e xingando-o toda vez que ele cometia algum erro. Foi engraçado ver que os filhos que as mães tratavam super bem não ligaram para o fato de estarem distantes de suas progenitoras, enquanto o que mais sofria nas mãos da mesma chorou e bateu o pézinho no chão quando sentiu saudades dela. Uns 15 minutos depois de ter chegado aqui em casa.

 Um dos fatos que mais me marcaram e que com certeza eu vou guardar para todo o sempre, sendo uma daquelas histórias que contarei aos filhos e netos e provavelmente virarão uma espécia de parábola da família, a ser contada nos infindáveis churrascos de fim de ano e de serem gravados em canecas. Foi um caso curioso que aconteceu com meu amigo Tiago (juro que não lembro se tem H, só existiam dois Thiagos, e nós, em nossa maldição de ser criança os diferenciávamos como “Thiago Pretinho” e “Thiago Branquinho”. Felizmente hoje somos adultos e os diferenciamos apenas como Thiago).

 Tiago (vai sem H mesmo) era um rapaz de família cristã, passava os domingos na igreja, nos chamava para ir a ela, brincava conosco, tinha um comportamente até mesmo educado, diante da nossa ignorância. Não éramos tão próximos quando crianças, ele tinha um tom meio mesquinho, de se achar superior. Claro que não era bem isso, mas nós, em nossa infância, não conseguíamos distinguir muito bem educação de falta dela e acabávamos colocando tudo no mesmo saco.

 Um belo dia, Tiago veio até minha nova casa. Nesa época já estávamos mais próximos por causa da minha ausência. Sempre que aparecia na casa antiga nós nos juntávamos e conversávamos, daí Tiago acabou se aproximando mais e eu pude conhecê-lo melhor do que julgava conhecer. Conversei com a sua mãe e ela permitiu que ele passasse alguns dias em minha nova residência, para preencher o vazio da ausência de amigos na nova cidade – Pausa dramática ao som de violinos no fundo -  Tiago veio com prazer. Estava disposto a se divertir. Eu também.

 Já falei por aqui outras vezes, mas acho próprio citar novamente. Sempre tive muitos brinquedos. Quando digo muitos, não quero dizer um bocado de bonecos espalhados pelo chão de casa. Quero dizer MUITOs brinquedos, em sua maioria, bonecos. Tinha de todos os tipos e tamanhos. De todas as coleções e marcas. Nunca fui de terminar uma coleção que comecei. Não queria brinquedos iguais, queria milhares de brinquedos diferentes que pudessem compôr meu painel de brincadeiras perfeita. E funcionava muito bem quando eu misturava homem de ferro, com batmans de divertos tipos e alguns comandos em ação.

Nunca completei uma coleção

 Um outro fato curioso sobre meus bonecos é que todos tinham nomes. Sim, como as garotas fazem com suas bonecas. Como fui sempre muito esquecido (motivo do qual eu nunca tive amigo invisível, eu nunca lembrava o nome dele) eu resolvi associar os nomes às suas características mais marcantes. Willy era um que era meio caolho, Punk era um que tinha o cabelo em estilo moicano, Baioneta era um que se chamava Baioneta, e assim por diante. Todos os bonecos tinham um nome, sejam eles engraçados, nomes próprios ou simplesmente um nome associado ao seu poder ou defeito. Na época não havia internet, portanto não era tão fácil descobrir o nome dos bonecos de coleções que nunca haviam vindo para o Brasil de forma legal.

 Como toda criança normal, eu tinha meus preferidos. Dentre eles estava Punk, o boneco de borracha, com articulações limitadas e cabelo estilo moicano. Punk era um dos bonecos que me acompanhavam em todas as brincadeiras. Uma hora ele era um pirata, na outra um piloto de fórmula 1, na outra apenas um cidadão vendendo bugingangas, e em outras, ele era o personagem principal. Logo, era claro que eu perceberia caso ele desaparecesse.

 Voltando ao assunto principal, antes que eu comece a descrever minhas brincadeiras em meio a milhões de onomatopéias.

 Voltando ao Tiago. Tiago veio até minha casa e ficou alguns dias. Não lembro quantos, mas foi tempo o suficiente para nos cansarmos de brincar. Até o momento em que ele partiu. Como sempre, fui com ele até a cidade dele. Fomos conversando como bons amigos que somos. Deixei ele em casa e depois dei algums voltas por lá, até voltar pra casa.

 Assim que cheguei em casa, voltei para o quarto pra brincar com os bonecos. Tudo estaria perfeito se não fosse por um motivo: Punk havia desaparecido. Eu entrei em desespero. Vasculhei toda a casa. Procurei em cada buraco daquela maldita casa e não o encontrei. Era impossível, a não ser que ele fizesse parte do elenco de Toy Story, que ele pudesse ter desaparecido sozinho.

 Só havia uma coisa na minha mente: Tiago roubou meu boneco. Era certo. Imaginem ter um amigo que você considerava há anos. Tratá-lo com educação, gostar dele, confiar nele, para simplesmente perceber que ele roubou teu boneco. Um dos preferidos, ainda por cima. Isso não podia ficar assim.

 Tiago nunca tinha me dado motivos para desconfiar dele. Já o havia ajudado diversas vezes, em pequenas coisas. Eu era incapaz de imaginar que ele pudesse ter feito algo desse tipo. Naquela altura, eu já estava puto da vida com ele. Belo amigo que eu tinha arranjado.

A cara do larápio nos dias de hoje

 Fiquei algum tempo remoendo aquela história. Pensando em uma boa forma de rever meu boneco ou de simplesmente encará-lo e fazê-lo tremer quando eu perguntasse sobre o paradeiro do meu boneco. Essa sem dúvida seria uma pergunta da qual Tiago não teria a resposta pronta. Até cogitei de contratar nosso amigo contraventor para invadir sua casa e reaver meu boneco querido.

 Para alertar meus outros amigos do nosso amigo ladrão, fiz questão de chamar alguns dois que eu confiava, tanto quanto confiei no Tiago, e revelar-lhes das desventuras de nosso amigo afanador de bonecos alheios. Se um deles pudesse me dar provas de que Tiago havia mesmo roubado meu boneco, seria bem mais fácil pra mim pressioná-lo e conseguir informações a respeito do Punk.

 Quão ingênuo eu havia sido.

 Certo dia, alguns meses depois, imagino eu. Tiago ainda não havia sido pressionado contra a parede a fim de revelar a localização de meu brinquedo, mas ao que tudo indica, a confiança que tinha nos outros dois amigos fora abalada sabe-se lá porque. Ou melhor, sei sim, porque eu não devia ter confiado neles. Se bem que hoje eu agradeço por isso.
 Tiago ficou sabendo da minha acusação de que ele havia roubado meu boneco. Por sorte ele não era nosso amigo contraventor citado no início do texto, ou eu não estaria digitando este texto nos dias de hoje. Tiago era muito mais comedido e fez questão de vir, ele, me pressionar para saber que história era essa do roubo do boneco.

 Eu não sabia o que dizer. Não fui capaz de simplesmente afirmar que ele havia roubado (Frouxo é tua mãe). Embora soubesse do seu furto, sua cara de inocente era por demais convincente e eu começava a me questionar se ele não estaria mesmo falando a verdade. Mas como seria possível que o boneco tivesse sumido exatamente depois que ele saiu lá de casa? Era tecnicamente impossível.

 Pedi algumas desculpas de meia boca, porque no fundo ainda achava que ele era um belo de um ladrãozinho que roubava brinquedos de amigos.

 Algum tempo passou. Não sei exatamente quando houve este confronto entre nós dois, mas lembro que no carnaval do ano seguinte (questão de 2 meses desde o “confronto”) eu fui fazer os preparativos para o carnaval. Fantasia, máscaras e coisas do tipo. Havia um fantasia que fazia parte dos meus sonhos. Tanto fez que usei ela por uns 3 anos seguidos. Era um manto preto, com detalhes em corda e alguns sacos para amarrar na cintura. Uma espécia de carrasco do mal. Não interessa a fantasia, interessa que ao abrir o saco da fantasia, encontrei ninguém mais ninguém menos que ele, Punk. Repousado sobre a fantasia dobrada estava ele, que foi objeto de discussão com um grande amigo, que acabei por julgar cedo demais.

 Daquele dia em diante me senti péssimo por ter julgado um amigo em quem eu realmente confiava. Foi uma facada seca e sucinta da minha parte. Se eu estava mal, imagine quão mal estava Tiago por todo esse tempo por ter sido julgado culpado?

 Felizmente eu não perdi tempo para me corrigir. Fiz questão de ir até Tiago o mais rápido possível e me desculpar. Explicar a situação e mostrar o quão arrependido eu estava. Como já falei, Tiago era uma ótima pessoa e já nem lembrava mais da situação, atribuindo a estranheza de nosso afastamento apenas ao fato de EU estar me afastando dele, por julgá-lo como ladrão de brinquedos.

 Tiago foi deste dia em diante um ótimo amigo que guardei e guardo até os dias de hoje. Nos dias em que andei perdido por aquelas terras, em busca dos antigos amigos, foi ele quem me avisou da perda de tempo que eu estava tendo. Aqueles que haviam sido meus amigos, hoje não eram mais do que um grupo de desocupados procurando cada dia mais problemas. Tiago me avisou das mudanças nas pessoas daquele local e foi ele quem me provou  por A+B que não tinha como eu me encaixar naquilo, seria perdo de tempo e perda total de sanidade. Foi ele quem me apontou como uma pessoa inteligente o suficiente para não fazer parte mais daquilo.

 Tiago me ensinou a tocar violão. Com toda a paciência do mundo me mostrou as notas que mais combinavam, os acordes, os exercicios e tudo mais que eu precisava saber. Ele me mostrou que não só era realmente um grande amigo como também fez questão de me direcionar em um caminho certo.

 Hoje devo tudo que tenho e que conquistei a este grande amigo e este texto é para mostrar pra ele o quanto ele foi importante e quanto ainda é importante pra mim, lembrando ou não das coisas que citei aqui. Tiago não só mostrou que existe o perdão como me ensinou diariamente como era ser uma pessoa melhor. Hoje devo muito mais do que um pedido de desculpas pra ele, devo parte do que sou e parte do que serei. Com certeza esta será uma história passada de geração em geração. Não pra provar a amizade que tive, pois ela ainda existirá quando estiver contando a história, mais pra mostrar a todos que amigos de verdade ainda existem e estão por aí. Uns viajaram para o Sul e conheceram a mulher de suas vidas, outros estão por aqui, esperando algum deslize de nossa parte para se demonstrarem verdadeiros amigos.

 O perdão não é uma coisa difícil de se dar, mas o julgamento errado é mais rápido do que a luz e surge na sua mente em instantes. Hoje tenho amigos em quem posso confiar e tenho certeza que sentem o mesmo por mim. Para estes, deixo um grande abraço e desejo para todos os outros que encontrem seus amigos. Não sejam amargos e esqueçam
das pessoas. Quando você menos esperar, elas vão te surpreender e você vai se sentir no débito pro resto de sua vida.

Como é o meu caso com o Tiago.





Meu trauma com macarrão

5 01 2010

Chega um momento na vida de um homem onde ele precisa decidir se vai aprender a fazer comida como um profissional ou se vai comer de quentinha para todo o sempre. Esse meu momento chegou faz tempo e eu já decidi que serei sócio de alguma pensão ou de algum outro estabelecimento que me forneça alimentação saudável.

Em poucos momentos da minha vida, antes de casar, eu me deparei realmente com a necessidade de fazer comida. Quando isso acontecia, eu dava um jeito espertíssimo de burlar tal momento e sair de fininho enquanto ninguém estava observando minha vergonha. Outras vezes eu apenas comprava um biscoito e me deliciava com tal guloseima ignorando os pedidos de alimentação saudável da Rede Globo.

Minha mãe sempre foi super protetora. Sempre se esforçou ao máximo para fazer todos os deliciosos pratos para que nunca precisássemos chegar perto de um fogão. Fora a parte dos pratos deliciosos, isso sempre foi uma verdade absoluta.

Nunca precisamos passar roupa em casa, nunca precisamos trabalhar antes da hora, nunca precisamos cozinhar nem arrumar a casa, nem nenhuma dessas tarefas cansativas que a maioria foi obrigada a realizar.

Nesse momento você deve torcer o bico e dizer entre os dentes “mimado”, enquanto percebe que nada do que você disser será ouvido por mim (por isso a parte dos comentários. Lá vocês podem me xingar e ainda ganharem uma retribuição).

Em determinado momento da minha vida, passei por um grave problema. Minha mãe, base de tudo que tínhamos em casa e visão máxima da perfeição, sofreu de um grave problema de saúde e viu-se obrigada a se internar. Se fosse no passado, nada disso nos afetaria muito. Haviam muitas outras pessoas na casa para sustentarem a figura máxima de poder, mas na época em que isso ocorreu, éramos só meu irmão e eu (já que meu pai trabalhava) tentando nos dar bem e coordenar as situações do cotidiano. Para muitos isso era de se tirar de letra. Toda garota é obrigada a arrumar a casa desde pequena, se com a gente fosse assim, talvez a situação fosse outra, mas não era. Nunca foi.

Para nós, meu irmão e eu, era uma situação desesperadora, que queríamos muito sustentar para mostrarmos para nossa mãe como éramos fortes. Fracassamos miseravelmente diversas vezes. Mas em uma delas eu fui epicamente mais miserável e desesperador. A arte de cozinhar.

Não lembro bem a situação por completa, mas lembro de estar completamente empolgado com a idéia de fazer o jantar para a família. Meu irmão havia saído para algum lugar, meu pai demoraria a chegar do trabalho e eu pensei em fazê-los uma surpresa para que pudesse ser contada para minha mãe depois. Como ficariam surpresos quando chegassem em casa e se deparassem com suflê de gaspacho, arroz ao molho poró, bife refogado com acelga acebolada, entre outros pratos especiais que minha mente criava enquanto eu separava o macarrão, porque era o mais próximo de tudo isso que eu conseguia chegar, o macarrão.

Esse era o jantar que eu tinha em mente

Na época eu não era um usuário tão assíduo de internet. Hoje em dia eu me viro facilmente na cozinha por contar com amigos que são ótimos em cozinha, que fazem uma salada ao molho de iogurte como ninguém (com consistência frozen), que fazem miojo ou que simplesmente podem me indicar um site com uma belíssima receita de algo que eu nunca nem ouvi falar.

Me preparei mentalmente, separei os ingredientes que achei que iria precisar e me dediquei ao máximo para me focar no macarrão. Não havia pensado em mais nada. Não haveria acompanhamento, não haveria uma bebida especial, não haveria nada. Só o macarrão. Por que alguém iria querer um prato de acompanhamento quando eu nem sabia como preparar o prato principal? Não faz sentido nenhum exigirem isso de mim.

Preparei o macarrão e o deixei na panela. A princípio, temo demais. Tempo suficiente para ele virar uma espécie de sopa de macarrão, intragável até mesmo se você fosse um daqueles monges chineses que comem cabeça de grilo frita ao molho de carrapatos neozelandeses.

Claro que aquilo ficou horrível. Com gosto impossível de ser descrito em palavras (sim, eu provei) e eu precisava me livrar daquilo antes que qualquer ser humano pudesse chegar em casa e percebesse a besteira que eu fiz, para ser motivo de chacota para o resto da vida em almoços de família. Levei a panela com o conteúdo duvidoso para a pia e me preparei para lavar. O que meu cérebro e estômago não sabiam é que o macarrão com a textura horrivelmente estranha, me provocaria ânsia sempre que tentasse encostar a mão nela. Sempre tive um nojo horrendo de encostar as mãos em comida molhada. Nada que façam no mundo pode ser mais nojento que isso.

Vejam a imagem, respirem fundo e voltem a ler

Minhas mãos nadavam naquele mar de miolos “empanelados” e eu desejava muito que acabasse. Tentava segurar mas a vontade de vomitar era maior do que minha resistência ao mesmo. Segurava enquanto podia depois vomitava na lixeira. Lavava mais um pouco e voltava a vomitar mais. Depois de alguns minutos dessa nojeira juvenil, eu percebi que seria impossível para meu estômago aguentar aquilo, mas ainda assim precisava me livrar do conteúdo da panela. Vã ilusão a minha.

Meu pai, ou meu irmão, não me lembro bem, chegaram exatamente na hora em que eu me acabava para tentar esconder os vestígios do que havia acontecido ali. Ele, seja lá quem quer que tenha sido, se mostrou super prestativo e me garantiu que aquilo ficaria entre nós, seria um segredo só nosso. Claro que até hoje meus irmãos, cunhados (a), tios e tias comentam este episódio quando têm a oportunidade de falar “Vinícius, tem uma panela de macarrão lá pra você lavar”. Logo, fica claro que se eu nunca revelei isso, eu acabei confiando na pessoa errada.





5 Mentiras sobre o Rio de Janeiro #RJFacts

4 01 2010

Embora as Olímpiadas de 2016 estejam longe de começar e possivelmente nenhum gringo vá entrar no meu blog pra ler sobre isso até lá (nem nunca, possivelmente), eu resolvi, ainda assim, falar sobre o assunto que vem me incomodando há um bom tempo e que a mídia insiste em fazer: O fato de que brasileiro (carioca, em suma) é simpático , boa praça, malandrão e adora conversar com seus turistas, seja lá qual for a nacionalidade dele.

O Rio de Janeiro continua lindo

Para isso, fui obrigado a istar os 5 fatos que mais me chamam atenção e quão mentirosas são essas afirmações, ainda que os grandes jornais e as grandes redes de prostíb…digo, de hotéis, insistam em afirmar o contrário. Vamos aos fatos:

1 – Carioca não é Gentil

Podem dizer o que for. Podem mostrar quantas fotos quiserem da grande população da Baixada Fluminense sorrindo e se deliciando ao abraçar os amigos turistas. Isso tudo é uma grande mentira. Carioca é grosseiro, fala merda, não sabe soletrar o próprio nome e na maioria das vezes está interessado em passar a perna em alguém.

Veja bem. Não estou falando dos cariocas comerciantes. Esses estão sempre dispostos a enrolar seus do outro lado do atlântico (ou do mesmo lado, ou seu vizinho). Estou falando dos cariocas moradores. Cidadãos comuns que se vêem numa situação de risco entre ajudar um turista ou roubá-lo até a alma e deixar uma ótima impressão da nossa Cidade Maravilhosa.

Qualquer carioca é passível de corrupção. Dê a ele uma chance e você terá seu dinheiro descansando em alguma outra carteira comprada no camelô.

Não estou afirmando que o povo carioca é ladrão, pelo contrário, tem muita gente de bem. Estou afirmando que o povo carioca está SEMPRE disposto a enrolar alguém. Se ele estiver indo pra academia, e um gringo pedir informação onde o carioca enxergue uma possibilidade de enrolá-lo, é quase certo que vá fazê-lo.

Se o povo carioca e seus trabalhadores fossem tão gentis, os turistas não precisariam de mil avisos sobre como os taxistas roubam descaradamente nas corridas.

2 – O Rio nunca foi lindo para continuar lindo.

Sim, a cidade do Rio de Janeiro tem ótimos cartões postais e ótimas paisagens para se tirar uma foto com os braços abertos, mas do contrário do que as propagandas passam, o povo carioca mesmo nada faz para manter aquele cartão postal daquela forma. A estátua de Carlos Drummond de Andrade, na orla de Copacabana que o diga. Pixações, depredações, furto e sujeiro são coisas fáceis de se encontrar nos principais cartões postais do Rio de Janeiro. Já vi uma pixação em baixo da Ponte Rio-Niterói. Se conseguiram pixar ali, nada no mundo está a salvo dos vândalos do spray.

O povo carioca suja as praias, furta objetos de poder público, pixa sem pudor as fachadas dos prédios cariocas e não tem a menor vergonha em afirmar o quanto a cidade continua linda. O Rio de Janeiro nunca foi lindo. Pelo menos, não pela ajuda do homem.

3 – O Rio é tão violento quanto qualquer outro lugar

Essa é uma mentira muito absurda. Claro que há exceções, mas vocês precisam concordar comigo que afirmar que o Rio não é violento é de uma inocência absurda. Em quais cidades pacatas vocês ouvem dizer que derrubam helicóptero com tiros?

Existem roubos em outros lugares, existem mortes, existem assassinatos e tudo mais que se apresente no Rio de Janeiro, mas em lugar nenhum há uma incidência tão grande dos mesmos crimes acontecendo diariamente. A falta de punição e o desinteresse de alguns policiais em agir conforme a lei, prejudica significativamente estas áreas de proteção ao cidadão e aos turistas.

A quantidade de crimes aqui é tão grande que existem sites gringos (ou pelo menos direcionado aos mesmos) que ensinam como evitarem crimes nas ruas de Copacabana. E nem estamos falando de Belford Roxo, estamos falando de Copacabana, um lugares onde as novelas mais fazem parecer o paraíso.

4 – Os Cariocas sabem o que querem

Essa também não é verdade. Você não imagina que na cidade do Samba, onde o futebol é a lei, o povo realmente vá lutar pelos seus direitos, né? O povo carioca está muito preocupado em saber quem será a rainha da bateria da Unidos da Piraporinha, ou para saber quem são os novos integrantes do novo BBB, ou coisas importantes do mesmo nível. O povo carioca é burro e possui a memória curta. Políticas roubam, deixam de fazer obras, passam um mandato INTEIRO para asfaltarem uma rua e o povo esquece tudo isso com uma dúzia de bundas na televisão.

Engraçado que a maioria dos políticos de buteco reclamam que em Brasília tudo acaba em pizza. Aqui, tudo acaba em samba e ninguém fala nada.

5 – O Brasil está pronto para Rio 2016

Esta é uma mentira em âmbito Nacional. Não só os cariocas como todos os outros povos brasileiros acreditam fortemente que tudo irá melhorar no Brasil, com a vinda dos jogos Olímpicos para cá. Uns afirmar que irá melhorar o PIB, outros afirmam que o povo precisa de diversão, enquanto outros insistem em dizer que o lugar está perfeito, pronto para uma festa.  Não há problemas em trêns e metrôs atrasarem algumas dezenas de horas, o povo sabe que isso é necessário para prepararmos o terreno para os nossos amigos de fora. Ninguém irá reclamar ou queimar trens por isso. Nosso transporte público é digno de palmas.

O Rio de Janeiro não tem estrutura para receber esta quantidade de turistas de uma vez só. A polícia não consegue conter a quantidade de criminalidade em épocas normais, imagine durante um evento deste porte? A solução será atacar as favelas, obrigarem os traficantes a fugirem pra baixada (onde as notícias não são veiculadas para a grande mídia) e deixar cada um fazer a sua parte. Criminosos agindo livremente onde o grande público não vê e o povo carioca, lindo por natureza, curtindo livremente seus dias de glória diante de um público cego e surdo, disposto a visitar o Rio de Janeiro mais e mais vezes, por mais que sejam assaltados, esfaqueados e mortos, a cidade continua sendo cartão postal do Brasil.





Halloween em pleno Natal

28 12 2009

Quando se é criança, com cerca de uns 13 anos (Sim, houve uma época em que ter 13 anos ainda era considerado ser criança), você não está muito preocupado com o aquecimento global, com a morte de alguns poucos animais em extinção, com a destruição em massa nos campos de concentração alemão, com o trabalho escravo chinês, com quem pintou o teto da Capela Cistina ou com coisas do gênero. Nesta idade, almejamos coisas simples, palpáveis, algumas até meio vergonhosas. No meu caso, o que eu mais almejava era uma festa de aniversário digna de uma festa de aniversário.

Este meu trauma vem de muito tempo antes, de todos os outros 12 aniversários comemorados no passado. Tenho uma dezena de irmãos, dois deles fazem aniversário muito próximo do meu, logo, era até meio óbvio que as festas dentro de casa acontecessem em grupo. Um dos irmãos fazem dia 17, o outro 25 (é, eu sei que ele se fode), e eu faço dia 27.

No alto das dívidas que meu pai cultivava, era muito complicado sustentar 6 filhos famintos, mais a sua amada senhora e a ele mesmo. Para uma pessoa que ganhava alguns poucos cruzeiros, ou reais, ou cruzeiros reais, seja lá qual fosse a moeda corrente, era bem complicado distribuir presentes e realizar festanças individuais para todos os 3 filhos que decidiram nascer neste mês amaldiçoado pelo espírito natalino.

Para piorar a situação, um de nossos vizinhos fazia aniversário em Janeiro, dia 1º, se não me falha a memória. Claro que a mãe do infeliz resolvia participar da festa conjunta e realizar apenas UMA festa para 4 pessoas. Sim, éramos 4 crianças disputando aos murros e pontapés para ver quem assoprava a vela, como eu era o menor de todos, nunca conseguia me sobressair. Era uma situação bem desagradável, eu diria. Até hoje eu tenho trauma dessas festas conjuntas.

Além das festas em parceria, ainda sofria com o problema de fazer aniversário 2 dias depois do natal, logo, era certo de algum tio malandrão ou alguma tia mão de vaca dar um presente (que normalmente era uma porcaria embrulhada em plástico) e ainda frisar “é pelo natal e pelo aniversário, heim”. Em que situação isso é válido? Se você fizer aniversário dia 14 de julho, eu posso chegar até você e dizer “é natal e aniversário, heim”. Qual regra informalmente não escrita permite que haja um prazo para que você possa receber apenas um presente? Qual é o prazo limite para que isso seja permitido?

De qualquer forma, isso não vem ao caso. Estiquei um pouco para que vocês entendessem a importância que tinha essa festa quando ela começou a ser planejada. Minha progenitora veio até mim e disse que aquele podia ser o momento ideal para realizar a tão esperada festa. Já havia tido outra festa do mesmo porte e também igualmente aguardada, com o tema de “Jurassic Park”, mas no momento não havia nada que eu queria tanto quanto uma festa com temática “Hallowínica”. E foi assim que decimidos que essa seria a festa ideal.

No exato momento da confirmação nós disparamos a correr atrás dos enfeitos e dos planejamentos para a festa. Uma tarefa muito ingrata, devo dizer. Achar enfeites de Halloween em plena época natalinta é um esforço hérculeo. A lista de itens e guloseimas contavam com minhocas de geléia, paçoca em quantidade exagerada, enfeites fantasmagóricos, cabeças de abóboras para a mesa e muito papel crepom roxo e coral. As minhocas saíriam da “terra”, efeito criado pela paçoca jogada sobre o bolo a fim de emular um cemitério, os enfeites ficariam pendurados pelo local e o papel ficaria em volta da mesa para criar o ambiente.

Era algo mais ou menos assim

O local não poderia ser mais propício. Na época, a loja que minha mãe possuía era uma espécia de bar. Não vendíamos bebidas alcóolicas mas possuíamos as características de um bar. Era sujo, tinha refrigerante e um fliper, de onde vinha a maior parte do lucro da loja (pra você ver como nosso lucro era pífio). Acontece que o senhor responsável pelas máquinas de fliper do local, o Sr. Josinaldo, que de senhor não tinha nada, porque era um cara muito foda, resolveu me presentear com nada menos do que “fichas” infinitas naquele dia. Não só pra mim, mas pra todo e qualquer ser pensante no local. Ele deixou os créditos liberados para nós naquele dia, o que culminou em uma festa incrivelmente sensacional e com todos entretidos a todo tempo.

Recebi visitas da maioria dos membros da minha família. Alguns foram pra festa, outros foram simplesmente pelo prazer de poder se jogar no chão com uma tigela de ponche na mãe e rasgar a mão, abrindo espaço para encaixar mais um dedo, se quisesse. A festa foi
detida por alguns instantes até sabermos que a prima com DDA estava bem, só levaria alguns pontos na mão e poderia voltar feliz, ou não, para a festa. No fim das contas, o saldo até foi lucrativo.

Foi muito bom ter visto todos os familiares ali e me fazer perceber o quanto aquela festa foi importante, foi realmente uma das últimas festas onde todos quiseram ir e se divertiram juntamente comigo. Hoje em dia, quando vão, é aquela coisa meio obrigada, sem muita vontade de estar lá e tudo mais, mas como falei, o saldo foi bem lucrativo.

Lucrativo também é ver que todo ano, por mais que meu aniversário caia em uma dia infeliz, meu irmão se fode muito mais por fazer aniversário no dia 25. Se eu recebo apenas um presente pelos dois dias, o mesmo não deve acontecer com ele, porque os outros têm a desculpa de dizer “fiquem em dúvida se comprava um presente pro natal ou pro aniversário e resolvi não comprar nada”. Então este é um post história, um post de parabéns ao irmão e um de parabéns a mim. Mesmo com a esposa tomando banho de águas termais das batatas e queimando quase o braço inteiro, a “semi-festa” foi bem interessante a valeu muito a pena ter alguns poucos amigos lá. Segundo o calendário aponta, em janeiro haverá a festa real e todos os amigos serão convidados, daí sim vocês verão um post contemporâneo e não só mais uma história do passado.





5 anos e avante

15 12 2009

Hoje é um dia especial para mim e para minha amada Esposa. Nesta data tão próspera, completamos 5 anos de nosso casamento e de nossa existência como apenas um. Foram altos e baixos, discussões e afetos, sorrisos e lágrimas, tudo isso para construir o que somos hoje e para nos fortalecer ainda mais como casal. Hoje eu dedico este texto e minha vida a ela.

Por incrível que pareça, conheci a atual esposa através do RPG, algo que ela não curte tanto agora. Eu tinha um grupo antigo com uns amigos, poucos deles jogam comigo até hoje. De todos os meus amigos, alguns não sabiam o que era RPG, uns não gostavam de RPG ou simplesmente não se interessavam por RPG.

Uma das pessoas que não sabia o que era RPG mas se interessava um pouco, era uma amiga chamada Andressa, irmã da esposa. Andressa entrou em contato comigo e pediu para ir ver como era para jogar conosco.

RPG não é lá uma prática muito apreciada por garotas, seja pelos motivos que forem, elas não costumam aderir tão facilmente ao fato de ficarmos em um quarto jogando, gritando e ouvindo besteiras de amigos homens. Por mais “interessante” que possa parecer para alguns, não costuma ser muito convidativa para a maioria delas.

Andressa já possuía bastantes amigos homens e não se importava em ouvir ou, vejam vocês, falar besteiras quando estava com eles, por isso achei que seria uma boa aceitar ela vir jogar com a gente, afinal, que mal poderia haver?

Pulando as partes técnicas e chatas que vocês não estão interessados em conhecer sobre o RPG, Andressa chegou ao meu quarto para começar a jogar conosco. Junto dela, estava uma das mulheres mais lindas que já havia visto e conhecido pessoalmente. Alguém que podia iluminar um quarto escuro apenas com sua presença. Uma pessoa que em outras circunstâncias, eu jamais conseguiria me aproximar.

Após um tempo, eu até soube que ela nutria um tipo de vontade de me conhecer, sem saber quem eu era, apenas conhecia do que a Andressa contava, sobre o Brad Pitt, sobre o Clube da Luta e por aí vai. Não interessa a vocês (ai).

Dali em diante foi fácil me apaixonar, não tinha nenhum outro motivo para que não acontecesse. Ela era legal, conversava muito bem, se interessava pelos mesmos assuntos que eu (música boa, a vida secreta de Jesus, entre outros), era bonita, se vestia bem. Não conseguiria citar aqui, um motivo sequer do porque eu não me apaixonar por ela. Já o contrário…

Usem sua imaginação e imaginem (redundante?) uma pessoa bonita, arrumada, que usa apenas roupas de marca, que se esforça para trabalhar, que curte ler livros cultos, que gosta de MPB, que cultiva uma boa aparência, que curte moda e tudo mais. Então, eu era exatamente o oposto disso tudo.

Embora nossos costumes fossem muitos parecidos, nossas aparências eram divinamente diferente. Eu era feio e ela bonita, isso define tudo.

Nosso começo de namoro envolveu término de outro namoro (o meu), o fim de uma relação “vai e não vai” (o dela) e algumas pendências familiares a serem resolvidas, alguns encontros escondidos de amigos e parentes, algumas trocas de olhares na presença de amigos, algumas mãos acariciadas enquanto caminhávamos, alguns amigos enganados e por aí vai.

A parte mais difícil foi convencer a família. Convenhamos, sua mãe não gostaria de te ver namorando um “Vagabundo que só fica na praça tocando violão o dia todo”, segundo a própria mãe dela. Hoje uma sogra maravilhosa para mim.

Na falta de uma foto do casamento aqui, fiquem com essa. Não é do nosso casamento mas tá valendo.

Foram alguns meses buscando-a no curso, foram alguns Tridents comprados, alguns abraços trocados, alguns beijos e muito amor e carinho. Estes últimos não faltam até hoje (já o Trident). Eu diria que foi um perído de namoro ótimo e que deveria ser guardado em nossas lembranças para todo o sempre.

Depois de passarmos por todas essas pendências, ainda veio o casamento. Super cedo para alguns e muito tarde para outros. O pai dela aprovou na hora a chance de despachar a filha pra fora de casa. Mesmo que isso implicasse fazê-la morar com um refugiado de Alcatraz. O que antes era antipatia pra cima de mim, se tornou um apego fenomenal na hora de ajudar com qualquer assunto relacionado ao casamento. Nunca vi alguém querer tanto que a filha case. Imagino que tenha sido pelo bom partido que ela tinha arrumado.

Hoje, 5 anos depois, posso dizer que tudo o que tivemos foi ótimo. Passamos por momentos difíceis, que por mais que não desejemos, todo casal acaba passando. Passamos por momentos de solidão e pudemos contar um com o outro. Passamos por momentos de dor e tivemos um ao outro para consolar. Passamos por momentos felizes e ambos estavam ali para comemorar juntos. Todos os momentos que passamos juntos valeram a pena. Não só pela ótima companhia que tenho comigo como também pela ótima mulher que a vi se tornar. Hoje eu sorrio e comemoro alegremente meus 5 anos de casado e desejo a todos a mesma sorte que eu tive.

Agradeço aos amigos de verdade que ficaram conosco até o fim. Que estiveram no casamento e que torcem por nós até hoje. Agradeço aos que nos acompanham e aos que nos adoram. Agradeço a todos por presenciarem a nossa felicidade.

Agradeço também a todos os presentes que já ganhei e a todas as surpresas maravilhosas que ela já me fez. É impossível que eu retribua e consiga tirar dela o mesmo sorriso que ela tira de mim, mas posso garantir que a tentativa será eterna e que nunca vou desistir de fazê-la feliz. Obrigado a todos por terem lido e um grande abraço.

Tá bom. Vou postar uma foto do casamento só pra provar que aconteceu.





Catálogo de Jovens – Parte II

4 12 2009

Continuando a pesquisa iniciada neste post, veremos hoje uma nova classe de jovens que permeiam nosso cotidiano, nos rodeando em cursos, metrô, ônibus ou simplesmente dividindo a cidade em que você existe, sendo obrigado a aturar sem entender, até agora.

Lembrando que estes posts não têm como objetivo estereotipá-los e transformá-los em criaturas asquerosas que são, mas sim auxiliar e desmistificar seus costumes para torná-los menos “incômodos”. Espero que meu esforço valha a pena.

Otakus (Yaaaay Bizarrus Shan Shojo Tomá Nuku)

Esta é uma classe que tenho muito orgulho de dizer que poderia ser dizimada por um meteoro de tamanhos astronômicos que não me faria falta. Se você se veste de forma estranha apenas para fingir fazer parte de uma outra cultura, se você grita com os amigos e os apelidam de nomes duvidosos com traduções mais duvidosas em alguma linguagem oriental, se você lê revistas nacionais de trás para frente apenas para demonstrar seu apego pela sua cultura NOT, você tem grandes chances de fazer parte deste grupo simplório. Ou, na pior das hipóteses, se camuflar dentro de um grupo desses de forma exímia.

Membros desta classe têm grande tendência a se acharem orientais, por mais negros que sejam, por mais morenos, por mais cearenses que sejam, vão insistir de todas as formas que podem e devem vestir-se como orientais e usar gírias desta mesma cultura. Ainda que isso não signifique nada para você. Apenas para “estar inserido no contexto”.

Incesto, homossexualismo, drogas, ilusão, sexo com animais, sexo com anjos, sexo com estojo, sexo com gelatina, sexo com botijão de gás, sexo com mangás, sexo com desenhos, sexo com lamparina, sexo com fogo, sexo com telefones, sexo com computador, sexo com papel, sexo com lamparina de novo, sexo com pedra e, algumas vezes, para não deixar de fora, sexo com a espada de madeira; são práticas comuns a serem adoradas e, algumas vezes, adotadas por estas criaturas. Não importa quanto sua cultura ojerize tais hábitos, se no Japão é comum (e lá, MUITA coisa bizarra é comum), para eles é completamente natural também.

Habitat Natural

Para estudar de perto estas criaturas de costumes estranhos existem duas formas simples. Uma delas consiste em parar em alguma banca de jornal e aguardar seus gritos de “yaaaaaaay” enquanto observam alguma capa de algum mangá com nome duvidosamente tenebroso (Ex: Senhor das Trevas do 8º Crepusculo do Sol de Amanhã; Macarrão, Empada e uma espada atravessada no seu pâncreas; One Piece, One Love, from U2; entre outros)

A segunda forma, muito comum entre eles, é visitar convenções de animes onde os nomes SEMPRE serão substituídos por siglas, o que me leva a crer que seria melhor usarem siglas, ao invés dos nomes. Nestes eventos, além dos campeonatos de gritos (yaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaay) e de quem possui o menor QI, ocorrem uma das práticas mais comuns e degradantes de toda a estratosfera: O Cosplay.

Cosplay é uma prática degradante que merece um post único sobre isso. Não posso desviar do assunto que é o estudo da juventudade perturbada viciada em cultura japonesa.

Vítima de um Cosplay

Organização

Estes grupos de psicóticos costumam reunir-se em grupos de 3 a 5 desajustados para vestirem suas tocas com caras de bichinhos engraçados e japoneses e saírem por aí conversando sobre suas práticas bizarras de adoração aos fatos conturbados dos mangás.

Costumam utilizar-se de um vocabulário próprio que inclui gritos estridentes de “yaaaaaaaaaaaaaaaaay” e também uma forma única de reconhecer seus membros, tanto femininos quanto femininos (Não, isso não foi um erro).

Uma prática bastante comum também é utilizarem sufixos “chan” nos nomes, para assim assinarem de vez o atestado de que estão totalmente sem sanidade alguma e que precisam de uma internação urgente.

Um abraço pro libertador dos judeus.





Cry me a River

26 11 2009

É com este título de uma música do Justin Timberlake que eu inicio um dos posts que mais vão entregar sobre minha personalidade. O ato de chorar por si só já é degradante (tem regra na língua portuguesa sobre três palavras acentuadas em seguida?) e é uma verdade absoluta que hoje em dia os programas de televisão tentam ao máximo tocar em uma parte de seu cérebro que te faça sentir-se uma mulherzinha e cair em lágrimas, seja onde for: Cinema, shopping, sentado no sofá, no motel. Onde for, não há limitações para a falta de escrúpulos de Hollywood e seus tentáculos de emoções.

Eu não sou um cara sentimental. Sou um cara tradicional. Gosto de ver filmes, gosto que as emoções cheguem até mim mas dificilmente vejo algo realmente digno de marejar meus lindos olhos castanhos. Tá, eles não são lindos, mas são olhos, o que faz dessa frase uma meia verdade.

AVISO

Caso você não tenha interesse de acompanhar Lost ou caso você já acompanhe mas esteja nas últimas temporadas, não tem problema algum em ler o texto a seguir. Caso não tenha visto ainda mas tenha intenção de ver, pare por aqui porque irei comentar um caso da série.

Pronto, agora podemos continuar sem interrupções de gente chata que fica se esmigalhando em lágrimas porque leu um spoilerzinho de nada.

Continuando o assunto. Poucos momentos da indústria cinematográfica foram importantes o bastante para me fazerem chorar e demonstrar meu lado mulherzinha. Por sorte eu sempre caio em desgraça quando estou sozinho, ou acompanhado da esposa, que é fiel o suficiente para manter segredo sobre essas coisas (exceto por um certo gosto peculiar por uma banda nacional de formação duvidosa e qualidade musical ainda pior).

Listo abaixo os poucos, vale sempre lembrar que foram poucos, momentos que me fizeram lembrar de como eu sou um franguinho indefeso diante de certas situações.

LOST

Favor tirarem as crianças da sala. Vai tomar no cu. Essa série é um prato cheio pra ficar instigando aquela parte do seu cérebro que diz “Você vai chorar, seu filho de uma puta”. Em vários momentos de Lost esta área do meu cérebro foi afetada. Eu fiquei meio com medo, fiquei tenso, fiquei apaixonado pelas atrizes. Eu tive várias reações assistindo esta série que figura entre uma das 10 mais da minha lista de séries favoritas.

vejam o vídeo abaixo:

Não importa a hora, o dia, a época que eu vir este vídeo. Eu SEMPRE vou me emocionar ao ver o Charlie se esforçando ao máximo para morrer e salvar os outros membros da ilha. Eu me segurei por horas pra não soltar lágrimas vendo a despedida ensandecida de Charlie, mas não consegui. Ao vê-lo saltar no mar sabendo que o futuro era seu fim, eu não consegui e me acabei em lágrimas.  Este episódio inteiro (“Greatest Hits”Melhores Momentos -3.21) me deixou com este sentimento deprimente, mas foi neste momento, no salto do Charlie em que meu coração não aguentou e se acabou em lágrimas.

Extreme Makeover

Para quem não conhece, é um programa de gringos designers/arquitetos que reúnem-se para reformar (ou reconstruir) uma casa para uma determinada família, escolhida por milhares de cartas que enviam pra eles (se você pensou em Lar Doce Lar, MORRA). Acontece que, como era de se esperar, a produção do programa escolhe as famílias que têm sempre uma coisa em comum, a morte de algum ente querido. Dificilmente você vê esse programa e não vê nenhuma família que tenha passado por uma tragédia foda e que tenha levado algum ente querido para o limbo. Vejam o naipe do programa.

Acontece que isso não me comove mais. Quem mora no Brasil e quem vê meia hora de TV brasileira, não pode nunca se comover com morte, com separação ou com crianças arrastadas por carros. Sempre tem uma Sônia Abrão da vida ligando pro pai da criança na hora em que ela está sendo arrastada, tudo isso só para mostrar solidariedade à família. Tá bom.

Tudo ia bem enquando assistia ao show dos designers. Os caras sabem fazer a parada. Infelizmente não tenho um vídeo para vocês, mas posso garantir que foi uma coisa realmente comovente. Imaginem o Gato de Botas, com a cara mais fofinha dele, sendo trucidado por uma lata de refrigerante em camadas, cortando sua pele e retirando seu pêlo, depois sendo jogando em um liquidificador e sendo triturado por hélices vindas de cartazes de Jogos Mortas 64. Imaginou? Foi o mesmo que eu senti quando vi a cena do Extreme Makeover.

O lance é que o garoto havia morrido em um acidente de carro e a mãe estava com o coração dilacerado (sem piada porque isso é foda). Daí, Ty (o apresentador do programa) resolve trazer a dita senhora um pouco mais cedo para casa, porque tinha uma surpresa para ela. A garota que havia recebido o coração doado de seu filho estava lá e queria agradecê-la pessoalmente. Ah, vá pra porra. Você pode estar batendo no peito aí que é fortão e você não choraria. Quero que você morra e seja estuprado pelos atores de Oz. Não adiantou. Eu estava acordado até aquela hora (a essa altura deviam ser umas 0:30 de domingo para segunda, logo, eu deveria estar dormindo pra ir trabalhar) e meu “sentimentômetro” não estava lá muito bem. Dessa vez a esposa já estava dormindo e eu aproveitei para desabar em lágrimas. Chorei igual criança quando perde seu brinquedo. Tentei parar e não conseguia. Daí no final, para culminar com minha inquietudo, os designers resolvem instalar uma placa de “Vá devagar” onde o garoto havia se acidentado. A mãe chorou, a irmã chorou, eu chorei, metade do mundo que estava vendo deve ter chorado. Só você, o fortão, que não chorou. Adebisi espera por você.

Sete Vidas

Esse não foi um caso meu, mas de uma pessoa próxima. Se você não viu o filme, não leia. Vou revelar um spoiler. Minha cunhda, Andresa, é uma pessoa centrada. Faz faculdade, trabalha (demais, até), as vezes sai com os amigos e gosta muito de ver filmes. Certa vez, fomos ao cinema vermos um filme. Não sabíamos o que ver e eu nem lembro as condições exatas da situação, para ser mais sincero. Entre vários filmes em cartaz, escolhemos ver Sete Vidas. Drama estrelado por Will Smith e uma latina que não me recordo o nome mas que me lembra, de longe, a Eva Mendes.

Para que você entenda, eu avisei do Spoiler, Sete Vidas é um drama onde um cara que tirou a vida de sete pessoas, inclusive de sua mulher, passa a sua vida tentando reverter a situação, oferecendo uma nova vida para outras 7 pessoas. O filme tem uma idéia fantástica, embora meio óbvia. As situações são muito legais e algumas até meio “realistas” demais. Você já deve imaginar o que vem pela frente. O cara se apaixona pela mulher a quem ele doaria o coração, se arrepende de ter que fazer o que vai fazer, mas faz. Sem dó nem piedade ele se mata, com o cuidado de um cirurgião, para manter o coração intacto e poder oferecê-lo a sua, agora, namorada.

Claro que a cena comoveu muita gente que estava no cinema, mas Andresa, a cunhada, não ficou só comovida como também fez questão de chorar e soluçar em altíssimo som. Era impossível não perceber e não sentir vontade de confortá-la. Imagino que todos que estavam próximos quiseram chegar mais perto e abraçá-la, oferecendo um ombro amigo a uma pessoa desamparada que acabara de perder alguém muito querido. Um personagem de um filme.

O melhor de toda a situação é que algum tempo depois, alugamos o mesmo filme para que o namorado dela pudesse ver, para mostrar para ele como o filme é bacana. Acontece que no final do filme a Andresa chorou em igual, ou maior, proporção do que a vez em que estávamos no cinema. Isso não faz dela uma pessoa frágil, só demonstra que ela também tem coração e que você será enrabado pelos atores de Oz se continuar rindo da gente.

Tá rindo de que, maluco?





Canhotos, histórias de superação. – UPDATE

24 11 2009

Canhoto é um termo comumente usado para “Pessoa desprovida de habilidades para escrever com a mão correta”. Em minhas vastas pesquisas, pude perceber que os canhotos se dotam de uma egocentricidade extraordinária para discutir certos fatos, citando feitos dignos de serem citados no jornalzinho da escola, como coçarem o ombro direito com maestria, er….é…bom, é isso que os canhotos podem fazer de diferente.

Não importa o dia ou hora em que você  questionar um canhoto de sua deficiência, ele irá se munir imediatamente de argumentos falhos e capengas em relação a todos os canhotos mundialmente conhecidos, como se o fato de ter existido no mundo da “fama” UMA pessoa canhota, permitisse que ela mesma pudesse realizar tal feito. O que nos importa, sinceramente, se Albert Einstein, Adolph Hitler, Tom Cruise, Julia Roberts e Keanu Reeves são canhotos? É como se o fato dessas pessoas terem sido importantes em sua época tenha a ver diretamente com o fato dela ser canhota. Tom Cruise não é um bom ator por ser canhoto, ser destro ou canhoto não faria diferença nenhuma em sua profissão.

Caramba, quanta habilidade em ser canhoto

Se seguíssemos o mesmo padrão de raciocínio falho dos canhotos, poderíamos ver que há muito mais destros famosos e geniais da ciência conhecida do que canhotos. Neste caso, canhoto é quase uma deficiência que é sempre atribuída ao nome para dar um significado para que aquela pessoa seja especial para um grupo de indíviduos: “Fulano pintou esse quadro inteiro com a mão esquerda”. O fato de pintar já é surpreendente. Ser com a mão esquerda só o faz uma criança excepcional e digna de ser assistida pelo AACD.

Quantas celebridades e gênios você conhece? Faça uma lista, por favor. Depois procure saber qual deles era canhoto e qual era destro e você verá, surpreendentemente, que a parcela de destros em qualquer lista (seja na escola, revistas de moda, listas de quem ganhou o bolão da empresa) será sempre SUPERIOR aos canhotos, justamente para salientar o fato de que canhotos são inferiores em sua vida medíocre de tentar ir contra a correnteza da vida.

Uma pessoa canhota normalmente tem uma letra horrível, e as que não possuem tal características certamente usam alguma forma de burlar as regras para se fazer parecer um destro. Observem abaixo a tentativa desesperada de um amigo querendo demonstrar que sua caligrafia era perfeita, mesmo tendo sido escrita com a mão esquerda, a mão, que todos sabem, tem ligação direta com o DEMO.

Sintam a Fúria do Canhoto!

Realmente uma letra apreciável, concordam? Só mesmo se vocês possuíssem catarata congênita em todos os olhos. É claro que é uma tentativa pífia de se fazer parecer uma pessoa normal. Na melhor das hipóteses, esta pessoa, que não gostaria de citar o nome,  pediu a UMA VIZINHA para escrever esta frase de conotação tão depreciativa para minha pessoa.

Canhotos só não são tão lamentáveis quando apreciam sua deficiência (e todos eles o fazem de forma exagerada, como já foi dito) e resolvem tirar proveito dela, indo jogar bola do lado esquerdo do campo, trabalhando como reflexo humano em espelhos pela cidade ou coisas que o valha. Lembrando que todas estas atividades podem ser reproduzidas por destros de forma tão exemplar quanto os mesmos, tornando-os tão especiais quanto um grão de feijão estragado dentro de um pote de milho.

UPDATE

Acabei me esquecendo de citar uma parte importante da evolução dos destros e do resto da humanidade, os canhotos. Parando para avaliar alguns comportamentos, podemos observar que dentre esta classe tão distinta que são os canhotos existem certas pessoas com um histórico de superação e de determinação, são os ambidestros.

Para começar, podemos perceber que a palavra vem de uma origem muito sábia. A pessoa não é duas vezes canhota. Ela é duas vezes DESTRA, logo, vale informar que o ambidestro é uma evolução, ou tentativa de melhoria de uma deficiência, de uma classe desfavorecida pelo nosso senhor Jesus.

Ambidestros são a prova de que mesmo estando ruim, você pode lutar e tentar melhorar sua vida. Não deixe que a vida te deixe pra baixo e te limite. Seja ambidestro e lute por uma vida melhor e com caligrafia perfeita.

UPDATE

Caros canhotos, finalizo este post solicitando sua digitação errônea e pausada em minhas caixas de comentários para discutirmos sobre como superar suas deficiências e conviver bem com elas, aceitando-a e tratando-a como o câncer que é ser canhoto, obrigado.

 

P.S.: Agradeço ao One Piece pela sugestão do Update. Um destro gente boa.





Maldição Tecnológica. Entenda!

6 11 2009

Sabe a decepção? Então, sou eu. Dessa forma melodramática e chorosa que eu começo um texto que marca uma das fases mais aterrorizantes da minha vida. Uma maldição tecnológica caiu sobre mim e nada que eu tente fazer consegue desfazer tal maldição.

Você deve estar rindo e se agonizando de alegria enquanto lê sobre minha desgraça, e por isso eu desejo que você seja preso por acidente em uma cela de uns 4 sul africanos e seja acusado de estupro, pra ver o que é vingança.
Imagine que você vai até o microondas e ponha uma pipoca para estourar. Aguarde alguns minutos e o microondas dê um pulo, três cambalhotas, pegue fogo, tire seu rim e venda no mercado negro, estupre seus animais e depois caia como uma pedra sobre seu dedo mínimo do pé. Pois é, o microondas lá de casa ainda está intacto, mas os videogames, não posso dizer o mesmo.
Eu não sei bem quando isso começou, e se acreditasse em deus eu diria que ele está se vingando por algo que eu possa ter dito ou feito com alguém de menos posses de “diversão” que eu, o que é uma baita mentira, tendo em vista que eu até deixava as crianças que nos visitavam olhar enquanto eu me divertia no videogame, matando gringos e roubando carros no GTA IV.
Começou com meu MP5 (um troço que uso pra ouvir música). Deu um erro e não ligava mais, daí então segui em frente pegando emprestado o da esposa (que tendo em vista a situação, está com os dias contados) e continuei ouvindo música, deve ter sido aí. Quando os aparelhos eletrônicos começaram sua vingança contra mim, eu deveria ter percebido e sido um pouco mais generoso com eles. Logo eu, que tenho um histórico de cuidar MUITO BEM de brinquedos antigos que tive. Tenho inúmeros bonecos e apetrechos que brincava quando criança, todos em ótimo estado de conservação, logo, era de se esperar que este fenômeno fosse se repetir com os videogames. A não ser que eles não quisessem. E eles não querem.

PSP

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Mais um pro saco.

Em determinado momento, depois de tentar instalar um jogo no Cartão de memória do PSP, conectei-o ao USB do laptop para formatar o cartão. Acontece que decorrente dos erros anteriores, por algum motivo que eu nunca vou entender, a memória do dispositivo foi alterada para a memória Flash do console. Memória flash é o que o PSP usava, sim, no passado, para ligar-se. Logo, como ela foi formatada, é meio difícil ele conseguir se ligar novamente. Aí começou mais uma saga da minha maldição.

Xbox 360

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Segundo no saco.

Numa sexta feira, liguei o Xbox para deixar um amigo jogando enquanto iria terminar um episódio de House com a patroa. Antes mesmo de ouvir o som dos jogos, fui interrompido por um enorme aviso dizendo “Você foi banido, seu imbecil”. Fiquei triste e inconsolável, mas já imaginava que isso fosse acontecer um dia. Sabia que a Microsoft não iria deixar barato todo esse tempo de utilização irregular de seu console querido. Acontece que mesmo sabendo, eu nunca imaginei que fosse acontecer. Até que o aviso na tela me fez perceber como sou tolo.

WII

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WII. No saco também.

Tudo já estava indo de mal a pior. PSP tinha ido pro saco, Xbox banido e eu pedindo a deus que nada acontecesse com o WII. Mais uma vez eu fui tolo. As empresas são espertas e sabem o que estão fazendo com seus consoles por aí afora. Para te obrigar a se fuder de verde e amarelo, elas ficam lançando atualizações de jogos para que você seja obrigado a cooperar e atualizar, para, em seguida, tomar um erro lindo na tela. Fui instalar uma atualização via jogo para conseguir jogar uns novos jogos que saíram. Como sou um cara sagaz, dei uma pesquisada na internet e vi que todo mundo tava falando que não tinha problema, que o máximo que poderia acontecer seria eles tirarem um canal de Homebrew, que depois eu poderia instalar novamente. Vi que não seria tão ruim, afinal, eu poderia jogar jogos novos sem me preocupar com nada. Então, lembra que falei da minha tolice? Tomei um erro bonito e agora o WII também está lá quieto esperando um conserto que caiba dentro de meu orçamento.
Este post pode parecer um lamento de um nerd que perdeu seus brinquedinhos que tanto ama (realmente eu os amo) e é. Não há outro objetivo para postá-lo aqui, apenas me lamentar e pedir que vocês orem para suas crenças para que isso pare de acontecer. Eu já aprendi a lição e nunca mais vou zoar meninos da Etiópia que não têm com o que brincar e se divertem chutando crânios. Prometo ser legal e honesto pro resto da vida, desde que eu possa jogar incansavelmente e me divertir novamente. Só isso que quero. É pedir muito?




A Verdade dói.

30 10 2009

Segundo a Wikipédia, temos:

“Verdade significa o que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores.”

A verdade é um conjunto de valores que nos fornece material para calarmos nossas bocas em determinadas situações, ou no mínimo, mentirmos sobre determinados questionamentos, para evitarmos danos maiores.

Ter a verdade como modo de vida é uma prática impossível de se exercer nos dias de hoje. Você não pode simplesmente sair por aí falando a verdade, por mais “bobinha” que seja. Em determinados momentos, a verdade dói. E muito. Não como um chute no saco, nem como uma voadora de dois pés nos peitos, mas a verdade, quando usada sem dó, pode causar dores irreparáveis com o tempo.
Quando questionada sobre o porque de não querer ficar perto de seu avô, uma de minhas (muitas) sobrinhas foi direta em dizer “Porque ele fede”. É claro que para ela a resposta foi natural, não era errado mentir, ainda mais para seus pais, que a educaram de forma exemplar.

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Profissional do Ramo da Mentira

A verdade não deve ser dita em vão, ou então perderá seu poder. Uma verdade bem dita em um determinado momento pode mudar toda a percepção de uma pessoa sobre uma situação. A menina trocada pelo namorado que insiste em querer uma resposta “verdadeira” do mesmo não está buscando a verdade, está buscando uma forma de enfurecer-se com ele. Nesses casos, a verdade não é uma opção, caso contrário, a fúria de uma mulher ensandecida caíra sobre sua cabeça.

Um roqueiro que afirma conhecer determinada banda apenas para parecer “cool” entre os amiguinhos rebeldes não está usando a mentira como arma, mas como escudo para se proteger dos olhares de reprovação para sua condição (de roqueiro) caso não conheça tal banda.

Em outro caso, onde uma menina foi rejeitada e agora, depois de chorar e se lamentar por “perder o amor de sua vida”, luta com todos os esforçor para denegrir a imagem do rapaz que outrora tanto amou. De onde vêm essas verdades, se no momento em que estavam bem elas não existiam? Porque um momento que não deveria ser citado em discussões é tão lembrado quando você percebe que nada mais trará aquela relação de volta? A verdade então pode ser usada como arma?

Uma verdade bem dita é um soco no estômago. Uma mentira bem contata é um conforto aos ouvidos. Sua namorada não quer ouvir “sim, você está gorda” quando lhe questiona a respeito disso. Muito menos irá ficar feliz caso você prefira ser ainda mais sincero, rebatendo “Você não está gorda. Você é gorda” quando questionado a respeito.

Mentir não é saudável, mas falar a verdade, causando estragos, é menos saudável ainda. Não quero aqui começar uma onda de mentiras e levantar a bandeira dos super sinceros. Só quero apontar que a mentira, bem como a verdade, deve ser usada com carinho, com respeito. Não podemos banalizar a única coisa que temos que ainda nos mantém nos trilhos. Não podemos gritar aos quatro cantos as verdades de nossas vidas. Certas verdades devem ficar escondidas e não serem reveladas nunca, se possível.

Entre verdades e mentiras (e um episódio de House que me inspirou nesse texto), escolha a que mais lhe convier, tendo em mente que do outro lado, tanto da verdade quanto da mentira, há uma pessoa ouvindo-a e que poderá não saber distinguir. Quando parar pra pensar, pode ser tarde demais.