Minha raiva do ser humano

Em toda uma existência nesta terra eu pude perceber que algumas pessoas fazem muita questão de nos prestigiar com sua habilidade em falar merda. Fazem tanto esforço, mas tanto esforço, que você acaba não acreditando que está ouvindo aquilo da boca de uma pessoa. De um ser humano. São essas e outras que me fazem ter muita raiva do ser humano.

Há tempos atrás eu acreditava na humanidade. Eu acreditava que um dia nós iríamos perceber o que estávamos fazendo com o mundo e pararíamos de fazer. Daríamos “pause” em nosso modo destruição e entraríamos em um loop infinito de bondade e humanidade, mas isso está muito longe de acontecer.

Vejam bem, quando falo “destruição”, nem estou querendo falar do modo “destruir plantas e árvores até que o mundo seja só poluição e caos”. Eu, particularmente, acho quase impossível que a destruição das reservas naturais vá acabar com a vida do homem. Acredito, bem como tem sido provado TODO ESTE TEMPO (embora você, cristão que é, irá duvidar) é que os nossos corpos evoluem. Nossos corpos se adaptam da maneira que precisamos. Isso tem sido feito por décadas, duvido muito que de repente isso pare de acontecer. Portanto, se a taxa de oxigênio cair drasticamente no mundo, eu acredito que nosso corpo irá se adaptar àquela situação. Mesmo que passemos a respirar puro gás carbônico, eu ainda acredito que nosso corpo achará uma forma de utilizá-lo para nosso bem. Pode demorar. Muitos poderão morrer no processo, mas acredito que isso acontecerá.

Sendo assim, quando falo em modo de destruição, quero dizer o modo de destruição de ambiente. De convivência. De “humanidade”, por assim dizer. Animais vivem como selvagens e ainda assim possuem sua própria sociedade. Deve existir algo irritante no mundo das jaguatiricas que equivalha (?) ao nosso “funkeiro/roqueiro/crente ouvindo música no ônibus”.

Humanos são bichos escrotos e todo dia tentam se superar em suas idiotices. Hoje vi uma notícia de um pai que colocou a filha de castigo DURANTE 9 ANOS, trancada dentro de um banheiro. Imagine isso. Imagine que você é um pai, sua filha faz uma merda qualquer e aí você decide, dentro dos seus padrões do que é certo e errado, que a melhor maneira de castigar ela, além do fato da vida já ter castigado o suficiente dando você como pai, é trancá-la no banheiro da casa por 9 anos. Legal, né?

Outro dia vi uma notícia mais chocante. Não era nada tão direto assim. Era uma coisa simples, por assim dizer. Um caminhão de uma marca famosa de refrigerante havia tombado em uma das ruas aqui do Rio de Janeiro. Segundo o jornal, as pessoas que moravam na região logo se aglomeraram ao redor do caminhão. Vou dar o benefício da dúvida para você, ok? Vamos lá. Das alternativas abaixo, quais dela você ACHA que foi a realizada pelos moradores das redondezas.

a) Todos foram ao caminhão para tomar banho de refrigerante;

b) Todos foram ajudar o motorista que sofreu o acidente, tadinho;

c) Todos saquearam o caminhão e levaram os refrigerantes para suas casas, afinal, caiu na rua é deles.

Vou te dar um tempo para pensar…

 

 

 

 

 

 

 

 

….

 

 

Tá. Agora que já deu sua resposta, veja com seus próprios olhos a resposta.

Pois é. Essa é a humanidade que temos.

Aí você para. Olha bem pra foto. Fica avaliando os motivos e não consegue entender porque alguém sai de sua casa, larga tudo que está fazendo e vai até um caminhão detonado na estrada para pegar uma garrafa de refrigerante e virar em si mesmo. Por qual motivo alguém faria isso? A que nível chegou a estupidez do ser humano que além de querer se dar bem em TUDO, consegue se desvencilhar dos princípios básicos da convivência humana para se tornar menos que um animal, menos que uma bactéria. Para se tornar apenas um amontoado de carne acéfala.

Não é o fato de estarmos em um mundo falido que nos faz agir como tais. Não é porque “todo mundo é corrupto” que devemos agir da mesma forma. Será que em nenhum momento isso vai mudar?

Hoje vejo os protestos da internet, em relação ao SOPA e ao PIPA e fico pensando “Cara, esse é o nosso mundo?”. Um mundo onde o protesto contra a censura na internet é o máximo ofensor para nós. Onde todo dia políticos roubam, pessoas estupram as outras dormindo, onde nego lava dinheiro na nossa cara, onde pagamos impostos e não vemos NADA acontecendo na cidade e ninguém faz nada. Onde todo mundo reclama da passagem de ônibus ter aumentado incrivelmente mas o máximo que se faz é trocar o avatar do facebook por uma roda de ônibus e pronto. O pior é que isso é um câncer do Brasil. Meses atrás vimos ditadores caindo, vimos regimes de total censura ser dilacerado pela união do povo, enquanto no Brasil temos uma ditadura disfarçada de “bons moços” e todo mundo continua acenando para o político enquanto ele enfia a mão no teu bolso e leva tua dignidade. Porque dinheiro a gente recupera, mas dignidade, depois de roubada, é difícil para reaver.

Sonho com um dia onde largaremos os computadores/celulares/torradeiras e iremos às ruas, protestar pelo que realmente vale a pena. Ou se for pra protestar contra a censura na internet, que seja da forma correta, lutando. Enquanto nós baixarmos nossas cabeças diante do governo, ele saberá quem está no poder. Ou botamos nossas máscaras e vamos às ruas, ou desligamos nossos monitores e nos damos 1 minuto de silêncio, pela morte da nossa dignidade, pela morte da nossa humanidade. Luíza já voltou do Canadá, e nós NUNCA seremos inteligentes.

Qual foi a primeira música de 2012?

Então, tudo bem? Eu daria feliz ano novo, mas tenho quase certeza que já escrevi aqui este ano. Na verdade, tenho certeza absoluta, mas o sono está me consumindo fortemente neste momento, portanto, relevem se tiver algum erro de português. Eu sou apressado demais para esperar um dia de sobriedade em que eu possa revistar este post antes de postar.

Já há alguns anos eu desenvolvi uma prática bacana para a virada de ano. Na verdade, não é bem para a virada, é para o “primeiro momento do ano” que acabou de entrar.

Tem gente que se veste de branco, tem gente que salta ondas, tem gente que assiste ao show do David Guetta e tem gente que faz questão de se vestir de preto e se reunir com os amigos e dizer “não gosto de ano novo, por isso estou de preto”. Só mesmo um pai muito do burro para não perceber que este garoto está querendo chamar a atenção.

Para mim as cores nunca foram problemas. Nunca me preocupei em me vestir de uma cor específica. Principalmente se isso quisesse dizer que eu acreditava em alguma coisa, como “atrair dinheiro me vestindo de amarelo”. Sendo assim, para fugir dessas palhaçadas, eu resolvi criar o meu próprio costume de virada de ano e tem dado um pouco certo já há algum tempo. Não me pergunte quanto, foi só modo de dizer.

Este ano eu passei na casa de um amigo meu. Fomos eu, minha namorada (é isso aí), Sérgio e a noiva dele. A mãe da noiva dele também estava lá. Não interessa o nome de ninguém porque não estou escrevendo isso para te fazer ser amigo dele, estou escrevendo para falar de meu costume.

Toda virada de ano eu penso em qual objetivo quero atingir naquele ano. Não pode ser um objetivo simples, uma coisa babaca. Tem que ser uma coisa que eu realmente vá me empenhar para conseguir e neste ano eu decidi ficar rico.

Antes que você ria da minha cara, quero deixar claro que para meu padrão de “rico” eu preciso estar ganhando 5k por mês, independente da forma como esse dinheiro virá. Lógico que ilegalidade não está em pauta. Já comecei o ano me empenhando ao máximo para isso, pegando serviços “por fora” e correndo atrás de finalizar meus projetos paralelos que me renderiam alguma grana. Obviamente estou muito longe de conseguir meu objetivo, mas pelo menos estou muito empenhado nisso.

Pois bem. A prática que criei e continuo utilizando é a seguinte. Escolho o objetivo que quero alcançar naquele ano e procuro uma música que represente exatamente aquele objetivo, ou a forma de como alcançá-lo. Tendo a música em mente, eu decido que esta será a primeira música que ouvirei e cantarei naquele ano.

Nem é tão difícil assim, mas quando você está longe de casa e não tem a tal música ao seu alcance, fica complicado sair na noite de Ano Novo, desviando-se de onde quer que venha um barulho para você não ouvir ou cantar uma música que você não quer, para não arruinar os planos de ano novo.

Imagina você querer ficar rico e ouvir “Ai se eu te pego”. Tu vai se ferrar pro resto do ano.

Quero saber a opinião de todo mundo, menos da Luiza, que está no Canadá, qual é a primeira música que vocês ouviram este ano?

Esta foi a minha:

Somente mediano

Não é todo dia que conseguimos conviver amigavelmente com o mediano, com o que é apenas “normal”. Não é todo dia que acordamos, olhamos para fora da janela e dizemos “ah, que dia mediano. Justamente do tamanho que pedi”. Não é sempre que podemos contemplar a beleza e a simplicidade de simplesmente existir, não por ter um objetivo, mas por ser parte de algo grandioso. Não para ser melhor, nem pior apenas diferente, apenas para ser mediano.

Todos nós temos objetivos na vida, alguns completamos durante ela, outros nem tão cedo. Todos nós queremos ser os melhores em algumas coisas, algumas vezes até deixando de lado a diversão da “coisa” em si. Quantas vezes não saímos sem alguém que gostamos e perdemos todo o passeio reclamando de como seria muito melhor se fulano estivesse ali? No fim das contas, fulano está vivendo a vida dele e te ignorando por alguns segundos, enquanto você se priva da vida para pensar no fulano.  Alguns esperam que você aja assim, não por se preocupar, mas para te julgarem pior em algo, afinal, ELAS são as melhores e ninguém mais pode ser.

Enfim, o que quero dizer é para deixarem essa coisa de lado, de procurar sempre a perfeição nas músicas que ouvem, nos livros que lêem e nas escolhas que fazem na vida. Algumas vezes as decisões não são as melhores mas em todas elas, no fim, você acaba aprendendo que tirou uma coisa boa daquilo. Quem reclama e implica infinitamente são adolescentes. Se você não tem mais 14 anos e adora bradar aos quatro cantos que tem “personalidade”, pare de ser chato e curta um pouco a vida. O presente recebido no Natal pode não ter sido aquele que você queria, mas será que o “normal” não está bom pra você?

Nem sempre o normal é chato. Essa música abaixo, por exemplo, é normal, mas é tão bonita que a faz ser perfeita.

O dia em que meu gato falou

Outro dia comentei no twitter (ou Facebook, não lembro) sobre a história em que meu querido amigo felino falou. Um ou dois amigos me encorajaram a contar a história, mas eu ainda sabia que teria problemas de credibilidade sobre a mesma. Ontem, em casa, comentei com a namorada a história e ela disse, com todas as letras “Me desculpe, mas é impossível acreditar nisso”. Eu me senti mal, traído, mas mesmo assim copmreendi a situação. Se fosse comigo eu estaria gargalhando e duvidando também.

Acontece que essa é uma história que eu sempre contei pros meus amigos e todos eles reagiam da mesma forma: “apontavam o dedo e riam”. Alguns não davam muita bola, como se quisesse passar a impressão de não querer duvidar de mim, mas também não queriam acreditar. Outros simplesmente afirmavam que eu estava mentindo. Até hoje eu não encontrei nenhum amigo que dissesse “Cara, eu acredito em você”. Mas veja bem, não estou reclamando. Se fosse a situação inversa eu também faria o mesmo.

Em meados de muito tempo atrás, quando eu era mais moleque, nós morávamos em um apartamento em Coelho neto, no Rio de Janeiro. Não sei se vocês conhecem, mas não faz diferença alguma conhecer o local para a história que conto.

Quer dizer, antes de falar sobre Coelho Neto, é melhor falar da origem do gato.

Pra começo de conversa, o nome dele era Haroldo. Minha irmã era fanática pelo Calvin e assim que ganhamos o gato (ou compramos, não me lembro bem) ela solicitou que este fosse o nome dele. Como ele era meio rajado de preto e cinza, ele parecia, exceto pelas cores, com um tigre, então minha mãe aceitou numa boa que este fosse o nome do bichano.

Haroldo ficou conosco muito tempo, depois sumiu e ninguém nunca mais soube dele. Durante mais ou menos um ano minha mãe repetiu o ritual de toda manhã aguardando-o na varanda de casa para dar ração a ele. Acho que foi mais ou menos como se tivesse perdido um filho, pra ela. Até hoje não deve estar totalmente recuperada.

Mas divago. Haroldo era um gato esperto e sempre se mostrou acima da média. Tinha aprendido a abrir portas (pulando e batendo na maçaneta), sabia onde devia fazer suas necessidades e todos amávamos ele. Até o dia que ele resolveu falar.

Em nosso prédio, morava uma outra família na frente da nosso apartamento. Como nosso apartamento era de esquina, a cozinha tinha uma área de serviço que dava de frente pra área de serviço do outro apartamento. Esta família tinha um gato chamado Tom (original, não?) e o Tom tinha o terrível costume de aparecer na nossa casa para comer a ração do Haroldo.

Neste dia, estávamos minha mãe e eu na cozinha, conversando enquanto ela preparava alguma coisa para o jantar. Como de costume, Haroldo estava deitado no meio da cozinha, como se ouvisse nossa conversa mas não quisesse participar. Estava apenas ali, curtindo um momento com a família.

O Tom também sabia abrir portas (o que invalida a minha teoria de que o Haroldo era especial por saber fazer isso) e utilizou deste conhecimento para pular para nossa varanda e dar uma patada na maçaneta revelando nosso pequeno encontro em família. Tom abriu a porta, saltou para o chão e foi a empurrando bem devagar, passando seu corpo por entre a fresta que havia se formado com o empurrão que havia dado.

A comida do Haroldo ficava ora na área de serviço, ora dentro de casa, na cozinha, pra ser mais preciso. E naquele dia ela estava na cozinha, mais ou menos próximo de onde Haroldo estava.

Assim que a porta abriu, minha mãe e eu nos assustamos mas logo ficamos tranquilo, porque vimos que era o Tom que estava entrando. Como nunca tivemos o costume de maltratar animais, deixamos ele entrar tranquilamente. Se o Haroldo não tinha problemas em ter um gato vizinho roubando sua comida não éramos nós que teríamos, né?

Mas ao que tudo indica, o Haroldo não ficava muito feliz com isso. Assim que o Tom adentrou pela porta, o Haroldo se levantou, pôs-se naquela posição que o gato fica todo “arrepiado” e que eu não sei o nome e proferiu as seguintes palavras: “AH VAGABUNDO”.

Minuto para você rir da minha cara.

Eu sei que é absurdo. Eu sei que você não acredita nisso, mas ele falou. Minha mãe e eu vimos. Nós dois estávamos presentes. Não foi ninguém que nos falou, não foi nenhum vídeo da internet que me fez acreditar nisso. Eu vi e ouvi.

Naquele mesmo momento minha mãe e eu nos encaramos e ficamos esperando nossa mente organizar o que havia acontecido para garantir que estava realmente sendo real. Imediatamente o Tom voltou por onde veio e foi para casa, o Haroldo deitou no chão como se nada tivesse acontecido e eu e minha mãe CORREMOS para a sala e ficamos lá, longe do Haroldo, até meu pai chegar.

Contamos para a família e todos nos ignoraram. Até hoje devem duvidar dessa história, mas eu posso garantir com toda certeza que ouvi o Haroldo falar. Não sei se foi um acidente, não sei se foi um espírito do mal que entrou nele, só sei que ele falou. Você pode não acreditar, mas até minha mãe pode comprovar que tal história aconteceu.

Procurei na internet por algum fenômeno parecido e o único que encontrei foi o vídeo abaixo, mas ainda assim não representa nem 1% da genialidade do Haroldo.

Doe um fone a um funkeiro

Tenho visto já há alguns dias uma prática sendo difundida pela galera “divertida” do Facebook. Milhares e milhares de pessoas estão compartilhando a mesma imagem, a imagem de uma campanha fictícia que solicita aos amigos para doarem um “fone para um funkeiro”.

Campanha bacana, né?

O único problema da campanha, ao meu ver, é o fato de excluir diretamente muitos outros públicos que sofrem do mesmo mal dos “funkeiros” da campanha. Evangélicos, roqueiros, pagodeiros e forrozeiros. TODOS deveriam ser atingidos por esta campanha.

Mas na verdade, a intenção do post nem é essa.

Vejo muita gente reclamando dos tais funkeiros, dizendo que eles não respeitam ninguém e que todos deveriam morrer (inclusive com imagens bonitinhas de funkeiros sendo jogados dentro de um poço com espinhos) e blá blá blá. Não só o fato da estupidez desnecessária, esta campanha de preconceito contra os funkeiros e o funk me traz muitos pensamentos à cabeça e um deles, o mais importante, diga-se de passagem, é que parece que TODOS estão competindo para ver quem chama mais atenção.

Na minha mente, o funkeiro que ouve funk no ônibus está fazendo isso para chamar atenção. O único motivo dele comprar aquelas caixas de som importadas da China é porque assim o som sai ainda mais alto e ele consegue chamar ainda mais atenção, certo? Se observarmos comportamentos semelhantes de outras tribos podemo chegar à conclusão do porque o funkeiro ouvir funk gera tanto incômodo assim.

Quando você veste sua camisa do Slipknot, com coturno, calça preta, sobretudo, gel no cabelo pra parecer punk e vai para o SHOPPING, não parece ser muito diferente do que o funkeiro faz.

“Ah, mas o funkeiro incomoda quem está ao seu redor” você pode alegar.

Sim, verdade. Mas a maioria desses “roqueiros” (observem as aspas, pelo amor de vosso senhor) também se vangloriam de ficarem bebendo vinho (ui, ele bebe vinho – e chupa bala de menta pra mãe dele não bater nele quando sentir o cheiro do álcool) na porta do shopping, de ficarem cantando músicas aos berros e andarem no shopping como se fossem “excluídos da sociedade”. Quer saber um segredo? Vocês não são.

Quando um grupo cria costumes e regras para serem excluídos da sociedade e passam a criar um pré-conceito sobre seu comportamento o grupo está sendo excluído da sociedade ou incluído? Reflita.

Voltando ao assunto.

Eu ouvi rock durante toda minha adolescência e vi todo tipo de pessoa que gostava do ritmo. Desde pessoas que simplesmente gostavam do ritmo até pessoas que combinavam de usar camisas com dizeres ofensivos ou imagens igualmente ofensivas quando fossem para lugares públicos. Com o único objetivo de chocar e “incomodar” as pessoas “normais”.

Sem contar que várias vezes já vi pessoas ouvindo rock em alto e bom som dentro do ônibus.

Fora os roqueiros, nós temos também os cristãos. Vocês sabem a implicância que tenho com eles, então vou tentar ser o mais imparcial possível.

Da mesma forma que já vi roqueiros fazerem besteiras em público para chamarem atenção, já vi cristãos fazerem o mesmo (ou até pior). Na maioria das vezes o cristão faz questão de fazer humor sexual ou de comportamento “mundando”, apenas para mostrar para as pessoas ao seu redor que “cristão também vive”. Não é reprovável. Cada um faz o que quer. Se você acha legal juntar todos os membros da sua igreja em um ônibus para ficar falando que vai dar de presente para a líder do grupo jovem uma calcinha comestível, ótimo, vá em frente, mas não pense que está fazendo isso porque é legal. Se fosse legal as pessoas fariam isso sozinhas. Em casa. Se fazem isso na rua, em ônibus, é porque possuem apenas um objetivo: chamar a atenção.

Claro que existem exceções. Em todas as tribos, exceções são sempre bem vindas. Sempre vai existir o cara que ouve rock e GOSTA de usar roupas com imagens satânicas. Sempre vai existir o crente que fala de sexo abertamente. Tudo isso sem a menor vontade de chamar a atenção.

Mas se tem uma coisa que minha mãe me ensinou MUITO BEM é que o seu limite começa quando termina o do próximo. Se você percebe que está começando a se exaltar e falar um pouco mais alto que o normal em um ambiente que não é o seu “habitat”, seria de muito bom tom você diminuir um pouco a voz, mudar de assunto, ou simplesmente cortar o papo pelo meio. Não com medo do que as pessoas vão pensar, mas só pelo fato de saber que alguns tipos de assuntos não são bem vindos em ônibus, em elevadores e em locais com alta aglomeração de pessoas.

Ao invés de uma campanha para doar um fone de ouvido para um funkeiro, vocês deveriam fazer uma campanha de respeito ao próximo. Independente da religião, tipo de música que ouve ou nível de alfabetização. Respeito deveria ser universal. E se é assim, os funkeiros também merecem o seu.

Tá querendo desquitar

Uma coisa que algumas pessoas podem não saber é o fato de que, na minha adolescência, eu era incrivelmente apaixonado pela boa música que a banda Raimundos fazia. Na verdade, até hoje eu ainda sou, mas fiquei muito tempo sem ouvir o som dos caras. Aquela época em que você decide ouvir coisas novas pra conhecer boa música e pra saber que você nunca devia ter se afastado de sua origem.

Não só pelas letras de duplo sentido, não só pelos acordes, não só pela atitude. A banda possuía um conjunto de qualidades que a fez difícil de superar, mesmo na época, em que muitas bandas do mesmo gênero surgiram no Brasil. A inteligência das letras, a agilidade nas rimas e as histórias, quase sempre baseadas em acontecimentos reais, faziam e ainda fazem a banda ser uma das minhas preferidas.

Na escola, naquela fatídica hora em que escolhemos quais amigos ficarão conosco durante o ano, e alguns durante a vida, eu me aproximei exatamente do cara que também era apaixonado por Raimundos. Como eu. Além de gostar ele também sabia tocar violão.

Do contrário do que você pensa, ele não era um bicho grilo, mais chato que o encontro anual dos hispsters de violão. O cara tocava as melhores músicas de forma perfeita, ainda por cima não gostava de Legião e não curtia essas bandas Ploc’s anos 80. Se uma pessoa sabe tocar violão e NÃO gosta de tocar Legião, esse alguém precisa ser meu amigo.

O nome dele era Cleiton e com ele eu tive as melhores aulas de música e de bandas novas. O cara era uma enciclopédia de bandas sensacionais. Hoje em dia estamos afastados, mas a lembrança da amizade e a certeza de um sentimento de amizade mútuo me confortam.

Em uma dessas situações chatas da escola, fomos obrigados a formar um grupo para compormos uma música, uma poesia ou um texto que retratasse o cotidiano de algum personagem. Não poderíamos inventar nada, tudo teria que ser baseado em algo que você viu. Seja a história de um vizinho corno ou como foi sua primeira vez em um puteiro, embora esta segunda opção não fosse bem o que te daria uma nota 10.

O tempo foi passando e os grupos se formando. Nós, que não estávamos muito preocupados com o trabalho largamos de mão e fomos viver nossas vidas. Até o dia da apresentação. Que pareceu chegar em um piscar de olhos.

Assim que a professora adentrou a sala e perguntou quem seria o primeiro a se apresentar meu coração bateu em slow motion. Como assim se apresentar? Era aquele o dia da apresentação? O tempo dado por ela passou tão rápido assim? Onde estávamos neste tempo?

Cleiton, Sérgio, Suilan e eu entramos em desespero. Sim, Suilan é o nome de uma amiga minha que também havia ignorado sumariamente o trabalho e naquele momento se pegava pensando no que fazer.

O primeiro grupo se apresentou com um texto estranho sobre o nascimento de uma criança. Eu não sei se foi a narração ou se as palavras escolhidas foram ruins, eu só lembro de ter pensado em suicídio algumas vezes enquanto ouvia os caras narrando as aventuras da mãe de um deles nessa “nova empreitada de ser mãe”.

De repente os grupos foram ficando indecisos. Ninguém mais tinha coragem de se apresentar e, a julgar pelo que ouvi, eles estavam com medo de se apresentar depois desse grupo do bebê. Ao que parecia, ele tinha sido mais legal do que eu havia ouvido, para causar medo nos demais.

Então eu me levantei e fui até a frente da sala. Chamei o pessoal e eles ficaram do meu lado, esperando para saber o que eu pretendia dizer, uma vez que ninguém esperava uma reação minha. Mas como diz o Capitão Nascimento “nada melhor do que uma crise para aguçar a criatividade”.

Então a professora perguntou sobre o que seria nosso trabalho. Eu olhei para o Cleiton, como que pedindo um sinal de cumplicidade e disse:

- Nosso trabalho é uma música que fizemos para um vizinho meu. Seu Vavá é o nome dele e ele tem tido problemas com seu casamento.

No momento em que falei o nome a galera entendeu. Algumas pessoas da turma já tinham nos ouvido cantando essa música e também tinham entendido, mas jamais seriam capazes de nos desmascarar.

Quando a professora deu o sinal para começarmos, nós cantamos essa música abaixo:

Sabe o que é melhor? Depois da cara de espantada da professora perguntando se nós mesmos tínhamos feito a música, foi ver que ninguém mais ousou levantar seu rabinho da cadeira para tentar desvendar nosso trabalho.

Depois que isso aconteceu eu tive certeza de uma coisa. Por mais que todos amem bebês fofinhos e historias sobre seu nascimento, Raimundos ainda é Raimundos e ninguém consegue desbancar os caras.

A internet e as pessoas

É incrível como a internet vem sempre surpreendendo, mesmo os que já a utilizam há algum tempo. Ontem, enquanto caminhava rumo a Comic Con RJ (um eventozinho mixuruca, devo dizer) eu combinei com um conhecido de pegar carona com ele, para que não ficasse muito contramão para mim. Depois de já estar no evento e ter passado algumas horas conversando eu percebi que, antes daquele encontro, eu NUNCA tinha visto o cara. Em qual mundo você se imaginou pegando carona com um completo desconhecido?

Muitas das vezes nós só utilizamos a internet de maneira desregrada, sem em nenhum momento paramos para pensar que existem pessoas do outro lado da “linha”, que por mais que o Fantástico goste de dizer o contrário, não são computadores que estão conectados, são pessoas, com gostos e anseios como de qualquer outra pessoa, inclusive você, caro leitor.

Eu fico muito feliz em ver que piadas, flames, guerras entre Xbox e seu rival perdedor não abalam em nada a real amizade que é feita na internet e que por mais que vocês sejam contra e que vocês discordem, as amizades feitas na internet são tão ou mais importantes do que as que você tem no mundo real. Saber que o cara que é seu vizinho não dá a mínima para o que você faz e ver uma cidadã lá de São Paulo, que não teria motivo NENHUM para querer lhe agradar te dar um elogio puro e sincero, sem exigir nenhum voto em enquete idiota em troca é muito bom, é prazeroso e é resultado de recompensa de tudo que você vem vendo na internet. Não é  por menos que todas as empresas estão investindo na parte social de suas empresas, não é por menos que estamos tornar as máquinas mais humanas. Quem achou que no “futuro” nós teríamos carros voadores e máquinas fazendo o serviço do homem esqueceu de um pequeno detalhe, que por mais que a Siri tenha um bom humor de cair o queixo, ela ainda não é capaz de dar aquilo que todo ser humano necessita em um momento de aflição: o calor de um abraço e a escolha certa das palavras.

Por hora, deixo a foto mais foda que já vi na minha vida e agradeço a simpatia da pessoa que nem mesmo sei o nome por ter concordado em tirá-la para mim:

Update: Como devem ter visto abaixo, o nome da “Zelda” é Natália Maggessi.

Zelda Like a Boss

Rosa Parks 2.o

1º de dezembro de 1955.

Em um dia de sol na pequena cidade de Montgomery, no Alabama, um ônibus encosta em um ponto e permite a entrada de uma costureira negra. A costureira senta-se em um banco e permanece ali até a entrada de um homem branco.

Por lei, a costureira é obrigada a ceder o lugar. A lei do Alabama obrigava os negros a cederem o lugar para os brancos, caso não houvessem assentos disponíveis.

Rosa Parks cedeu o lugar e de cabeça baixa foi para um canto do ônibus. Embora envergonhada com a situação, estava orgulhosa de si mesma e aguardava ansiosa para chegar em casa e contar aos amigos o grande feito do ônibus. As pessoas no ônibus não sabiam mas o avatar do Facebook dela e de todos os amigos dela era uma foto de um negro, em forma de protesto contra a discriminação racial.

E assim, com um protesto tipicamente “2.0″, Rosa Parks submete-se à leis absurdas e a história inteira do mundo é alterada. Mas não tem problema, o avatar do Facebook permanecia intacto.

"riariariaria, vou contá pa gerau o q acontesseu no busão hoje"

Eu realmente acho uma imbecilidade algumas pessoas acharem que isso é realmente uma forma de protesto. Eu não ligo pela brincadeira, eu não ligo pela homenagem ao dia das crianças, eu não ligo nem se você for fã do Rafinha Bastos e achar que isso, de alguma forma, vá ajudá-lo a sair da merda em que ele se meteu.

Mas protesto? Vocês acham mesmo que uma troca de avatar substituiria uma “queima de sutiãs”? Vocês acham mesmo que uma troca de avatares derrubaria a ditadura de Mubarak?

O jovem de hoje em dia tem um sério problema: a falta do que protestar. Mas não me entendam mal, não estou dizendo que não haja contra o que protestar no Brasil, estou dizendo que as campanhas existentes não atraem os jovens, afinal, quem aqui está preocupado com o desemprego ou com a divisão de verba da exploração do pré-sal? E quando atraem, os jovens não querem sair do sofá para protestar. Nego quer mesmo é saber quanto o governo vai tirar de impostos dos jogos de videogame.

Novamente, eu adoro videogames e entraria em uma luta contra os impostos fácil, fácil (se eu concordasse com ela, claro), a questão é que mesmo contra algo do interesse real dos jovens, o máximo de protesto que você consegue é uma assinatura virtual (porque nem para assinar um papel o cara sai de casa) ou uma troca de avatar.

Não pense que estou menosprezando seu protesto, estou menosprezando a sua incapacidade de pensar racionalmente e deduzir que o que você está fazendo não tem aplicação nenhuma no mundo real e que seu parco esforço está sendo em vão. Mas quer saber? Eu duvido mesmo que seu interesse seja o de saber o que está fazendo.

Nessa internet 2.0 de hoje, onde vocês se escondem atrás do teclado se aproveitando do anonimato para expôr sua necessidade imoral de atenção e covardia, é fácil entender porque estamos onde estamos. Em um mundo onde todo mundo só fala em estudar e passar no vestibular, seria um pouco mais sensato imaginar que vocês não estão indo só atrás de um diploma, mas sim de instrução e o mínimo de raciocínio lógico. Mas a quem eu quero enganar, não? Em uma sociedade que idolatra as deficiências e ignora as qualidades, vocês não poderiam ser melhores.

Parabéns pelos protestos e força nas futuras revoluções. O último que sair, por favor, apaga a luz.

Mira, respira e bate.

Sabe a loja que contei onde morei por algum tempo? Por um bom tempo dividimos nosso espaço de vida entre a loja e a casa onde minha irmã mora agora. Um de nossos maiores passatempos forçados era caminhar da loja para a casa e da casa para a loja. Como sempre tive muitos irmãos (ou você achou que eles só surgiram agora, depois de velhos?) nós nos reuníamos em grupos para subir e descer o morro em qual se localizava a casa. Para chegarmos até ele tínhamos dois caminhos: um sem graça e com casas mais sem graças ou um com barrancos, árvores, cachorros loucos e frutas com gosto de inferno quente como a Índia. Por onde vocês acham que nós íamos?

Tenho muitas lembranças deste trajeto de aventuras e emoções que fazíamos, algumas deixaram rastros até hoje. Literalmente.

Apesar de todo o trajeto ser repleto de barrancos, árvores, cercas elétricas e coisas legais para brincarmos, uma das casas era especial em nosso rumo. Uma casa imensa, de esquina e repleta de árvores e espaço para nossa prática de mini arvorismo.

Era nessa casa que se localizava o melhor pé de jamelão (jamelãozeiro?)do universo, com seus milhares de “jamelãos” caídos no chão implorando para que fossem pegos, limpos e comidos. Não fazíamos isso por passar fome (pescar rã era, mas jamelão era por diversão mesmo), fazíamos porque era o que um grupo de crianças faziam na infância, diferente de hoje que gente com 11 anos precisa trabalhar para pagar pensão se não quiser ver sua mãe ser presa.

Um detalhe muito legal dessa casa e que permanece registrado em minha memória é que lá foi o primeiro lugar na minha vida em que eu provei jenipapo. A experiência por si só já daria um post inteiro. Se você nunca comeu, leia o parágrafo abaixo que ele te elucidará sobre o gosto do “jenipapo”.

Éramos bem pequenos, então não tínhamos problema nenhum em subir em árvores, por maiores que elas fossem. A árvore do jenipapo era uma árvore muito grande. Muito grande mesmo, quase não dava pra ver o chão por causa das folhas abaixo de nós. Subíamos com facilidade na árvore, nos acomodávamos e pegávamos uma fruta daquela que não sabíamos o gosto. Eu nunca tinha ouvido falar de jenipapo e a aparência dela não era das melhores mas jambo (tinha um pé de jambo em casa, então eu sabia como era) também não tinha uma boa aparência e era gostosa. Peguei uma das frutas e levei até a boca para saborear aquela dádiva divina.

Sabe quando você está mexendo com muitas folhas de papel e uma delas corta seu dedo? Imagina agora que esse papel que cortou seu dedo estivesse descendo pela tua garganta e cortando-a enquanto faz o caminho até seu estômago. Então, foi mais ou menos esta experiência que tive quando comi jenipapo. Se a morte pudesse ter um gosto, seria semelhante ao gosto de jenipapo.

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O cachorro era mais ou menos assim

A última lembrança dessa “Sessão da Tarde” infantil era de que nesta mesma casa havia um cachorro cego e louco. Daqueles que latia para um lado enquanto você passava pelo outro. Por mais furioso que ele fosse, ele nunca conseguia saber onde estávamos.

Nunca me perguntei como ele havia ficado daquele jeito, até que eu soube.

Um dos meus irmãos, anos antes de comermos jamelão daquele pé, foi solicitado a levar uma panela de casa para minha mãe. Seja lá o que ela quisesse fazer com a panela, a forma como ela foi entregue impossibilitava o uso da mesma. Diante dos questionamentos da minha mãe do porque a panela estar “com uma cara de cachorro esculpida” meu irmão foi bem enfático em dizer: “sabe aquele cachorro preto que avança em todo mundo? Então, eu passei lá e ele veio para cima de mim. No desespero eu bati com a panela nele e ele voltou chorando para o canto dele”.

Meu irmão não sabia disso naquela tarde, mas ele estaria facilitando nossas vidas e nossas estripulias muitos anos depois daquilo. Graças a uma bela panelada que ele deu no coitado do cão raivoso…e agora cego.

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Ainda bem que minha mãe não pediu para ele levar uma faca

A qualidade de Restart frente a Beatles e seus fãs

Quer saber de uma coisa que me irrita muito? Roqueiros chatos sem ter o que fazer. Isso me irrita muito. Isso e muitas outras coisas, pra dizer a verdade, mas hoje eu só falarei dessas pessoas que se vestem de preto.

Ultimamente tem sido moda criticar o Restart e suas fãs acéfalas. Ultimamente tem sido moda criticar qualquer coisa, para falar a verdade. Esta crítica aqui já é, por si só, parte da moda.

Longe de mim tentar defender as fãs, eu não acho que elas mereçam defesa ou qualquer tipo de argumento. A única coisa que me incomoda é ver o porque dessas fãs irritarem os fãs de Queen, Beatles e outras bandas revolucionárias do passado.

Antes de qualquer coisa é bom frisar que SEMPRE existiram Restarts e bandas do gênero (gênero ruim, para ser mais exato). A diferença é que por mais que New Kids on The Block tivesse fãs, não era suficiente para barrar os fãs de Aerosmith, por exemplo. O que não continua acontecendo nos dias de hoje.

Os roqueiros puritanos e saudosistas “evoluíram” a um tal nível que banda nenhuma conseguia preencher o vazio deixado pelas antigas. Nem mesmo as bandas antigas, se voltassem, conseguiriam preencher este vazio dos críticos de música erudita. Nenhum The Strokes deveria ser considerado rock, nenhum Linkin Park poderia tocar no mesmo evento que o Sepultura e nenhuma banda era digna de tocar nas rádios. Quando isso acontecia, eles boicotavam a rádio e reclamavam em seus círculos pessoais. E deu no que deu.

Quando as rádios tentaram tocar o som que eles queriam, eles começaram a criticar os programas “vendidos” e que tocavam músicas cortadas e editadas para não cansarem os ouvintes que não gostavam tanto dos solos de 40 minutos de certas bandas. Quando as rádios tentaram investir em bandas boas, todo mundo começou a ir contra e criou-se o movimento do “sou roqueiro demais para ouvir rádio” e todos partiram para a internet.

As rádios, como não podiam deixar de tocar música, investiram em outras bandas. Bandas que tinham a qualidade duvidosa mas que tinha uma coisa importantíssima para sua existência: os ouvintes.

Grandes ícones do passado

Acontecimento semelhante ocorre entre os fãs de séries e animes. Todos são bons demais para verem sua série preferida dublada, quando 11 entre 10 brasileiros NÃO SABEM E NÃO FAZEM QUESTÃO DE APRENDER A LER. Você acha mesmo que um canal de televisão com alcance nacional vai arriscar perder 90% da sua audiência para as novelas mexicanas do SBT só porque seus não espectadores querem ver séries legendadas?

Outro dia eu pensei na possibilidade de se criar uma rádio mainstream de músicas japonesas (temas de anime) e músicas nerds (temas de jogos). Logo em seguida me ocorreu o fato de que esta rádio iria a falência em sua primeira semana de funcionamento. O motivo? Os não ouvintes iriam preferir reclamar da programação na internet do que ouvir a rádio em si. Uma prática muito comum hoje em dia. Pessoas que não são clientes nem o público alvo de determinada marca reclamando de suas escolhas. Ou pessoas que defendem o direito dos animais em não serem testes de produtos de beleza enquanto não se importam de sentar na churrascaria e se deliciarem com um belo rodízio de animais mortos.

Voltando ao Restart.

O sucesso do Restart vem do fato que ele foi moldado exatamente da forma que o público queria, em uma época onde não haviam ídolos. Com o fim de RBD e sua leva de “roqueiros” a temática ainda estava muito recente na cabeça das crianças. Todos gostavam de se vestir como “roqueiros” mas ninguém queria ter que ouvir Tristania para isso. Logo, o Restart surgiu e deu-lhes a possibilidade de continuar ouvindo suas músicas e ainda fazer parte dos “roqueiros” que eles já estavam habituados.

Hoje em dia se Jesus, Beatles, Queen ou qualquer outra banda entrasse em um confronto direto com o Restart eles perderiam miseravelmente. Não por Restart ser melhor que eles, mas por conta do fato que os fãs de Restart não têm miolos para bolarem criticas interessantes sobre a banda, logo criam mais e mais fã clubes com o objetivo de votar em toda e qualquer votação em que sua banda estiver. Enquanto os “roqueiros” estão preocupados em criticar uns aos outros, em criar classificações que não lhes permitem ouvir determinada banda ou em criar clubes em que ninguém é aceito, só os fãs que ouviram as 3 músicas secretas do Nirvana, escondida em algum álbum de igual qualidade ruim, os fãs de Restart estão dispostos a de unirem até a seus piores inimigos (os grandões da Sétima série) para vencerem os “obstáculos” que surgem em sua frente.

Então meus amigos, antes de reclamarem do ostracismo midiático que suas bandas favoritas se meteram, pense qual sua parcela de culpa nisso. Pense que seu sobrinho que chegou com um CD do Red Hot Chilli Peppers todo feliz dizendo que estava “virando roqueiro” e foi escurraçado com todas as suas teorias idiotas de que Red Hot não é rock e que para ser realmente um “roqueiro” ele precisaria ouvir Iron Maiden e seus solos infinitos de 11 guitarristas, ele foi prontamente abraçado (por trás, acredito eu) e acolhido pelo grupinho da escola que ouvia NX Zero e Cine. Aí hoje você reclama que “Restart não é rock”.