A Festa invisível

Há um tempo eu fui em um evento incrível, repleto de docinhos, balões, chapéus e brincadeiras. Só que não.

Dias atrás minha mãe me informou que meu “Tio Zé” havia convidado ela e uma menina que trabalha com ela para ir até a festa de sua filha, vulgo “Mayarinha”. E minha mãe resolveu estender o convite para mim. Ele é meu tio e ela minha prima, logo, não vi problema em aceitar o convite mesmo não tendo vindo direto do organizador da tal festa.

Zé e sua família são muito humildes e não compreende bem o padrão de boa educação. A julgar por eu ter ido na festa sem ter sido convidado, acredito que eu também não conheça muito bem.

O fato ocorreu em um dia da semana qualquer, quando Zé foi até minha mãe na loja onde ela trabalha e a convidou para a tal festa. Zé costuma viver sempre em estado alcóolico considerável, mas nada que não crie problemas para nós, ou para ele. Conhecemos tantas pessoas que também vivem assim 24 horas por dia, não é mesmo? Zé não seria o primeiro.

Combinamos um certo horário e fomos até o ponto marcado. Luana chegou de vestido (meu Tio havia solicitado que ela fosse de “vestido de baile”. Por sorte ela achou melhor ir somente de vestido), minha mãe usou um vestido monocromático lindo que combinava divinamente com seu cabelo avermelhado. Eu, como de costume, estava com alguma roupa que achava ser apropriada para mim mas qualquer pessoa que quisesse me julgar poderia usar aquilo contra mim.

Enfim, fomos para a tal festa. Como estou de carro agora, eu levei todo mundo para lá. Entre piadas e risos dentro do carro, chegamos até a casa da minha Tia Maria, onde aconteceria a tal festa. Chegamos e fomos recepcionados por ela e por uma criança doente, filha de uma prima minha. Nenhuma decoração, nenhuma arrumação, nenhum cheiro de bolo nem nada. O mais próximo que tinha da festa era UMA criança, que estava doente, ainda por cima. Para completar, enquanto aguardávamos alguém perguntar sobre a festa ficamos vendo Gugu e o desfile de crianças desmioladas.

Isso aconteceu há algum tempo, mas na época estava muito em alta aqueles desfiles de crianças sem cérebro, ou melhor, de pais de crianças sem cérebro que obrigam as crianças a desfilarem como pequenas adultas. Daqueles que fariam a Pequena Miss Sunshine corar de alegria em participar.

Como nada estava acontecendo a ninguém parecia que ia tirar um bolo de dentro de uma cartola, minha mãe resolveu perguntar:

Maria, e a festa?

Minha tia olhou pra ela, olhou pra gente e perguntou “Que festa?”.

Explicamos que o Zé havia nos convidado para a tal festa de arromba de sua filha. Que havia dito para irmos com roupa de gala porque seria uma grande festa. Minha tia então, explicou-nos que, CASO fosse haver alguma festa para a tal criança, seria pelo menos próximo do aniversário da mesma, um mês depois da data marcada por nosso querido e amado tio Zé.

Aí minha tia ainda deu uma chorada porque ela achou que estávamos indo visitá-la e ficou toda boba que, em um mês, já era a segunda visita que fazíamos a ela. Não é bacana? Além de irmos a uma festa que não existia, ainda demos a falsa esperança de que estávamos todo amigões da família quando na verdade nosso interesse era o bolo. Que nem existia de verdade.

E eu que fui preparado para pegar os brinquedos do bolão, voltei com a mão abanando.

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