O valor de cada um…na internet

Muitos de nós já nos pegamos curtindo algum texto, rindo com alguns tuítes, curtindo algumas imagens compartilhadas e após alguns minutos pensamos em dar o nosso bem mais valioso para continuar lendo/seguindo aquelas pessoas. O nosso “número”.

Falo em número porque o texto é genérico. Serve tanto para o Facebook, quanto para o Twitter e para as redes sociais já abandonadas, Orkut, Google + e por aí vai.

Há um tempo atrás, na internet, as pessoas possuíam um ritual quase que automático: Entrar num site > Gostar do site > Comentar no site. Era um círculo virtuoso que transformou a internet no que é hoje e deu a ela o queridíssimo nome de “Internet 2.0”.

Hoje em dia, quem tem blog sabe qual o valor de alguém comentar nele. É preciso cerca de 50 mil visitas para você ter, sei lá, uns 30 comentários.

Hoje em dia tudo é “mim segue” e “curti ae”. Isso acabou prejudicando um pouco, porque você tem plena certeza de que você só vai ser mais um número. Um cara com 5 milhões de seguidores não tem muito “tempo” pra ficar papeando com cada um, certo? E se você segue alguém, na maioria das vezes, você está procurando compartilhar opiniões, debater as opiniões dessa pessoa ou simplesmente concordar.

Acho que por isso vemos tantas promoções envolvendo “Siga e dê RT” ou “Curta e compartilhe”, porque é uma das poucas formas de fazer alguém seguir suas publicações, sem ser pelo gosto, por si só. Está se tornando uma regra entre os publicitários criar este tipo de campanha. Além de divulgar sua idéia para centenas de pessoas, eles ainda conseguem angariar uma dezenas de fãs com a nova ação.

Eu, há algum tempo, venho me obrigando a um exercício muito legal, que tem me trazido muitos frutos e informações bacanas. Poderia dizer que já se tornou uma regra.

É assim. Se entrei no blog e ele me agradou eu curto suas publicações, seja seguindo seu twitter, seja curtindo sua fanpage ou da forma que puder. Se dois dias depois o blog começou a floodar ou encher meu saco com piadas machistas/idiotas, eu deixo de seguir/curtir e vou viver minha vida. Mas pelo menos eu tenho plena certeza de que me dei a chance de ser surpreendido por algo bom.

Engraçado que com mídia impressa os valores se invertem. Você paga pelo jornal/revista e só depois lê. Na maioria das vezes, para mim, nada do que está impresso ali tem muito valor. A maioria das coisas eu já sei ou poderia saber se tivesse procurado na internet. Revista especializada, por exemplo, na maioria das vezes é só um agregado de informações que muitos blogs por aí já nos dão de graça.

Eu parei de comprar revista de video game quando comecei a ler os Kotaku’s (Estados Unidos, Brasil e Austrália). Mas agora, relendo esta informação, eu percebo que não curto nenhuma das páginas desses sites.

O meu problema é que eu curto ver as novidades por mim mesmo. Não gosto de estar lendo minha timeline e surgir ali uma informação “surpresa”. Por incrível que pareça, me tira aquela sensação de entrar no site e ler uma novidade “fresquinha”. Mas nesse caso é frescura minha, reconheço. Estou até tentando mudar isso, mas sempre que começo a seguir blogs de notícias eu fico compelido a deixar de seguí-los quando eles estragam minha surpresa.

Pode parecer pedante, pode parecer “mim segue ae”, mas não estou reclamando, propriamente dito, estou só compartilhando um sentimento, de que na internet, hoje em dia, ser um participante de uma discussão se tornou algo banal. Ser parte de um todo se tornou algo relativamente fácil, então as pessoas deixaram um pouco de lado o valor que isso realmente tem. Ou vai dizer que quando você postava alguma coisa na Comunidade de RBD no Orkut e começava aquele debate bacana você não gostava?

Não era pelo debate. Não era pela quantidade de pessoas. Era, pura e simplesmente, porque outras pessoas também compartilhavam da mesma opinião que você. E não é para isso que os blogs existem? Para compartilhar opiniões? Como vamos saber se há ou não pessoas que concordam se seus leitores não compartilham as opiniões deles? E como você quer que eles expressem a opinião deles se você não dedica nenhum minuto do seu dia para respondê-los? No fim das contas, acaba parecendo que ambos estão interessados em apenas uma coisa: Números.

Um método eficaz de conseguir comentários em seu texto.

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18 comentários

  1. Vou comentar só porque você pediu. Não quero dar tchau pro patinho. T.T

    Concordo com o que você disse. E, pensando um pouco, percebi que às vezes eu sequer faço parte desses números. Eu simplesmente entro num site ou blog, devoro todas as informações e textos que quero e sequer deixo um “obrigada”, “parabéns pelo trabalho” ou “mande essa mensagem para 10 pessoas”. Só quando volto muitas vezes é que crio “coragem” e comento alguma coisa.
    Acho mesmo que esse tipo de coisa está caindo em desuso, infelizmente. É bom bater um papo e trocar opiniões e informações com as pessoas, só que a coisa fica cada vez mais superficial com essas mídias todas. Você disponibiliza as informações lá, alguém lê, e pronto. Simples assim.
    Não é muito bom fazer parte dos somente-números, mas quando os comentários são cada vez mais “first” e “PNC do first”… Bem, é melhor evitar a fadiga.

    1. Mas é como você mesma falou, muitas pessoas entram, devoram tudo, saem e nem dão um “oi”. Muitas das vezes você nem sabe quem esteve ali.

      Pior não é voltar depois e criar coragem. É voltar depois e ver que o blog fechou, por exemplo, por falta de “retorno” dos leitores.

      1. Bem, é verdade… Por mais que o dono do blog veja os números, não tem ideia se os números são bons ou ruins, se estão aprovando ou reprovando o que está sendo veiculado ali.
        Vamos começar uma campanha “CoMeNtA nU MeUuU BLoguInhUu” e- não. Deixa as coisas tomarem seu curso…

      2. Oi Van. Eu sou mãe da mah (então devo ser a mahmãe) . Ela já havia me falado dos seus textos, de que vc é inteligente, e blablablá. Ontem, quando fui me deitar, levei meu companheiro pro quarto (o note, é claro) e vi que estava aberto no seu blog. Como já tinha estudado litros e jogado meu carteado sensacional de fim de noite, resolvi dar uma olhada nos seus textos e…. sabe que eu a-do-rei?

        Nem me dei ao trabalho de procurar seu perfil, para descobrir um pouco mais de suas intenções sobre a vida, não sei se você quer seguir escrevendo profissionalmente, neste país onde tão poucos leem, mas gostaria de deixar registrado que você tem muiiiiiito talento, escreve conciso, claro, num formato que tem tudo para dar certo, nesse ambiente tão heterogêneo que é a Internet (mim segue, mostra bem o quão heterogêneo, ela é) .
        Desejo sorte, muita sorte, muitas graças e sempre motivos para fazer piadas com a vida, com a morte, com o que mais lhe ocorrer. Vou “estar seguindo” você, não por amor ao pato, mas porque gostei de verdade do Blog.
        Até =)

      3. Gente, que prazer grande tê-la por aqui. Sério. Não é todo dia que conseguimos agradar mães de amigos, que normalmente acham que nós somos drogados e que queremos roubar os órgãos de seus queridos filhos (ou filhas, neste caso).

        Muito obrigado pelos elogios. Nem sei o que dizer. Fico feliz que você (a senhora?) tenha gostado.

        Não pretendo seguir nessa vida de escritor de nada. Primeiro porque não acho que teria sucesso (embora sua opinião seja diferente). Segundo que meu objetivo é ficar rico. Muito rico. Ser autor de livro ou de contos não dá retorno. Gosto do blog só pelo prazer de escrever, de conhecer pessoas legais e de expor meus textos, indepente de serem bons ou não, entende?

        Mas obrigado. Fico muito agradecido pela sugestão

  2. Concordo contigo… Existe uma disposição para compartilhar sem refletir, ou, até mesmo, necessidade de se relacionar acima do senso crítico. Os tempos mudaram, mas, no fundo, é como a criança que tinha o melhor brinquedo e por consequência tinha mais “amiguinhos”.
    Cria-se uma ilusão de proximidade, alimentada pelo desejo de status-virtual e, agora, as empresas e os psicólogos ainda discriminam aqueles que não fazem parte das redes sociais.
    O preconceito ganha aval dos “profissionais” assim como a polemica o ganha da audiência, dos cliques… Vish! Me empolguei! Parabéns pelo post. 🙂

  3. Muito bom!

    Eu estava reparando exatamente isso ao observar um colega de trabalho outro dia.
    Depois de ler um dos meus blogs preferidos, e comentar, passei o endereço para meu colega de trabalho e ele passou mais de meia hora lendo os textos do blog, rindo e, de vez em quando, fazendo comentários comigo. Mas em momento algum ele pensou em deixar um comentário no blog. Chegou até a compartilhar no Facebook, deixou o “número” dele ali, mas não deixou comentários.

    Não o culpo. Eu mesma costumo fazer isso. Até existem alguns blogs que faço questão de comentar, porque realmente gosto do blog como blog, e não como uma fonte de notícias que só está ali falando o que todo mundo fala para “angariar seguidores”. Mas essas minhas “exceções” são raras. Tão raras quanto os blogs assim.

    A nova Internet nos deixou mal acostumados. Assim como as notícias e os assuntos vêm em forma de “enlatados” (todo mundo falando sobre as coisas que todo mundo fala – ou as que dão IBOPE), a forma de demonstrar interesse sobre essas notícias e assuntos também acaba sendo meio “enlatada”. Os feedbacks se tornaram tão impessoais quanto o conteúdo a que se referem.

    A boa notícia é que o seu blog não é assim, impessoal, e eu provavelmente vou voltar com mais frequência. 😉

    1. A “boa notícia” é uma ótima notícia. De verdade.

      Eu também não culpo as pessoas que fazem isso, só fico curioso em observar que cada dia mais as coisas estão acontecendo dessa forma.

      Sempre comentei sobre isso, sobre o IBOPE dos blogs. Todo mundo reclamava que a televisão vendi as opiniões e que os blogs vieram pra fazer diferente. Hoje em dia é muito raro ver um grande blog que não esteja sendo patrocinado para falar de algo.

      Não é errado, mas é “estranho”, ao meu ver.

  4. Concordo completamente… Especialmente porque o que mais podemos ver é um número enorme de blogs que para “angariarem fundos” (visitas obrigatórias) fazem uma série de promoções, as quais exigem para participação do usuário e-mail, nome completo, cep, curtir facebook, twitter, assinar newsletter, dar cpf, nomes dos pais… E o pior: MUITAS vezes deixam os dados expostos para qualquer pessoa ver. Deixa de longe de ser uma questão de informação, mas de número – pessoas, likes, rentabilidade com a Google ou o que mais for. Fico triste ao ver que alguns blogs mudaram para esse tipo de comércio e não me surpreendo que as pessoas deixem cada vez mais de responder aos posts.
    Eu faço assim em relação aos blogs: assinos newsletters, a fim de ter certeza que não vou esquecer de ver os posts, e sempre respondo. Acho no mínimo educado, já que alguém se deu ao trabalho de fazer algo para você (no caso eu) ler.
    E o seu já está mais do que assinado hahaha Parabéns pelo trabalho!

    1. É muito comum, mesmo ver este tipo de promoção, porque trás resultados imediatos. Ninguém quer perder um ano escrevendo ou criando coisas de qualidade quando se pode criar uma promoção qualquer e ter centenas de “fãs”.

      É difícil de ver gente que pense assim, que os autores estão fazendo algo para o leitor. Parece mais uma obrigação. Não é uma troca de favores (eu escrevo e você lê), é mais um “Eu quero ler, então, escreva!”.

      Fico feliz que tenha gostado e espero que continue agradando.

  5. Olá, tudo bem? (vi a indicação do blog no Volta! Mundo Blogueiro).
    Seu texto, suas impressões sobre o mundo “social media” são muito interessantes e fazem total sentido.

    Eu sou jornalista graduada, na área de assessoria há quase 5 anos. E agora descubro que eu gosto muito de social media, que sou hard user de internet e mídias sociais; voltei a blogar depois de bons 6 ou 7 anos; e agora estou num trabalho que me permite ‘sonhar’ com essa parte, porque a vida no jornalismo é muito complicada e cansativa.

    E isso que você disse, de blog (antes era meio que padrão comentar, hoje, de 50 mil visitas, saem tipo, três comments), é muito verdade. Hoje em dia a audiência dos blogs é muito invisível, e acho que isso se dá também pela produção exacerbada de conteúdo e pelo feedback automático que as outras redes sociais permitem melhor.

    Aliás, eu poderia passar mil horas debatendo esse assunto!
    Adorei o blog, viu.
    Beijo.
    Lyra (http://www.meninalyra.blogspot.com)

    1. Seja muito bem vinda (de volta!) ao mundo blogueiro.

      Infelizmente é verdade. Gostaria que não fosse.

      Mas fico feliz que tenha gostado do texto e já que é hard user de mídias sociais, vou procurar você no twitter para acompanhar.

  6. Ei, isso é assunto pra conversar hoooooras e hooras!Ultimamente tenho visto blogs que não tem link de seguidores e fico curiosa, será que é pra não querer “disputar” por quem tem mais seguidores?
    Fico encucada com isso…
    O que você pensa a respeito??

    Bjos!

      1. Então, na minha opinião, no meu blog eu sigo a seguinte situação: Eu leio? Então eu posso indicar pra galera.

        Eu não gosto é dessa obrigatoriedade de TER que indicar, sabe? Fica meio aquela coisa de “Me segue que eu te sigo”. As duas indicações que estão ali na barra lateral eu coloquei porque quis. Nenhum dos dois blogs foram avisadas sobre elas, porque não quero “algo em troca”, quer só indicar um blog legal, que eu curto e que indicaria sem medo porque sei que vai agradar.

        O Cadeocontrole, por exemplo, eu não indicava, porque ele só falava de videogame e eu não curtia esses textos. Quando ele parou de ser um blog SÓ de viodegame eu passei a indicar, porque me agradava muito mais.

        A questão não é não ter lista de links, é tê-la por obrigatoriedade. Fica uma coisa chata. Forçada. E não verdadeira, o que não era o propósito dos blogs, sabe? A intenção era indicar coisas que você curtia, não de quem pagava mais.

        Essa é minha opinião sobre isso.

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