Cara, cadê minha prova?

Não é de hoje que os alunos colam. Nossos pais, por mais santos que sejam, também já colaram um dia, embora hoje recriminem esta prática. Se bem que eu tenho lá minhas dúvidas se meu pai colava. Além de na época dele o professor bater com a régua na mão cada vez que o aluno respondia tabuada errado, ele brigava comigo e me ameaçava me botar de castigo se eu pensasse em usar algum macete em jogos de videogame. É. Sabe esses cheats marotos que você faz no GTA pra ganhar um jato em segundos? Eu nunca pude fazer. Com o tempo eu deixei de gostar disso e hoje eu simplesmente não consigo jogar com macete ou cheat. Tá vendo? O ensinamento valeu.

Então. Voltando pra cola.

Todo mundo já colou um dia, isso é um fato. Mas na escola onde estudei a prática de colar não consistia apenas em copiar todo o texto de um livro em seu antebraço. Colocar bilhetes dentro de canetas? Patético. A parada lá era um nível acima.

Tenho uma amiga, de nome Suilan Davis. Ia omitir o nome dela, mas pra não parecer mentiroso eu vou dar o nome e vocês confirmam a história com ela.

Suilan era uma ótima pessoa. Hoje ela é da igreja e tem um filho lindo, mas na escola era um pouco diferente. Suilan tinha o hábito de me fazer escrever e responder TODOS os questionários dela. Frequentemente ela me pergunta como eu conseguia aprender matemática, por exemplo, já que ninguém na sala conseguia entender nada do que os professores ensinavam. Eu também não tenho idéia, sei que acabava dando cola pra muitos dos meus amigos. E na maioria das vezes eu me ferrava junto com eles.

Certa vez estávamos fazendo prova de Geografia. Com uma das professoras mais fofinhas que já tive. Margarida, era o nome dela. Até o nome dela era fofinho.

Puxa-saquismo à parte, Margarida recolhia as provas no final do tempo determinado caminhando entre as carteiras. Ia de mesa em mesa pegando as provas, ao invés de esperar os alunos levarem a prova até sua mesa, evitando assim uma eventual consulta na prova de um ou outro colega.

Mas como falei, a cola comia solta. Independente do sistema que a professora utilizasse, a cola ia sempre comer solta.

Eis que Suilan vira para trás, em um momento de distração de Margarida e me pede a resposta de uma pergunta qualquer. Sem entender (ou fingindo de desentendido para não passar cola – É, sou desses) eu fiz cara de dúvida pra Suilan. Ela esperou mais uma oportunidade e fez a mesma coisa. Na terceira vez, já com ódio de mim, Suilan virou para trás e pegou a minha prova. Assim, simplesmente tomou ela da minha mesa e foi copiar na mesa dela. E eu fiquei…sem nada na mesa pra disfarçar.

Margarida achou que era uma boa hora para recolher as provas. E foi de mesa em mesa pegando as provas de todo mundo, até que chegou até a minha mesa e me perguntou “Cadê sua prova?”. Como não queria entregar minha amiga e não sabia o que fazer, falei pra ela “Roubaram”.

Ela me olhou incrédula, achando que eu estava brincando e continuou a pegar as provas dos amigos. Enquanto eu chutava frenéticamente a mesa da Suilan implorando pela minha prova de volta:

– Me dá minha prova sua gorda lazarenta! Anda, anda, voumefudertodoporcausadevocê!

Suilan em um rápido golpe de vista, de dar inveja a qualquer mágico do mundo moderno, devolveu a prova antes que eu pudesse me enforcar de medo de ser descoberto.

No retorno, Margarida olhou para minha cara. Olhou para a prova completamente amassada e disse “Ué, apareceu?”. Eu dei um sorriso amarelo, fingindo que tinha entendido a piada dela e entreguei a prova, cheia de marcas de dedo, cheia de rabisco feito pela Suilan e cheia de sujeira, mas a prova estava ali, independente do estado dela, ela estava ali e eu não podia ser julgado por isso.

No final acabou que minha prova ajudou a Suilan a passar de ano e eu consegui desenvolver uma habilidade de manter minha cara de pau mesmo durante pressão. Isso me faz crer que se eu fosse prisioneiro de alguma guerra, todos os meus amigos estariam salvos.

Esse era o nosso nível na época da escola.

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Track Bônus

Uma vez, em uma prova de Biologia/Ciências/Qualquer coisa do tipo, eu estava em dúvida sobre qual era a resposta para a pergunta:

“Qual o material orgânico mais resistente do planeta?”.

Hoje eu sei. Na hora eu sabia. Eu sempre soube. Mas naquele exato momento tinha me dado um branco. Eu não tinha a menor idéia do que era. Então apelei para a famosa cola.

Lembram do Rafael? Aquele que eu fiz dormir em cima de uma árvore? Então, lembrando dessa história eu lembro que ele mereceu tudo aquilo e ainda foi pouco.

Rafael percebeu que eu estava precisando de ajuda e resolveu me ajudar. Não da forma como todo mundo ajuda, dando logo a resposta. Rafael resolveu “pensar alto ” e me dar a resposta ao mesmo tempo. Mas o nosso querido amigo é tão filho da mãe, que esqueceu que era pra me dar a resposta, não para sacanear.

Mas vejam o raciocínio dele e me digam se não parecia :

– Hum…Material mais resistente. Quem é a pessoa mais indestrutível? Ah, já sei. O Super Homem é feito de aço e é indestrutível. Logo, o aço é o material mais resistente ORGÂNICO mais indestrutível do planeta.

Que gênio que esse garoto é. Escrevi com orgulho “AÇO” na resposta e tomei um belo zero por causa disso.

É ou não é um grande amigo?

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