A “Orkutização” é nossa!

Quem aqui nunca ouviu a expressão 2.0 “Tal coisa está muito orkutizada”.

A expressão é baseada no fato de que, segundo os grandes e perfeitos usuários da internet, o Orkut se tornou (ou sempre foi, vá saber!) um lugar de pessoas de baixo poder monetário. Por conta disso, atribuir a um evento ou a um site o adjetivo “orkutizado” é como decretar falência ao mesmo. Exceto pelo fato de que centenas de pessoas continuam usando-o diariamente, mas tudo bem, ignoremos este fato.

Quando aconteceu a invasão das favelas aqui do Rio de Janeiro, eu apostei muitas das minhas fichas no fato de que os bandidos fugiriam das favelas e viriam para bairros menos “conhecidos”, da Baixada Fluminense. Como aqui o interesse político é menor (afinal, não vai haver nenhum jogo da Copa em Belford Roxo, né?), seria fácil para eles construírem pequenos refúgios em bairros menos policiados. Isso até aconteceu, mas não da forma como imaginei. O retorno foi bem pouco. Poucas histórias foram ouvidas sobre isso. Minha cidade, por exemplo, continua tendo os problemas de sempre, mas nenhum deles envolve confronto com bandidos foragidos de tais morros. Eu não sei explicar o que aconteceu, mas com certeza não confiarei mais em minhas habilidades sócio-econômicas para apostar este tipo de coisa.

Já no Orkut, o que está acontecendo é o contrário. Quando os usuários foram “expulsos” do Orkut pela má fama do mesmo, eles foram obrigados a migrar para outras redes sociais. O Orkut se tornou um site secundário. Ainda muito utilizado, mas pouco reconhecido pelos próprios usuários. É aquele efeito “Pânico na TV”. Muita gente via, mas fazia carinha de nojo quando alguém elogiava em público. Na verdade é o efeito “qualquer coisa que faça sucesso”. É só alguém elogiar determinada banda ou determinado filme que você já começa a enxergá-lo com outros olhos, achando defeito onde não tem.

Mas aí que vem o problema. O Orkut era uma ferramenta social. Assim como a internet, ele interliga PESSOAS. Não adianta tentar culpar a renda do cara, se está na internet, está livre pra todo mundo, desde o mais pobre até o mais rico. Se você exclui essa pessoa de um site, ela vai rumar para outro. Não importa a quantidade de idiomas que ela fala, não importa se ela curte Wando ou Joy Division. Se está aberto, ela poderá entrar.

E sabe o que acontece? Você cai em uma armadilha do seu próprio preconceito. Você, que antes reclamava que o Orkut era lugar de pobre, começa a agir como a senhorinha que enviava convites de “Meu Peixe Dourado”, ou “Meu ânus doce” no Orkut e começa a enviar solicitações de “Meu Calendário”, “Meu Saco”, ou “Fulano respondeu uma pergunta sobre você”. Acredite, eu não preciso clicar em resposta nenhuma sobre mim, porque não há ninguém melhor que eu mesmo para saber a resposta para qualquer pergunta…sobre mim, né?

E aí o que você vê é um bando de gente refazendo exatamente o que se fazia no Orkut, mas agora no Facebook. Que diferença faz? Até a cor do site é parecida. No fim das contas não muda muita coisa você receber convites do Orkut ou do Facebook. Você acaba usando como os usuários que você reclamava.

Quando você for reclamar de uma coisa, lembre-se da famosa frase “Diga-me com quem andas e te direi quem és”. Se a sua timeline no Facebook é repleta de “Humor do Face”, você tem duas opções. Ou deixa de ser amigo daquela pessoa ou pede para mostrar só as atualizações mais importantes e pare de reclamar. Aquilo é um reflexo da sociedade. Aquilo é uma resposta de quem são seus amigos. Se são todos “idiotas ignorantes” a culpa não é só deles.

Não é a qualidade do barco, é quem você coloca nele.

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6 comentários

  1. Quanto aos banidos te explico fácil, eles migraram para Niterói e São Gonçalo.

    Quem “orkutiza” são os próprios que reclamam, bando de idiotas que vão fazer sempre a mesma coisa em qualquer mídia social que exista ou possa vim a existir, ou seja, se você é idiota ou convive com idiota não importa a mídia social que utilize pois o idiota sempre será idiota em qualquer lugar.

    Beijo nega

  2. Oii,
    Faz um tempinho que me distanciei dessas redes porque elas só gastas tempo e encolhem seus neurônios. As pessoas gostam de serem vistas, se acharem especiais e por aí vai, daí tentarem sempre desmerecer ou menosprezar o outro, suas atitudes, hábitos. Quando não gosto de um lugar ou das pessoas que o frequentam, simplesmente me retiro: os incomodados que realmente se mudem; por um acaso eles deveriam se retirar para me agradar? Você ainda tem a opção de escolher seus contatos e excluir a sua conta, melhor que ficar de hipocrisia ou tentando nivelar sites de relacionamento por hábitos e aspectos socioculturais, essa gente tem que crescer e perceber que ninguém é o cento do universo, ele é grande, cabe todo mundo, mas tem gente que insiste em querer invadir o espaço do outro.
    Bom post (:

    1. Concordo com o que falou. Se está com problemas, saia dali e vá para outro lugar. Se não curte um bar qualquer, por que vai ficar ali reclamando daquele lugar?

      Muito bom o seu comentário. Obrigado pela visita e volte sempre.

  3. Mto radical essa ideia de sair excluindo as pessoas só pq elas curtem “humor no face” ou esse “william wonka sarcástico/chato de galocha”. Se alguém achou graça de algo, q vc ñ acha, ou ir contra a sua opinião politica/religiosa/cultural ñ é motivo pra ser queimado na fogueira (ou é?). Ele tá exercendo o direito d se expressar e é lógico q eu tb tenho o direito de reclamar (pra isso serve o twitter, né), porém respeitar.
    Percebi q bloquear uma pessoa de sua rede social só pq ela ñ pensa igual a vc, em determinados assuntos, é intolerante. E essas redes são ótimas para deixar recados, agradecimentos, matar a saudade, se atualizar…fazer contatos…por isso ignoramos o “Dr House irônico” q as vezes aparece no seu mural. No máximo a gente coloca “q isso gente, olha as coisas q vcs compartilham!”

    O termo “orkutizar” passou de engraçado, leve (eu achava, já q usava e sempre gostei do orkut), para preconceituoso e estúpido. Vimos isso com a compra do instagram pelo android, a palavra bateu o record de menção.
    Eu receio q o Brasil será o lugar mais bem organizado em rotulações. Teremos todos os tipos de pessoas embaladas em caixas e com informações sobre o produto. Vc olha, julga e fica a vontade para comprar ou recusar.
    Bem, agora vai né. Era exatamente isso q tava precisando o país.

    1. Você não precisa, necessariamente, excluir. Pode só colocar para receber as atualizações mais importantes e pronto, parar de reclamar.

      Você entendeu errado o meu ponto. Eu não estou dizendo que devemos excluir esta pessoa por ela pensar diferente de você. Estou dizendo que se você fica reclamando igual um idiota de TODOS os seus amigos pensarem diferente, o problema não é deles, é teu.

      O Instagram foi comprado pelo Facebook, não pelo Android. O que ocorreu foi o lançamento do aplicativo para Android e os fãs de iPhone ficaram putinhos porque acharam que o Android não é digno de receber um aplicativo deste nível.

  4. Reclamar faz parte da vida, meu caro. A maioria dos blogs é sobre isso, reclamações, até mesmo os comentários feitos nele.
    Se pensarmos bem, tudo gira em torno disso: serie d tv, cotidiano, redes sociais, até jornais. ñ acho q seja idiota, o ato de reclamar

    Não excluir, mas excluir…sei…

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