Entenda a intolerância religiosa.

A intolerância religiosa é um problema que vem afetando centenas de religiosos nos últimos anos. Desde os mais jovens até os mais velhos, todos já sofreram algum caso de intolerância religiosa. Na maioria das vezes eles estavam gritando dentro de ônibus, usando microfones e caixas de som antes, ou depois, do horário permitido por lei, ou simplesmente parando transeuntes nas ruas que não queriam ser parados. Mas a intolerância ainda persiste.

Para entendermos a intolerância religiosa, devemos partir do princípio de que os crentes alegam serem perseguidos por todos os lados, sejam em seus cânticos, em suas orações ou em seu modo de se vestir. Nunca um crente está errado em nada, o erro é sempre de quem o julga. Eu entendo que há, SIM, o preconceito contra o evangélico. Assim como há contra o negro, contra o indígena, contra o japonês e contra os cabeludos. Eu entendo e para mim, qualquer tipo de preconceito é idiota. É burro. E embora todos achemos isso, o preconceito está muito longe de acabar.

Existem milhares de evangélicos que fogem à regra do evangélico “tradicional”. E por “tradicional” quero dizer arrogante, egocêntrico, auto-suficiente, etc. Aos que fogem à regra, não temos muito o que dizer a não ser “continuem assim”. Ao contrário do meu irmão, meu objetivo no mundo não é fazer todo mundo parar de acreditar em Deus e virar ateu. Eu não me importo mesmo com o fato de que as pessoas queiram ter uma religião. Eu já falei muitas vezes que acho a religião, como modelo social, muito apreciável, quando “utilizado” de maneira correta.

Grande parte do problema vem de uma segregação que surge, primeiramente, do próprio evangélico. Quando se denominam “puros”, ou quando dizem que os outros “são do mundo”. E por mais que vocês venham me dizer que não, os evangélicos vivem em uma “auto cultura” que chega a me dar medo, criando leis que os beneficiam diretamente, adaptando textos para que pequenos delitos passem despercebidos na hora do “julgamento”, ou simplesmente ignorando fatos ou não compreendendo textos (veja o vídeo no final do texto). O fato de acreditarem que ELES (e mais ninguém) são especiais é uma das fontes do problema, imagino eu. O fato de achar “eu sou filho de Deus, mereço o melhor” acaba gerando problemas já conhecidos entre os tantos “evangélicos” que conhecemos.

Sabe aquele cara que dá volta em todos da vizinhança, que vende produtos piratas, que negocia com gente de caráter duvidoso mas se diz merecedor da bondade de Deus? Então, este é um dos tipos de crentes mais “hardcore”, por assim dizer, mas existem aqueles mais leves, que ainda não atingiram, nem necessariamente vão atingir, este patamar. São aqueles que se acham superiores simplesmente por serem filhos de Deus e acharem que pregar a palavra precisa ser uma obrigação, afinal, está na Bíblia.

Também está na Bíblia pra você respeitar o próximo, cuidar das mulheres e honrar seu pai e sua mãe, mas não é o que vemos por aí. Por conta desta falta de percepção do que é “respeito” e o que não é, surgem os discursos nos ônibus, nos trens e em todos os outros transportes públicos que possam existir, nas praças públicas, nas portas da escola, etc. E se você for contra, você está perseguindo eles. É perseguição religiosa, pura e simples.

Agora, me respondam. Se um grupo de Candomblecistas realizassem “cultos” dentro dos trens, será que eles os respeitariam da mesma forma que pedem para serem respeitados? Ou será que eles não lutariam por “calma e paz” dentro do mesmo? Afinal, Candomblé não pode ser difundido por aí, é religião do maligno, né? Tolerância religiosa só vale para eles. Quando abrangemos TODAS as religiões, sejam budistas, hinduístas, candomblecistas ou espiristas, a história muda um pouco de figura e começa uma perseguição sem fim, que nesse caso não ganha nome de perseguição, é só “o que é certo segundo a vontade de Deus”. Vou te contar um segredo que pode te deprimir: Nem todo mundo segue as palavras de Deus e você TEM que respeitar isso. Nem precisa ir muito longe. Só perguntar para qualquer amigo seu protestante a opinião deles sobre os Católicos. Já vi desde o “eles vão para o inferno” até os mais cruéis, com gente dizendo que prefere que o neto morra do que seja batizado em igreja católica. Agora me diga, que tipo de tolerância eles pregam?

A impressão que tenho disso tudo é que os religiosos querem separar, literalmente, os salvos dos não salvos. Como se fossem criar um outro país, dentro de um país, para diferenciar “estes aqui são santos, aqueles lá, não”. O que iria contra toda e qualquer palavra bíblica que fale de respeito. Se bem que fazer cultos barulhentos, incomodar os transeuntes, falar de uma religião que você não quer ouvir e ser obrigado a sorrir e erguer as mãos quando eles mandam não é bem respeitar as diferenças, né? É, no mínimo, querer enfiar uma religião pela garganta daqueles que, simplesmente, não querem acreditar ou acreditam em uma coisa diferente.

Podemos observar, por exemplo, com qual afinco os praticantes de religiões protestantes acusam a Igreja Católica de matar e roubar durante a Era da Inquisição. Verdade. Ela é culpada por tudo isso, mas vocês acreditam mesmo que se fosse uma outra Igreja, com aquele poder, naquela posição a história seria diferente? Se nos dias de hoje, em pleno Séc. XXI existem pastores (logo, de igrejas  protestantes) disseminando palavras contrárias ao casamento Gay ou a “falta de deus neste tipo de família”, imagina o que eles fariam naquela época. Se em uma época de informação, onde TUDO está a apenas um clique ainda existe gente pregando que homossexualidade é coisa do diabo e deve ser tratada como tal, vocês imaginam mesmo que a Igreja Universal, Mundial, ou do sétimo prego do senhor, NÃO faria tudo que a Igreja Católica fez? Isso não tira o mérito da Igreja Católica ter sido uma grande vilã. Esse mérito é dela, mas acusá-la de perseguir e roubar quando o que vemos por aí é igrejas e mais igrejas protestantes cometendo o MESMO erro, então me desculpem, não venham culpar aqueles que cometeram ou cometem os mesmos erros que vocês.

Por ora deixo aqui apenas um vídeo de um pastor que se equivocou apenas um pouquinho sobre a interpretação do texto. Sinceramente, não tem nada a ver com o assunto do texto, mas vale a pena para a divulgação praqueles que ainda não o viram.

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2 comentários

  1. Já conversamos sobre isso, então não pretendo me estender(muito).

    Como você mesmo citou, na tão-Sagrada Bíblia, há muito que fale sobre respeito, sobre não julgar o próximo, sobre dar a outra face ao inimigo e todo o possível para se manter uma boa convivência(vamos chamar assim) com o resto da sociedade.
    Não tem em lugar NENHUM dizendo que tal ou tal religião é a certa, só que você tem que “seguir as palavras de Deus”, ou seja: Ama a teu próximo como a ti mesmo.

    A liberdade de expressão é uma via de mão dupla, tripla, múltipla. Se eu não quero que me tolham nas minhas opiniões, não devo tolher a dos outros. Se não quero que me enfiem uma opinião goela abaixo, não vou fazer isso com o cara ali ao lado. Isso quer dizer que eu até posso me incomodar ligeiramente se meu vizinho resolvir ouvir a Cassiane cantando “A Cura” domingo às 7h30 da manhã. Mas não me dá o direito de responder com meu pagode ou minha música clássica até as 3h da madrugada.

    Ele está na ‘vibe’ dele, eu estou na minha. Se ele acha que eu vou ‘queimar no inferno para sempre’, é um direito que ele tem. E ele precisa entender, já que a Bíblia é um guia tão importante, que não tá escrito lá “Ame o próximo se ele for da sua religião. Se não for, faça-o ser. Se não conseguir, condene-o às chamas eternas e despreze-o.”

    Preciso dizer que vale para todos. Os com religião e os sem e os poli-religiosos.

    Só não vale para os funkeiros que entram no ônibus/metrô/trem sem fone. Ah, esses aí não merecem consideração. hahahah

    Parabéns pelo texto. Compartilhadíssimo.
    Continue escrevendo. É uma ordem.

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