Meu primeiro tapa na cara

Este post revela mais um lado incrível a minha infância.

O grande problema de morar em um prédio é o fato de que, dependendo da sua região, você acaba sendo obrigado a socializar apenas com os amigos do prédio, no máximo da escola, quando você utiliza os minutos de liberdade para saciar sua sede de socialização. Que merda de frase, não?

Pois bem. Há muitos anos atrás, morei em um prédio em Coelho Neto e lá tínhamos muitos amigos. Todos eles moravam no prédio mesmo. Como morávamos em um local com a rua extremamente movimentada, era impossível pedir para ir brincar na rua, ou qualquer chavão que o valha quando se é criança.

Todo tipo de estereótipo de amigos nós tínhamos naquele prédio. O legal é ver que aquelas crianças representavam o estereótipo de todas as pessoas que encontraríamos na vida. Tinha o filho da síndica que era o playboy sem regras. Tínhamos o vizinho fofoqueiro; o mais velho valentão e por aí vai. Todos eram representações exatas do que encararíamos em nossas vidas.

E um desses estereótipos era o da “namorada/amiga”. E ela atendia pelo nome de Daniela. Ou com dois L’s, mais possivelmente. Eu não saberia arriscar com certeza qual era nossa idade naquela época, mas nós insistimos no fato de que estaríamos namorando. Na verdade, até o estereótipo de “triângulo amoroso” nós tínhamos, uma vez que eu era apaixonado pela minha vizinha do lado e ela não me dava bola, enquanto namorava a vizinha de cima.

Daniella era gentil, muito legal e um doce de pessoa. Difícil que uma garota com 7, 8 ou 9 anos não seja (eu realmente não sei a idade que tínhamos, mas vamos deixar com 9 para não parecer muito errado). Todos os nossos amiguinhos sabiam que nós namorávamos. E namorávamos mesmo.

Lembro de uma vez que ficamos sentados na escada, conversando e nos beijando enquanto pensávamos o que iríamos fazer da vida. Não sei se eu fui muito precoce ou se realmente éramos apaixonados. O que importa é que nós namorávamos como adultos (exceto por estas partes sujas que vocês estão pensando. Nós tínhamos 9 anos, não 25).

(pensamento não relacionado: Não há coisa melhor no mundo do que abrir um biscoito recheado e comer o recheio. Complicado é para, depois, tentar achar uma utilidade para aquele biscoito inútil)

Certa vez eu estava conversando com meus amigos homens (talvez meu irmão e mais uns 2 vizinhos) e a Daniella apareceu na escada. Acenou para mim me chamando e voltou para a escada. O prédio tinha até elevador, mas como ele vivia caindo no fosso, ninguém era louco o suficiente para tentar usá-lo.

Saí de perto dos amigos e fui ver o que a Daniella queria. Tenho quase certeza que a cena na cabeça dela foi muito mais bonita e lúdica do que realmente foi. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Daniella disse “Não quero mais nada com você”. Quando pensava em esboçar uma reação, Daniella ergueu sua mão de donzela com peso de mão de pedreiro Jorge e lascou na minha cara. Eu nem sabia o que estava acontecendo e nem porque estava apanhando. Só sei que minha cara ardeu por alguns minutos até que eu conseguisse voltar ao meu corpo e correr atrás dela pra tentar esclarecer as coisas.

Ela correu e se trancou em casa. Eu fiquei sem entender e voltei pra casa, com o rosto latejando ainda. Procurando entender o motivo de tal brutalidade. Depois fiquei pensando se teria alguma coisa a ver com um certo bilhete que eu havia enviado para a Rafaela (a “outra”) e que, por acidente, tivesse caído nas mãos da pessoa errada, da Daniella, por exemplo.

Essa não foi a única decepção amorosa que tive. Certa vez também fiz uma serenata linda para uma garota chamada Anne. Ela também teria achado linda se ela tivesse ouvido a serenata, ao invés da mãe dela, que estava na janela e minha miopia não me permitiu diferenciar uma da outra. No fim das contas eu fui xingado e estapeado em duas situações em que eu deveria ter sido exaltado como um lindo e apaixonado capricorniano romântico. Mas como também não acredito em signos, me fudi duplamente.

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7 comentários

  1. Tu é um capricórniano romântico que faz serenata e escreve bilhete de amor? Estou passada de rosa, verde, azul, amarelo, Ah o arco-íris inteiro! E quer saber todo mundo já pagou micos apaixonados… Eu até já cai no banheiro e quebrei o pulso sendo a capricorniana romântica. Bom na verdade somos os fortões coração de manteiga… rs

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