O dia em que meu gato falou

Outro dia comentei no twitter (ou Facebook, não lembro) sobre a história em que meu querido amigo felino falou. Um ou dois amigos me encorajaram a contar a história, mas eu ainda sabia que teria problemas de credibilidade sobre a mesma. Ontem, em casa, comentei com a namorada a história e ela disse, com todas as letras “Me desculpe, mas é impossível acreditar nisso”. Eu me senti mal, traído, mas mesmo assim copmreendi a situação. Se fosse comigo eu estaria gargalhando e duvidando também.

Acontece que essa é uma história que eu sempre contei pros meus amigos e todos eles reagiam da mesma forma: “apontavam o dedo e riam”. Alguns não davam muita bola, como se quisesse passar a impressão de não querer duvidar de mim, mas também não queriam acreditar. Outros simplesmente afirmavam que eu estava mentindo. Até hoje eu não encontrei nenhum amigo que dissesse “Cara, eu acredito em você”. Mas veja bem, não estou reclamando. Se fosse a situação inversa eu também faria o mesmo.

Em meados de muito tempo atrás, quando eu era mais moleque, nós morávamos em um apartamento em Coelho neto, no Rio de Janeiro. Não sei se vocês conhecem, mas não faz diferença alguma conhecer o local para a história que conto.

Quer dizer, antes de falar sobre Coelho Neto, é melhor falar da origem do gato.

Pra começo de conversa, o nome dele era Haroldo. Minha irmã era fanática pelo Calvin e assim que ganhamos o gato (ou compramos, não me lembro bem) ela solicitou que este fosse o nome dele. Como ele era meio rajado de preto e cinza, ele parecia, exceto pelas cores, com um tigre, então minha mãe aceitou numa boa que este fosse o nome do bichano.

Haroldo ficou conosco muito tempo, depois sumiu e ninguém nunca mais soube dele. Durante mais ou menos um ano minha mãe repetiu o ritual de toda manhã aguardando-o na varanda de casa para dar ração a ele. Acho que foi mais ou menos como se tivesse perdido um filho, pra ela. Até hoje não deve estar totalmente recuperada.

Mas divago. Haroldo era um gato esperto e sempre se mostrou acima da média. Tinha aprendido a abrir portas (pulando e batendo na maçaneta), sabia onde devia fazer suas necessidades e todos amávamos ele. Até o dia que ele resolveu falar.

Em nosso prédio, morava uma outra família na frente da nosso apartamento. Como nosso apartamento era de esquina, a cozinha tinha uma área de serviço que dava de frente pra área de serviço do outro apartamento. Esta família tinha um gato chamado Tom (original, não?) e o Tom tinha o terrível costume de aparecer na nossa casa para comer a ração do Haroldo.

Neste dia, estávamos minha mãe e eu na cozinha, conversando enquanto ela preparava alguma coisa para o jantar. Como de costume, Haroldo estava deitado no meio da cozinha, como se ouvisse nossa conversa mas não quisesse participar. Estava apenas ali, curtindo um momento com a família.

O Tom também sabia abrir portas (o que invalida a minha teoria de que o Haroldo era especial por saber fazer isso) e utilizou deste conhecimento para pular para nossa varanda e dar uma patada na maçaneta revelando nosso pequeno encontro em família. Tom abriu a porta, saltou para o chão e foi a empurrando bem devagar, passando seu corpo por entre a fresta que havia se formado com o empurrão que havia dado.

A comida do Haroldo ficava ora na área de serviço, ora dentro de casa, na cozinha, pra ser mais preciso. E naquele dia ela estava na cozinha, mais ou menos próximo de onde Haroldo estava.

Assim que a porta abriu, minha mãe e eu nos assustamos mas logo ficamos tranquilo, porque vimos que era o Tom que estava entrando. Como nunca tivemos o costume de maltratar animais, deixamos ele entrar tranquilamente. Se o Haroldo não tinha problemas em ter um gato vizinho roubando sua comida não éramos nós que teríamos, né?

Mas ao que tudo indica, o Haroldo não ficava muito feliz com isso. Assim que o Tom adentrou pela porta, o Haroldo se levantou, pôs-se naquela posição que o gato fica todo “arrepiado” e que eu não sei o nome e proferiu as seguintes palavras: “AH VAGABUNDO”.

Minuto para você rir da minha cara.

Eu sei que é absurdo. Eu sei que você não acredita nisso, mas ele falou. Minha mãe e eu vimos. Nós dois estávamos presentes. Não foi ninguém que nos falou, não foi nenhum vídeo da internet que me fez acreditar nisso. Eu vi e ouvi.

Naquele mesmo momento minha mãe e eu nos encaramos e ficamos esperando nossa mente organizar o que havia acontecido para garantir que estava realmente sendo real. Imediatamente o Tom voltou por onde veio e foi para casa, o Haroldo deitou no chão como se nada tivesse acontecido e eu e minha mãe CORREMOS para a sala e ficamos lá, longe do Haroldo, até meu pai chegar.

Contamos para a família e todos nos ignoraram. Até hoje devem duvidar dessa história, mas eu posso garantir com toda certeza que ouvi o Haroldo falar. Não sei se foi um acidente, não sei se foi um espírito do mal que entrou nele, só sei que ele falou. Você pode não acreditar, mas até minha mãe pode comprovar que tal história aconteceu.

Procurei na internet por algum fenômeno parecido e o único que encontrei foi o vídeo abaixo, mas ainda assim não representa nem 1% da genialidade do Haroldo.

Anúncios

6 comentários

  1. Uma coisa é acreditar que você “pensa” que ouviu. Claro que acredito. Que razão teriam você e sua mãe de mentirem, principalmente sabendo que seriam alvo de incredulidade QUASE absoluta.

    Outra coisa é o Haroldo ter falado: “Ah, vagabundo!”. Gato não fala. E pronto!

    O que ele fez (isso mesmo, eu acredito, já tive gato falante) foi emitir sons guturais ao ter ameaçado seu território. Mais ou menos o que faço quando estou naquela madorna, quase pegando no sono e vem alguém e pergunta: “Tá dormindo?” . Eu respondo: “sjhkj f sk s dkj sd sdc jkjnsdkhf dkndk”. Tem gente que interpreta isso como: “Se não fosse sua interferência inoportuna, já estaria em sono profundo”. Vá entender…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s