Prisão a céu aberto

Apenas alertando. Este post foi totalmente inspirado pelo filme Sucker Punch. Se tu nunca viu, veja e entenda o que é um bom filme.

Aquele é o céu. Para uns é azul. Em Marte, talvez seja vermelho. Não saberia dizer a cor do céu em Plutão, por exemplo. Não foi ele quem deixou de ser planeta? Tanto faz. Para mim o céu é mais do que uma imensidão de uma só cor. Quando meus pais brigam e um deles (meu pai) sobe as escadas e se tranca no meu quarto, com raiva da minha mãe e desconta em mim, é para o céu que eu olho.

Quando o vejo tirar a roupa, já me imagino vestindo a armadura. Não há exército de monstros no mundo que me faça tremer se comparado a visão de meu pai sobre mim. Dragões voam pelo céu. Orcs fétidos e gosmentos me rodeiam na floresta e serpentes flamejantes flutuam entre as árvores, aguardando apenas um deslize meu para atacar.

Saco a espada e vejo todos se encorajarem ante o meu tamanho. Não sou nem perto de ser grande. Se fosse comparar com a ultima marcação na parede da minha casa, acho que nem no olho mágico eu chegava.

Um dos orcs de encorajam pelo meu tamanho e avança. Não é o líder, mas traz com ele um grupo de mais cinco. O primeiro golpe me tira da posição inerte. Em seguida, uma série de golpes são desferidos. Até que eu me acostume, pode ser tarde demais.

Antes que eu morra, é melhor lutar. Espadas cortam o ar como em um balé letal. Mesmo com uma delas acertando meu braço, ainda há forças. Não é uma ferida dessas que vai me fazer desistir de viver.

Um dos orcs vêm com tudo na minha direção, imaginando que eu já esteja fraca para resistir. Idiota.

A menos de 10 metros de onde eu estava inicialmente, havia uma mina. Tinha sido plantada por mim como forma de segurança. Enquanto batalhávamos, consegui arrastá-los exatamente para onde queria. Antes que um deles pudesse gritar, a explosão levou os cinco primeiros que me atacavam para o inferno dos orcs. Agora eles sabiam com quem estava lidando.

Os outros olharam com medo. Os dragões ainda não tinham descido e nem pareciam querer fazer naquele momento. Se eu entendo bem de estratégia, eles iam esperar que eu ficasse fraca para descer e atacar. Se fossem depender de eu ficar fraca, era melhor que suas asas fossem de ferro, porque isso ia demorar uma eternidade. Até mesmo para os dragões.

Os outros orcs tomaram coragem e investiram. Poucos saltos foram precisos para desviar dos primeiros golpes. Um deles eu ainda pude ver de contorcendo de dor pelo golpe de seu próprio amigo. Foi um desvio rápido e uma morte mais rápida ainda.

Continuamos a batalha e todos eles resolveram investir ferozmente em minha direção. Uma só espada não ajudaria. Seria preciso mais do que isso.

Com um desvio rápido eu consegui retirar das mãos de uma das criaturas uma arma com a lâmina repleta de dentes. Não mataria, mas causaria muita dor

Orc atrás de orc foi caindo ao chão. Alguns tinham a sorte de ficar com todos os dentes da boca, outros despejavam o conteúdo nojento de seus crânios no chão. O sangue jorrava na floresta.

Mais da metade dos orcs já tinham caído e eu começava dar sinais de cansaço. Pernas trêmulas, boca seca e mãos suadas. Ainda não era hora de desistir, mas já chegava a hora de acabar com aquilo.

Ao acertar um golpe certeiro entre os olhos de um orc, uma outra lâmina resvalou em minha perna, me desequilibrando e me arremessando ao chão, desprotegida. Foi o momento certo de uma das serpentes de fogo atacar.

Um golpe em cheio em minhas costas fez minha roupa chamuscar um pouco e meu corpo arder. Agora os orcs contavam com três serpentes flutuando por entre eles. Era hora de mudar as armas.

Comecei a correr para fora da floresta. Perto dali havia um rio. Se minha noção de geografia estava correta, mais acima do rio estava uma cachoeira. Era lá que eu havia escondido minha melhor arma.

Não foi difícil despistá-los na floresta. Por mais hábeis que eles fossem, eu ganhava por ser pequena. Além de ser muito mais esperta que qualquer criatura ali presente.

Quando cheguei no lago formado abaixo da cachoeira, senti as serpentes tremerem de medo, mas não recuaram.

Saltei uns 20 metros até uma pedra no meio do rio. Aproveitando o salto, virei-me na direção das criaturas e arremessei as duas armas que tinha em mão. Mais dois orcs caíram com suas cabeças vazias no chão.

Sob a pedra havia uma pulseira de couro. Eu havia deixado ali. Assim que a afivelei ela começou a catalisar a energia das águas e um enorme chicote de água serpenteou ao meu redor. Se tinha uma coisa que aquelas serpentes tinham medo era a água. Já os orcs, tinham pavor de mim, àquela altura do campeonato.

Alguns deles ameaçaram voltar para a floresta. Com um novo salto na direção deles eu decepei mais três deles antes de tocar o chão. As serpentes se ouriçaram de medo e avançaram, como um gestões coragem. Uma delas foi rasgada ao meio pelo chicote. Por conta disso, a segunda ficou livre para me acertar e conseguiu fazer isso bem. Minha perna ardia com um dos golpes de cinto do meu pai.

Minha mãe socava a porta e meu pai se prostrava em minha frente na patética tentativa de segurar sua calça e brandir seu cinto tentando me afrontar. O céu continuava azul.

As serpentes continuaram a me rodear e eu continuei me defendendo. Os orca avançaram e logo encontraram uma morte dolorosa e…refrescante. Embora a cena fosse de horror, morrer em uma das mais belas cachoeiras já vista era um presente digno demais para essas criaturas.

Mais uma vez as serpentes flutuaram entre si, formando um espiral de fogo e avançando em cima de mim. Foi preciso um salto bem maior que o primeiro para me desviar. As serpentes de chocaram de frente enquanto eu subia sobre elas e as chicoteava, despedaçando-as inteira. Antes de tocar o chão, os orcs também foram vitimas do chicote.

Quando caí entre os corpos destruídos, tentando ignorar o cheiro horrível exalado pelos corpos mortos, olhei para o céu e vi os dragões voarem em sua exuberância. Agora era a hora deles caírem. Não havia desafio que eu não pudesse vencer. Eu estava ali, pronta para mais uma batalha. Os orcs já haviam provado do meu ódio. Era hora dos dragões saberem quem mandava.

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Agora é a vez dos dragões

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