A internet e suas celebridades

Para quem imagina que eu vá citar as celebridades da internet e apontar o porque de amá-las, fazendo uma lista de prós e contras de seguí-los no twitter, vocês estão enganados. Venho aqui fazer exatamente o oposto, mas sem críticas diretas.

Quantos de vocês já não se perguntaram o porque de programas como “Big Brother Brasil”, “A Fazenda”, “Só Gostosas”, fazerem sucesso? Eu também já passei por isso e até hoje não sei a resposta, embora possua algum lampejo de como ela pode ser respondida.

Estes dias andei pensando sobre isso, desse constante desejo de acompanhar a vida de alguém e sobre as celebridades reais. Andei analisando algumas coisas e cheguei a algumas conclusões estranhas sobre isso, embora para mim façam algum sentido.

Já repararam que todas as celebridades estão felizes? Sempre, não há um só dia em que os repórteres os questionem sobre sua vida e eles não respondam “Estou muito feliz, com muitos projetos”. Mesmo que todos saibam que é mentira, sempre as celebridades vão responder a esta pergunta com uma resposta pronta como esta citada acima.

Se é mentira, então porque afirmar que sua vida está bem? Por que as celebridades não podem se arrepender de algo que fizeram, como reles mortais que são? Porque todos precisam repetir, como um mantra, “me arrependo do que não fiz”?

Porque assim, caros amigos, elas perderiam o “glamour” das celebridades. Aquele glamour que se abate sobre pessoas que estão na televisão diariamente, vivendo e aprendendo com seus personagens tão profundos e tão “fortes”, como elas mesmas costumam dizer. Mesmo que em alguns outros tablóides fique claro a incompetência da atriz ou do ator, seja gerenciando a vida pessoal ou profissional, eles estão sempre felizes e todos estão sempre satisfeitos, porque é aquilo dali que você quer copiar. Você não quer se espelhar em uma pessoa que usa drogas e bebe o dia inteiro.

Ou melhor, até quer, mas como a mídia faz questão de só te dar exemplos “bons” de seres humanos, você só tem algumas escolhas a fazer antes de se decidir em quem vai se espelhar.

O fato engraçado é que as pessoas verdadeiras, aquelas que sentem e sofrem, são muito mais admiráveis (e dignas de admiração, devo dizer), do que os “intocáveis” da televisão.

Quando vemos uma Amy Winehouse ser admirada e elogiada em público por pessoas com bom gosto (ou pelo menos, pessoas que você respeita, de alguma forma), é engraçado ver como a mídia insiste em mostrar apenas o lado negro da ARTISTA, enquanto outras celebridades recebem um tratamento de estrela.

Não é de se estranhar que a Amy receba isso da mídia e ainda assim seja muito mais artista do que todos esses “Ex-BBB’s” juntos? Qual o motivo da mídia transformar pessoas normais (afinal, drogas e bebidas, todo mundo usa, uma vez ou outra) em aberrações, enquanto pessoas repugnantes e odiosas, em estrelas e perfeitas criações de deus?

Acho que aí é o ponto onde a internet se diferencia. Pessoas simples, com defeitos e com gostos acabam tendo sua vida alterada de alguma forma quando a atenção está sobre ela. Algumas mudam por conta disso, outras continuam exatamente a mesma pessoa que são quando você a conheceu (ainda que por intermédio da internet).

Não falo diretamente de uma ou outra pessoa. Poderia usar como exemplo a @aleferreira, que é uma mulher normal, com gostos e desejos de uma mulher normal, com defeitos e qualidades, com sonhos e fantasias e com um blog onde relata os altos e baixos de sua vida (seja ela “agitada” ou não). E que como toda mulher normal, tem seus dias de querer apenas comer chocolate e se divertir, enquanto em outros quer ser séria e seguir sua carreira profissional. Todos nós somos assim, não há porque fingir que você é diferente quando você não é.

É incrível o número de pessoas na internet que são “celebridades”, por assim dizer, mas que em seu interior, não alteram em nada a sua vida. Muitos se fazem de santo, é verdade. Muitos adoram o número de seguidores como se fosse um deus e cada vez que aquele número diminui, começa a correr atrás do prejuízo e começa a se “normalizar” para entrar em um padrão que renda “atenção”.

Mas não podemos generalizar e chamar toda pessoa merecedora de atenção de “desesperado” ou “carente”. Algumas pessoas chamam atenção simplesmente por serem elas mesmas.

É engraçado ver como a internet potencializa a capacidade de alguém ser idiota. Seja ela uma “perfeita” ou não. Sua admiração por um artista pode mudar drasticamente ao ver que ele é totalmente o contrário daquilo que as revistas e jornais descrevem. Podem sentir na pele o quanto um artista pode ser ignorante, bem como o contrário, pode acabar admirando demais um artista por uma ou outra ação que este faz.

Muitas pessoas se pintam como gênios, como poliglotas, como remédio para todo e qualquer mal, inclusive deixando claro em blogs e twitter, que sem ele a internet “perde uma parte da importância”. Pessoas que o ego ultrapassou os limites da razão e agora só se importam com números. Pessoas que usam como argumento “você tem só X seguidores”, enquanto pregam abertamente que número de seguidores não faz a importância de alguém.

O Maurício de Sousa não vai deixar de ser o Maurício de Sousa só porque tem 200 seguidores. E, se todos lembram do Orkut, nem sempre números refletem o quanto de conteúdo alguém possa ter. Ter 1.000 amigos online, nem sempre quer dizer que algum desses 1.000 amigos irão te ouvir em uma hora de necessidade. Nem sempre estes 1.000 amigos irão te socorrer quando seu carro quebrar em uma estrada (seu pobre). Nem todos esses 1.000 amigos são realmente importante para você.

Pessoas traem e são traídas todos os dias. Dizer que isso não aconteceu, não vai fazer com que isso simplesmente suma da face da terra. Erros são cometidos a cada instante. Esquecê-los é um erro, principalmente quando é muito mais fácil assumí-los e corrigí-los.

Você não consegue apagar a história, mas você consegue moldar para que o futuro seja bom o suficiente para que não seja preciso mudar o passado.

Acho que a diferença entre as “celebridades” da internet e as reais está justamente aí, no fato de que as pessoas da internet não se deixam chegar ao nível de “perfeição”, estão sempre caindo e sempre errando, algumas vezes até se justificando pelo erro. Estão sempre próximos, mesmo que distantes. Enquanto que no mundo “real”, todas elas vivem de pompa e de Glamour e não têm a menor noção do que fazer caso aquilo acabe.

Enquanto isso, a Amy cai no ostracismo enquanto os produtores já estão planejando um BBB 12. E assim é a vida.

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