E as mudanças vêm e vão.

Sexta feira passada havia sido um dia muito comum pra mim. “Comum” daqueles que todos nós temos diariamente.

Mais um dia de tédio, mais um dos dias onde contamos os minutos para sairmos, para irmos embora e darmos adeus aos laços infernais que o trabalho nos prende.

E há quem diga que trabalha e é feliz. Amigo, conte para nós o segredo de tal absurdidade.

Sabe quando você acorda pela manhã tendo certeza que será mais um dia inútil na sua contabilidade de dias inúteis? Então, esse era o meu dia.

É hipocrisia ver as pessoas falando que “hoje eu acordei sabendo que meu dia seria bom”. Milhares de pessoas morrem por dia, afirmar que ele foi um dia bom é, no mínimo, filha da putagem da sua parte.

Sem contar que isso é coisa de “artista” da televisão. Gente que tá sempre feliz, que nunca se arrepende do que fez (só do que não fez), que está sempre com a agenda lotada e sempre pedindo pensão a alguém. Coisa de gente idiota, eu acrescentaria.

Se você é ator e se sentiu ofendido, desculpe-me. Eu sugiro que você vá procurar emprego.

Por mais egoístas que possamos ser, há de se pensar um pouco naqueles que se fodem diariamente com nossos sucessos.

Ah, sucesso, né? Então.

Como falei, era só mais uma sexta feira cotidiana. Peço permissão para exercitar meu linguajar “Noir” para descrever o parágrafo.

Caso sua preguiça seja tanta que você não quer nem clicar na merda do link acima, eu resumo “Noir” para você: Noir é um estilo de literatura (ou filme) onde tu tem uma puta, um detetive e tudo preto e branco.

Talvez não seja o melhor resumo, mas se tu quisesse um resumo decente, teria clicado ali em cima. HAHAHAHA WIKIPÉDIA WINS

Posso? Lá vai:

“Era só mais um dia daqueles, onde toda a vagabundagem rondava as ruas aguardando apenas mais uma vítima. Mais uma criatura desgarrada da sociedade, sofrendo ao erro daqueles que foram mais subjugados do que os próprios. Me reclino em minha cadeira, minhas costas já não são mais as mesmas. Pode ser o peso, pode ser a idade, ou simplesmente a minha cadeira está em condições de ser jogada fora.

O telefone toca. Paro por alguns instantes para olhar o número. É um numero desconhecido, embora da região. Tudo passa pela minha cabeça, desde a mais simples informação de “é engano” até o salto máximo do desespero ao achar que alguém da minha família foi sequestrado e eu cometi o erro de dizer seu nome no começo da ligação, assim começaria uma tentativa de extorsão mal sucedida, até que desligássemos e voltassemos ao conforto do nosso lar”.

Detetives e putas. Clássicos do Noir

Detetives e putas. Clássicos do Noir

Pronto. Já exercitei. Agora volto ao padrão normal de escrita.

Atendi o telefone esperando qualquer coisa. Ou melhor, sem esperar nada, pra ser mais exato.

Era uma antiga namorada do meu irmão. Com aquele jogo de “adivinha quem está falando”, onde uma pessoa faz a outra de idiota por alguns minutos ininterruptos e mesmo depois de alguns pedidos de desistência a pessoa ainda insiste em brincar. Sabe como é?

Essa namorada do meu irmão era uma que, sendo o mais sincero possível, eu já nem lembrava mais. Felizmente, ela lembrava de mim.

Mentira. Ela ligou pro meu irmão, meu irmão indicou a mim e ela ligou pra mim. Não teve lembrança nenhuma, mas ainda assim, foi interessante saber que eu estava recebendo aquela ligação. Não outra pessoa.

Era uma oferta de emprego. Sim, daquelas mais simplórias.

Minha mãe sempre me falou que ofertas de empregos não caem do céu e quando se é ateu é mais difícil ainda acreditar que algo vá ser jogado lá de cima, a não ser um paraquedas (“Seu Bruce”) ou a chuva.

Era uma boa oferta de emprego. Ganharia a mesma coisa que ganho aqui, praticamente, só precisaria ir até lá no sábado e faria alguns testes. Aí sim, estaria efetivado…ou não.

Joguei meu RPG de sexta. Ainda pensei em cancelá-lo, mas não vi razões reais para que isso acontecesse. Como o horário marcado era um tanto quanto razoável, não precisaria acordar tão cedo ou me desdobrar para chegar lá primeiro que todos.

Na manhã seguinte. Acordei, tomei banho, escolhi as roupas e parti para a entrevista.

No dia anterior, separei alguns trabalhos que havia feito, fiz um currículo bacana e empacotei tudo pra levar na mochila. Entre olhares de reprovação e de aprovação, fiquei na dúvida se eu estava fazendo a escolha certa ao levar aqueles trabalhos, ao invés de outros.

A bem da verdade, onde trabalho nunca foi o lugar de se fazer grandes artes. Não por ser uma gráfica pequena, mas porque na maioria das vezes os serviços feitos aqui eram simples demais. Formulários, fichas, cartões. Nada que fizesse saltar os olhos das pessoas e dissesse “Puta que pariu, você é o gênio do design”.

Cheguei ao local.

A descrição do telefone não batia nem de perto com o que eu chegava pra ver. Pelo telefone eu ouvi “uma estradinha”, na vida real eu vi que a “estradinha” era a Dutra e que a entrada da parada era absurdamente grande. Assim como seu interior.

Aquele nervosismo de sempre, né. Você chega, dá meios sorrisos, finge simpatia para esconder ainda mais o nervosismo. No fim, não se sabe se você estava nervoso ou se o mundo estava pequeno demais para o seu corpo.

Conversei algum tempo com todos os chefes e superiores. Primeiro a diretora de administração. Conversamos amigavelmente. Depois veio um dos donos da empresa. Batemos mais um papo e ainda fui alvejado por perguntas de um outro designer que o acompanhava na entrevista.

Por sorte, tudo que estava no currículo era verdade, então era bem mais fácil argumentar, ainda que nervoso, do que quando tudo que você escreve é mentira.

Sim, eu sei que metade da população mundial mente em entrevistas de emprego e nos currículos.

Eu quis fazer o contrário. Quis ser sincero.

Fui sincero ao ser perguntando sobre minhas habilidades, fui sincero em minhas escolhas e estou sendo sincero agora, exceto pelo desejo obscuro de mandar vocês à merda. Mas aí já não é tão importante manter sinceridade em uma hora dessas.

Resumindo. Estou dentro. Só preciso sair daqui e partir pra lá. Hoje é um dos últimos capítulos dessa novela de mais de 5 anos que arrastou-se pela minha vida. Daqui levo aprendizado, amigos, nomes importantes para um futuro e trejeitos dos quais eu nunca abrirei mão.

Embora tudo que tenha adquirido aqui tenha sido vago demais, não posso negar que toda minha vida profissional se resume a “aqui”.

De uma forma ou de outra, hoje eu sou outra pessoa.

E vocês. Quais escolhas têm feito para que seu dia valha* a pena?

 

*CHUPA ANTÔNIO CARLOS (PROFESSOR DE FILOSOFIA – EXPLICO OUTRO DIA), SEU FILHO DA PUTA.

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3 comentários

  1. Legal cara, espero tudo de bom pra ti nessa sua nova fase, enfim vc vai trabalhar e sair da porra da internet seu motherfucker.

    “Se você é ator e se sentiu ofendido, desculpe-me. Eu sugiro que você vá procurar emprego.” by vc
    Não fale mal da putaria liberada!

    “*CHUPA ANTÔNIO CARLOS (PROFESSOR DE FILOSOFIA – EXPLICO OUTRO DIA), SEU FILHO DA PUTA.” by vc
    Confesso que fiquei curioso!

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