De onde veio o “Van”?

Uma das muitas coisas que chamam atenção na internet ultimamente é como as pessoas têm vivido duplamente por anos, sem parecer causar grandes problemas para nenhum de nós.

Quando em suas vidas, vocês acharam que teriam liberdade pra sair ofendendo tudo e a todos sem que ninguém pudesse fazer nada sobre isso?

Alguns anos atrás, quando a internet começou a ficar popular, todo mundo entrou em contato com um mundo onde “usar seu próprio nome” era algo estranhamente sem graça.

Não sei bem o motivo disso, mas eu apostaria no anonimato, se fosse possível.

Você já é “José Antônio” a sua vida inteira. Agora que a internet lhe deu a chance de se chamar do que quiser, você pode muito bem ousar e se transformar no “B3arFuckingFuck1152412”, afinal, a internet não é mesmo uma terra sem lei?

Acontece que comigo demorou MUITO para que eu conseguisse achar um nome que realmente me agradasse e me definisse como o que eu queria ser:Eu mesmo (filosófico, não?).

Décadas atrás, eu gostava muito de coisas sobrenaturais. Livros, filmes, jogos, etc. Isso me deixava animado para ler, coisa que muitos livros dito “clássicos” não chegavam nem perto. Daí, o mais lógico foi correr atrás de um nome que me representasse dentro desses gostos acima.

Por ser ateu (percebi quando tinha 13 anos), eu nunca tive problemas com divindades nem com proximidade de nomes malignos. E por ter 13 anos, nada do que saía da minha cabeça era realmente “louvável”.

“Devil’s Cry” era meu “nome” na internet. Usei ele em fóruns, em blogs, em textos, em tudo que eu fazia, eu usava esse mesmo nome.

Como disse, não era nada louvável. Eu tinha 13 anos, gostava de chocar as pessoas (nunca cogitei a homossexualidade, que fique claro), achava legal implicar com a religião alheia (coisa que deixei de fazer atualmente. Até faço, mas de forma mais comedida e apenas com quem conheço…eu acho) e achava bacana o choque que causava.

Lembro de uma discussão que tive com uma garota no chat da Rádio Cidade em que ela me condenava por usar este nome enquanto ela mesma ostentava um nome que fazia alusão ao uso de drogas. Maconha, pra falar a verdade.

Diante da discussão e do meu contra argumento, ela partiu pra religiosidade e disse que “por usar nome de maconha ela não vai pro inferno” já eu, ia direto pro colo do capeta.

Assim, não sou muito religioso nem conheço muito sobre o que se pode ou não fazer, mas usar drogas não é uma das coisas que estão na lista de Deus de “To do” para todo cristão.

Alguns anos depois, quando comecei a me enveredar verdadeiramente para o mundo do rock (eu já curtia antes, mas não chegava a ser algo que eu fazia com frequência), eu resolvi que poderia mudar o nome para algum outro, que refletisse o que eu curtia naquele momento.

“Devil’s Cry” era um nome bacana, mas não transmitia os meus gostos assim, logo de cara, como eu queria que fosse.

Por minha genialidade juvenil, achei um que eu pensei ser o “nick” definitivo. O nome refletia exatamente o meu gosto (musical) e ainda por cima, tinha um trocadilho de leve (coisa que eu também adoro). Daí surgiu “Peter Punk”.

O problema, caros amigos, veio depois, quando eu descobri existir uma banda Italiana de mesmo nome, assim, em alguns fóruns ou sites, já existia este nome cadastrado (pelo visto não havia sido só eu que “criei” a parada).

Para vocês verem o quão “normal” o nome era, descobri há pouco tempo que um conhecido meu, um professor de um curso de qualidade duvidosa e com desempenho risível em empregar algunos “na área de computação”, como eles mesmos se definem, tinha uma banda chamada Peter Punk. Uma banda carioca de punk.

Uma observação. A descrição é para o CURSO. Os professores, este em específico, é um cara com MUITO conhecimento na área a qual se destina e ensina perfeitamente bem. Marcos Ramone é um ótimo professor e como estagiário ensinou muito mais do que qualquer outro naquele curso poderia ensinar.

Feito o esclarecimento, continuemos.

Como puderam ver, Peter Punk não era um nome tão inovador assim.

Daí pra frente, só vieram porcarias. Nem eu mesmo guardava os nomes de usuário que eu criava, de tão estranhos e distantes do que “eu gostava” que eles eram.

Até que veio uma série e me apresentou ao meu novo “eu”.

Vivendo no Limite

Vivendo no Limite

Houve uma época em que eu era viciado em séries. Eu ainda sou, mas atualmente eu critico mais do que as vejo, tanto que só consigo ver aquelas que conseguem passar por uma seleção natural de milhares de séries.

Isso pode ser influência também de ter acesso a milhares de séries em apenas alguns cliques.

Antes, eu era obrigado a assistir o que o SBT queria me apresentar e no horário em que ele quisesse que eu visse.

Lembro de muitas semanas perder algumas das minhas séries preferidas simplesmente porque o SBT resolveu passá-la às 5 da manhã, ao invés de às 11 horas, como de costume.

Dessa situação toda, surgiu Fastlane – Vivendo no limite.

Fastlane tinha uma premissa muito interessante, ao meu ver. Nada original, diga-se de passagem. Hoje, e naquela época, já existem(iam) muitas séries parecidas.

Mas Fastlane era diferente pra mim. Ela tinha tudo que eu mais gostava, tinha os “heróis” politicamente incorretos, sendo obrigados a realizar tarefas para a polícia, tinha dois personagens muito carismáticos e tinham gangues inimigas com muita coisa curiosa.

Lembro até hoje da gangue de surfistas nazistas.

Sempre que eu terminava de ver um episódio de Fastlane eu corria para o computador para poder jogar GTA. Era o mais próximo de Fastlane que eu conseguia chegar.

Um dos personagens principais era o Van. Donovan, na verdade, mas o apelido dele era Van.

Assim, comecei a sondar a possibilidade.

Haviam dois personagens, o Van e o Deaq. O Van era o mais foda, claro.

A minha esposa (na época namorada) também era viciada em séries e sempre nos falávamos nos intervalos das mesmas, pra saber o que estávamos imaginando ou pra revelar nossas apostas do que aconteceria a seguir (na maioria das vezes era pra saber quem havia sequestrado quem em Without a Trace).

E como ela também conhecia a série, passou a perceber a minha preferência pelo Van (claro que aqui você fará piadas de conotações sexuais, mas neste momento, sua namorada está dando pra outro enquanto você ri na internet. Reflita quem está perdendo mais).

Então ela começou a me chamar de Vin (que, tecnicamente, tinha a mesma pronúncia).

Com o tempo, percebi que as pessoas se confundiam demais com “vin” e “Van”, assim sendo, achei por bem modificar para Van e continuar usando como se fosse parte do meu nome.

Aí, incrivelmente, consegui me adaptar muito bem ao nome.

Guedes é meu sobrenome, juntei os dois e fiz o “Vanguedes”, assim, consegui achar um nome que me identificasse na internet e que eu pudesse usar em qualquer lugar que eu fosse.

O grande problema deste nome atualmente é que muitas “Vanessas” e “Vânias” de sobrenome, também, Guedes, tentam usá-lo e acabam batendo na barreira que em TODA rede social existente eu já criei e registrei-o como meu, evitando assim que eu queira usá-lo amanhã e não consiga por causa destas biscates.

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1 comentário

  1. A internet está deixando aos poucos de ser Terra de Ninguém.
    Recentemente processei uma pessoa por calunia e difamação da minha pessoa em um determinado site.
    A infeliz vai pagar algumas cestas básicas e acho que vai pensar bem antes de sair escrevendo o que lhe der na telha.
    Se todos tivessem essa consciência de levar adiante o que considera agressão, acho que diminuíríamos muito esse tipo de coisa na net.

    ***** Valeuuu Peter Punk!!!!

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