O RPG e o ataque da vizinhança

Tem muita gente reclamando que o blog não está sendo atualizado, eu sou uma delas, inclusive.

A questão é que eu não gosto de ficar escrevendo qualquer porcaria (ha-ha), aí fica difícil fazer um post que seja interessante, pra mim, e que não se aproveite muito do estilo “X coisas” de ser.

Para acabar com essa ressaca, relatarei um caso que aconteceu comigo e com alguns amigos, há algumas décadas atrás.

Poucos sabem, já que eu sou uma pessoa que não gosto de comentar das coisas que tenho e faço (ha-ha), mas eu sou um assíduo jogador de RPG.

Sabem aqueles MMO que seu filho leproso joga se acabando aos berros para os amigos “matarem a porra do Poring”? Então, não tem nada a ver com isso.

O RPG que jogamos é o método mais “tradicional” do hobby. Ou, como chamamos, “o RPG de mesa”.

Não quero dizer que ele é melhor (embora seja), quero apenas alertá-los de que não passo 14 horas do meu dia evoluindo um pixel. Faço isso evoluindo uma folha de papel.

Na verdade, nunca chamamos assim, mas com o advento da internet e da computação, acabou ficando comum associarem RPG aos infantes remelentos que usam chapéu de Poring e gritam “yaaaaaaaaaaaay” pelas ruas, logo, nos sentimos obrigados a criar uma classificação para nos separar destas criaturas supra citadas.

Digo “criaturas” no bom sentido. Nunca escrevi nada que fosse contra as pessoas que gostam de mangá e anime. Isto posto, vamos seguir com a história.

Em uma época da minha vida, onde trabalhar era segundo plano, eu jogava mais RPG do que atualmente (sim, ainda jogo), ao invés de vagabundear pela rua atrás de algo melhor para fazer, como invadir uma fábrica de sofá, por exemplo.

Como eu era jovem, não tinha responsabilidade nenhuma e não precisava me preocupar com nada, eu costumava ocupar meu tempo jogando RPG. Assim, era comum me encontrar jogando RPG em todos os lugares que eu fosse visto. Todos mesmo!

É algo como um vício, você pode dizer. A diferença, na minha cabeça, é que um vício é algo que te prive de um “mundo”, prejudicando sua socialização e alterando seu estado de ser. No caso do RPG, socialização é a palavra chave para que ele exista, e nunca bebi nada durante as partidas, portanto, não era uma coisa que me tirava do meu estado “sóbrio” de espírito.

Uma ressalva, antes de continuar.

Muitos de vocês já viram o RPG ser associado a coisas ruins, como assassinato, rituais macabros, bruxaria, etc, etc.

Usar hobby para estimular o uso de drogas, sejam elas lícitas ou não, não é uma prática nova e nem será nos próximos 100 anos, portanto, se você conhece pessoas que curtem jogar RPG enquanto enchem o cu de cerveja, lembre-se que existe a mesma versão de pessoas que curtem encher o cu de cerveja enquanto sambam, enquanto jogam videogame, enquanto cortam cabelo, enquanto oram. Existem gente querendo se drogar em QUALQUER área de lazer.

RPG é um jogo. Assim como Ludo, Banco Imobiliário, War e tantos outros. O que acontece com essas pessoas é pura e simplesmente a única desculpa que viciados em drogas também possuem “BURRICE”.

Se algo te prejudica a ponto de você sair de seu estado natural e se achar uma grande encarnação de um vampiro milenar, você não é nem um vampiro, nem um jogador de RPG. Você é um completo idiota, ou, na melhor das hipóteses, você tem problemas.

E ainda assim é um idiota.

Sérgio e eu em um Encontro de RPG

Continuando.

Em um desses dias, onde o RPG seria mais uma vez a nossa diversão da tarde, rumamos para o ponto onde jogávamos sempre. Uma escola.

Perto de onde um dos jogadores morava (ainda mora, diga-se de passagem) existia uma escola pública que, não me pergunte o porque, estava sempre vazia. Não sei se a época em que jogávamos era férias, não sei se os alunos faltavam pra caralho mesmo ou se simplesmente a escola foi feita pra desviar dinheiro público. Em resumo, a escola estava sempre deserta, com um ou dois funcionários andando pra lá e pra cá.

Um desses funcionários era o vigia da escola e já tinha nos dado permissão para jogarmos ali, tanto dentro da escola, na quadra, quando do lado de fora, embaixo de uma árvore que nos dava uma pura e linda sombra.

Neste dia, por acaso, a escola estava fechada e o tempo estava chuvoso, nos forçando assim a procurar outro lugar pra jogarmos. Um lugar que nos fornecesse um abrigo da chuva.

Jogar em nossas casas não era viável. Dada a quantidade de crianças envolvidas, ia ser quase impossível alojar tanta gente dentro da casa de qualquer um dos jogadores.

Acho até que tentamos, mas realmente era inviável o abrigo de tanta gente.

No fim das contas, achamos um local pra chamar de nosso.

Segundo esse amigo que morava ali perto, a casa não possuía moradores. O dono dela morava do outro lado da rua, mas no momento a casa estava vazia.

Em frente a esta casa havia uma cobertura dessa de alumínio, que protegia muito bem as nossas cabeças da chuva. Assim, foi ali que ficamos toda a tarde jogando o nosso tão amado RPG.

É claro que não podíamos imaginar que isso geraria problemas para nós.

Acontece que, um dos garotos que estava jogando conosco, era neto de uma velha maldita e que tinha poderes negros associados ao diabo. Ou pelo menos, era assim que ele a descrevia.

A senhora, não muito feliz com a presença do neto no círculo de amigos, resolveu dar uma leve sacaneada em nós todos, indo direto ao dono da casa e afirmando com veemência que nós estávamos realizando práticas satanistas na calçada do dono daquela casa.

Aos poucos, acompanhamos diversas pessoas se aproximando com cautela, uns disfarçando, outros mais descarados e alguns com tochas e máscaras brancas semelhantes às do KKK.

O dono da casa foi o único corajoso a ponto de se aproximar de nós e dizer:

“Hey, vocês não podem fazer essas coisas aqui não”.

Nós ficamos sem entender nada. Era como se alguém estivesse nos impedindo de jogar Banco Imobiliário em sua própria calçada. Algo que ele teria o direito completamente, afinal, era sua calçada, mas nós não entendíamos o porque do RPG ser tão repugnado.

Na época, o RPG estava sendo amplamente divulgado como “arma do diabo para converter crianças inocentes às forças do mal”. Mas nós nunca imaginamos que as coisas estavam chegando àquele nível.

Um dos momentos mais lembrados, até hoje, foi quando o dono da casa, após nos expulsar, perguntou se “Poderia acender a luz”. Nós ficamos com cara de “Hã?” e ele não entendeu nada também, mas a acendeu mesmo assim, botando fogo em nossos corpos assim…mentira. Essa parte foi só pra impressionar.

Acontece que sempre víamos o RPG sendo tratado daquela forma na televisão e nos jornais religiosos, mas nunca havíamos visto isso acontecendo na prática.

É engraçado como algumas práticas são repudiadas sem ao mesmo conhecer a fundo o que está acontecendo.

Conheço pessoas que afirmam que o RPG nos faz mal por nos “levar para um mundo de faz de contas”, mas não tem problema nenhum em ler livros do Harry Potter, que faz EXATAMENTE a mesma coisa que o RPG, e que, no fim, tem o mesmo objetivo: Divertir.

Anúncios

6 comentários

  1. Povo ignorante é uma merda!
    Se eu fosse vc teria logo fingido que estava possuído pro dono da casa ficar bolado..rs
    Quando eu era moleque eu e meus amigos criávamos jogo ou tentávamos criar! lol
    Eu lembro que quando rolo aquela febre de Magic eu até jogava, hoje em dia não jogo nada.
    Que porra de cabelo era esse? Vc nessa época fazia show gay?

  2. Quando as pessoas não conhecem o assunto, elas são guiadas pela boataria, infelizmente. =/

    Quando eu era mais novo, jogava em casa ou na casa dos meus amigos, então não me recordo de problemas relacionados à atividade.

    Esta caravana foi na época da exposição de Star Wars? Eu fui também!

    1. Sim, nesta mesma época. Não lembro se esta foto foi nesse dia, mas nós também fomos no ano da exposição de Star Wars.

      Não sabia que você tinha ido. Se formos de novo, podemos bater um papo melhor.

  3. Esse post é mais uma tentativa de vocês, membros dessa seita diabólica, de divulgar e popularizar esse mal. Todos sabem que jogadores de RPG comem criancinhas e bebem sangue de animais doméstico

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s