Porrada na Igreja!

Pra começo de conversa, preciso relembrar se já apresentei os envolvidos na situação abaixo pra vocês. Lembram do Tiago? Aquele meu amigo que foi acusado injustamente por ter roubado meu boneco de Comandos em Ação? Além dele, temos também o Bibinho (famoso amigo que foi preso ao tentar usurpar bens alheios), Renan (a pessoa mais feia que eu já encontrei em terra) e outras pessoas que não foram importantes no famoso ocorrido da porrada na igreja.

Pois bem, passamos às explicações devidas.

Tiago, o amigo acusado…já chega, né? Vocês já entenderam que ele não me roubou nada, eu é que fui um belo de um filho da puta e o acusei injustamente. Uma bela oportunidade para pedir desculpas de novo. Então, Tiago é e sempre foi um rapaz cristão. Daqueles que vai pra igreja em todos os cultos que eles oferecem. Não só Tiago como toda sua família era membro (membra?) de uma Igreja local ao qual me esqueço o nome, mas graças a ilusão do Google Street View eu posso apresentá-los a imagem da igreja abaixo:

Welcome to The Fight Club

Esta era a igreja onde Tiago ia periodicamente. Numa periodicidade de fazer inveja a qualquer cristão moderninho que só vai à Igreja quando está sendo jurado de morte pelos amigos favelados/bandidos. Tiago e sua família visitavam a igreja quase todos os dias, ou pelo menos era assim que achávamos que Tiago passava a maior parte de seu tempo.

Tiago, não sei se por obrigação ou apenas para cumprir sua “meta”, sempre nos convidava a ir na Igreja. Por pura educação recusávamos. Eu não era ateu na época, não era religioso mas também não tinha tanto nojo de religião (e alguns religiosos) como tenho agora. De qualquer forma, se fosse um convite sincero de um amigo eu iria (e, claro, se houvesse algum propósito além de tentar me converter). Então Tiago sempre nos chamava para irmos a Igreja. Seus pais também sempre nos encorajavam, talvez pra poder levar o mundo perdido que seu filho mantinha ao seu redor para um mundo de paz e luz, onde a igreja pudesse olhar por nossa alma e não levar seu filho ao caminho da perdição. Tentaram bastante este método, devo dizer.

Que eu me lembre eu só fui nesta igreja umas 3 ou 4 vezes, mas posso estar sendo enganado pelo tempo. Isso já deve fazer, no mínimo, uns 15 anos. Pois bem. Certa vez, sem motivo algum, nós aceitamos fazer uma visita a igreja de Tiago. Não tinha propósito algum por trás de irmos lá, só estávamos aceitando um convite de um amigo que queria nosso bem. Daí juntamos todos os amigos e combinamos de ir.

Em determinado dia de culto, acredito eu que tenha sido um sábado, todos nos arrumamos lindamente, com nossas melhores roupas, na esperança de deus olhar por nossa alma e apreciar o quão belo nós éramos, exceto o Renan. Aquele ali não tinha jeito mesmo.

Nos juntamos em um ponto específico de nossa rua e fomos para a Igreja, cantarolante e contente.

Um adendo. Bibinho era um dos poucos de nós que arrumava confusão por qualquer coisa que ele achasse aceitável. Certa vez ele brigou dentro de uma padaria apenas porque o atendente resolveu atender um outro cliente que havia chegado depois dele. E por mais incrível que possa parecer o atendente não foi o alvo das injúrias de Bibinho, mas sim o cliente que pediu. Até hoje eu não entendi muito bem a situação, mas sei que Bibinho brigou dentro de uma padaria.

Bibinho era para nós um porto seguro. Alguém que sempre estaria ali para nos defender. Você pode estar nos chamando de bebezões, de chorões e covardes, mas se o Bibinho estivesse escrevendo isso aqui, seu nariz já estaria quebrado e você arrependido de ter dito tais palavras. Isso é só pra você entender o nível de “macheza” do Bibinho.

Voltando ao assunto.

Eu e meus amigos fomos para a tal Igreja. Chegamos, fomos apresentados ao círculo de amizade cristão do Tiago e começamos a fazer amizade ali, na porta da Igreja.

Eu nunca entedi bem o propósito de alguém que se sente ofendido quando alguém de fora chega ao seu círculo de amigos. Nunca consegui compreender a xenofobia dos cidadãos. E neste dia não foi diferente.

Não sei se por nosso grande número de pessoas, ou se nossa beleza exuberante ou o que quer que seja, mas sei que alguma coisa incomodou um pequeno grupo de cristãos rebeldes. Aqueles que fazem as merdas que fazem e daí no domingo vão a Igreja pedir perdão. Era basicamente isso que eles se propunham, exceto que, a julgar pela aparência deles, eles não eram rebeldes fora da igreja. Eram só mais um grupinho de “filhinhos de papai cristãos”. Uma variável desgraçada dessa raça maldita.

O “líder” deste pequeno grupo foi apresentado ao nosso grupo. Um dos conhecidos de Tiago era conhecido dele e o chamou para nos apresentar, para que ele, assim como todos os outros, dessem boas vindas a nós, não-cristãos. Prontamente o rapaz respondeu com um “Eu não, eu heim” e virou-se de costas para nosso grupo. Por mais que apenas isto bastasse para Bibinho lhe quebrar a coluna, naquele momento, talvez tocado por Deus, Bibinho ficou como uma estátua. Como se nada tivesse acontecido.

Aquilo soou estranho demais para nós, que já conhecíamos ele, mas foi extremamente bem visto pelos nossos novos aimgos cristãos.
Alguns minutos depois adentramos a igreja para o culto. Tiago sabendo de nosso exagerado número de pessoas sugeriu que fôssemos para o alto da igreja, um segundo andar com uma sacada que ficava exatamente de frente para o “palco”. O problema é que, aparentemente, este era o lugar dos punks cristãos. Mas como chegamos primeiro, ninguém conseguiria nos tirar dali.
Éramos cerca de 16 (8 + Bibinho) pessoas, enquanto os punks eram uns 5. Faça as contas.

Claro que os punks cristãos ficaram descontentes com a perda de território, mas eles não seriam malucos de tentar expulsar todos nós e frente a um
ambiente que, por costume, é incrivelmente silencioso.

Nós ficamos ali, sentados por alguns bons 15 ou 20 minutos. Sem nos mexer e prestando total atenção no culto, esperando que, em algum momento, uma luz viesse do céu e nos levasse para nos presentear por bom comportamento.
Como podem ver isso não aconteceu, nem comigo nem com nenhum cristão que eu conheça, mas aqui não é o lugar pra isso.

Os punks conheciam perfeitamente o seu ambiente de “trabalho”. Eles conheciam tão absurdamente que sabiam até dos defeitos dos bancos e do parapeito da sacada. Com isso em mente, o líder dos punks, aparentemente uma versão do Bibinho cristã, levantou-se de seu lugar (atrás de nós) e se dirigiu até a parte de trás de nosso banco.

Para que entendam melhor a situação, esta sacada onde nos localizávamos não era habitada por cristãos. Ela era apenas um lugar onde algumas pessoas podiam ficar, mas o culto mesmo e as pessoas que sempre iam pra igreja ficavam no local de costume, lá embaixo perto do pastor.

Nosso objetivo em ter ido lá para cima era, acima de tudo, evitar chamar atenção com nossas caras maquiavélicas e nosso grande número de pessoas não-cristãs. Os Punks ficaram logo atrás, em um lucal bem menos privilegiado onde quase não podiam ver o pastor. Continuando. O líder dos punks dirigiu-se até as costas de nosso banco e encostou ali. Como quem não quisesse nada. Rapidamente Bibinho olhou para ele, na esperança de pegá-lo fazendo algo que estivesse planejando contra nós. O que Bibinho encontrou foi apenas um rosto sereno, calmo e pacífico. Logo, Bibinho voltou ao pastor.

Antes que pudéssemos maldar de verdade o que estava acontecendo, um estrondo imenso tomou conta da igreja. Um barulho de madeira batendo no chão. O barulho foi tão grande que um ou dois dos nossos se assustou de forma absurda. Antes que pudéssemos pensar, todos, eu disse todos, na igreja estavam olhando pra nós.

O Banco tinha um lugar para ajoelhar-se, que fica na parte de trás, mas parece que estava solto ou talvez preso de forma bem porca. Daí, foi fácil deduzir o que havia acontecido. Diante da situação, todos pedimos desculpas, mesmo não tendo culpa alguma da situação. Mas ainda assim, estava muito claro para todos os presentes que nós havíamos feito aquele barulho todo.

Depois do olhar de reprovação dos presentes, Bibinho levantou-se vagarosamente e foi até o líder dos punks. Imediatamente todos levantaram e o aguardaram chegar. Bibinho com sua cara cínica pediu paz e disse “Calma, não vou fazer nada…”. Em seguida completou com um tenebroso “…aqui”.
Bibinho olhou nos olhos do líder dos punks e o avisou que se, mais uma vez, ele fizesse algo daquele tipo, ele sairia dali sem a pele de tanta porrada que ia tomar. Claro que Bibinho estava usando metáforas diferentes, mas as palavras dele, tanto para o ambiente cristão quanto para o ambiente do meu blog fica difícil de reproduzir aqui.

Os caras deram um sorrisinho e ignoraram o aviso. Quando Bibinho voltava ao seu lugar, um dos punks abaixou-se por trás do banco, levantou a madeira que já estava no chão e largou-a. O barulho ricocheteou novamente por todas as paredes da igreja interrompendo, mais uma vez o culto. Bibinho nem chegou a tocar o banco.

Em respeito ao Tiago e a sua família Bibinho não iniciou o banho de sangue ali, dentro da Igreja, sua educação de Lorde permitiu que ele convidasse o líder do grupo para o lado de fora da igreja. O Líder, sem pestanejar, o acompanhou pro lado de foda, seguido por todos nós. Tanto os nossos amigos quanto os dele.

Do lado de fora, o líder dos punks ofereceu uma proposta de justiça. Segundo ele, se começassem a brigar e o Bibinho começasse a apanhar, nós iríamos intervir e espancá-lo. Por mais fracos que fôssemos, éramos muitos.

Bibinho concordou com ele e pediu uma solução. A solução proposta foi que eles dois, apenas eles, fossem caminhando para uma das esquinas no fim da rua, que ligava a outro quarteirão. Aí sim, ao chegar lá, começariam a brigar.
Bibinho aceitou e começou a caminhar com o rapaz, assim, como dois amigos.

O restante dos punks ficaram próximos a nós, quando Bibinho e o Líder dos punks já estavam na metade do caminho, 3 dos meliantes falaram em voz alta que aquilo “ia dar merda” e acharam por bem irem embora.
Sobramos nós e um dos outros punks, enquanto o líder deles encaminhava-se para o local decidido para o duelo.

E é aí, amigos, que entra minha incrível participação naquela bagaça. Enquanto Bibinho caminhava calmamente, um estalo me veio a mente. E se aqueles 3 que foram embora não estivessem realmente indo embora? E se eles forjaram essa parada toda para afastar o Bibinho do grupo e pegá-los todos juntos? Rapidamente calculei o trajeto e gritei para o Bibinho “Ele tá te levando pra esquina pre encontrar os outros três”.

Antes que o líder do grupo pudesse ouvir o que falei, Bibinho olhou pra mim e confirmou a situação, dando-lhe um dos maiores socos que ele já tomou na vida. Daí em diante foi sangue escorrendo pra tudo que é lado, numa velocidade incrivelmente rápida.

Enquanto observávamos a briga acontecendo, percebemos que ainda havia um dos membros do grupo rival ali, esperando pra ser escurraçado. Por sermos maioria, achamos por bem não bater nele, o que não quer dizer que deixaríamos ele sair assim, sem punição nenhuma. Derrubamos ele no chão e tiramos as coisas que estavam em seus bolsos e suas mãos. Não era um roubo, estávamos tirando para jogar no mato, ou jogar na rua, ou simplesmente para humilhá-lo com nossa sagacidade.

Em meio a isso, Renan (não falei que ele ia participar?) correu até mim e disse “cara, o que eu faço com isso?”, falou ele mostrando a bíblia do rapaz. Eu, como nunca fui ligado a “sagraciosidade” da Bíblia disse “Ah, sei lá, joga longe”.

Naquele momento Renan largou a Bíblia no alto e esperou ela cair vagarosamente até uma altura onde ele pudesse chutar. Puxou o pé para trás e…Com certeza você que é crente está imaginando que neste momento um raio caiu em cima de Renan, ou que a perna dele quebrou antes que ele pudesse fazer alguma coisa ou simplesmente está achando que algo o impediu de fazer isso.

Não, nada o impediu. Ele deu um chute na Bíblia. A Bíblia voou como nunca descrito antes em passagem nenhuma dela mesma. Foi um emaranhado de papel pra tudo que é lado e largamos o dono da bíblia lá no chão, protegendo-se dos algozes enquanto corríamos até Bibinho.

Antes de irmos embora, Bibinho teve a brilhante idéia de darmos a volta pelo quarteirão e encontrarmos aqueles que estavam planejando para emboscá-lo. O acontecimento ali foi tão rápido que conseguimos encontrá-los ainda no meio do caminho.

Cada um ficou com um e a briga foi rápida, exceto pelo fato de que Bibinho ficou torturando psicologicamente um dos cristãos. Enquanto gritava com ele e ameaçava deixá-lo sem saco, um dos portões vizinhos abriu e uma mulher perguntou o porque de Bibinho estar fazendo isso. Com um humor
secamente maravilhoso, Bibinho respondeu-lhe
– To batendo nele porque ele abriu o portão pra perguntar o que eu estava fazendo.

A mulher pareceu entender a piada e rapidamenteo bateu o portão, voltando ao conforto de seu lar, onde ninguém a ameaçava.

Daquele dia em diante, esta foi uma das brigas épicas que contamos por gerações e gerações. Até hoje lembramos dela e alguns já até ignoraram certos fatos, mas estes amigos, é um relato deste que vos fala.

Talvez por isso eu vá para igrejas hoje em dia quando me convidam. Na esperança de algo euforicamente interessante acontecer. Seja o arrebatamento ou seja uma briga do nível de infância novamente.

Na situação em que estamos, diria que é mais fácil eu encontrar briga indo a igreja do que a salvação.

Para aqueles que quiserem posso conseguir uma visita na prisão a este meu grande amigo. Assim vocês confirmam a história. E aí, vai querer?

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4 comentários

  1. É bem curioso como a bondade e compaixão é disseminada. Os ‘forasteiros’ sempre serão tratados de forma diferente, e qualquer coisa ‘negativa’ que ocorre é atribuída ao grupo ‘de fora’. Sorte de quem tem um porradeiro por perto!

  2. Porra, “Bibinho”? Sério? Ele não tinha um outro apelido q ñ combinasse mais com ele ñ?

    E esse negócio de achar q Deus vai t matar por ter destruído suas sábias palavras, besteira

    Marilyn Manson enriqueceu com isso…

    PS: Mijei de tanto ri com o post

  3. Cara… Muito bom. Muito, muito bom.
    E esse Bibinho, eu quero conhecer esse cara. Ele parece mais macho do que eu. E olha que isso é uma coisa difícil… oi?

    Não sei como não tinha lido esse texto até agora. Valeu a pena!

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