À prova de tudo

É da sabedoria de todos que me conhecem (ou me seguem) a minha fúria com àqueles que vêm a público apenas para dizer que “sábado farei uma prova da UERJ”, ou “ae, sábado agora é ENEM”. Sinceramente, eu não vejo em quais situações rotineiras isso poderia ser uma informação útil. Claro que nem só de informações úteis vivem o homem, mas esse tipo de informação passa longe do que poderíamos classificar como “Inútil útil”.

Por exemplo. Saber que uma senhora espanhola (Nascida na Espanha, não uma prática sexual bem feita) possui o Sol legalmente falando, não é útil para sua vida, mas é tão curioso que é engraçado você saber disso.

A minha raiva maior é quando estas mesmas pessoas ficam a semana inteira falando, se preocupando, mostrando vontade pra estudar, se matriculando em cursos relâmpagos e comentando sobre a prova que irá fazer. Após o término da prova, começam as chacotas, as piadinhas, as “pré-adolescentices”, as “tá bom, eu fiz só por fazer mesmo”, “eu sabia que não ia me dar bem, eu fiz só pra ver”. No cu que alguém vai ficar estudando 6 meses, vai perder dois dias ensolarados de sua vida na esperança de “passar se passar”, porque fez a prova “só por fazer”. No cu da Creusa que isso é verdade.

Pois bem, nesse caso nem foi esse tipo de gente odiosa que eu encontrei. Esse tipo de gente odiosa você encontra aos montes no twitter, lugar certo para quem quer reclamar e ver reclamações.

Eu encontrei a pior das espécies capazes de serem encontradas em um ambiente inóspito desses, o ambiente de “provandos”. O “Cricketus Sábius pra Caralhus“, popularmente conhecido como “Bicho Grilo Sábio Pra Cacete”.

O Bicho Grilo é aquela criatura que fica fazendo provas aleatórias, estudando durante todo o seu dia inútil e falando para os outros as suas conquistas, mesmo que elas só tenham significado para você ou, na pior das hipóteses, nem pra você mesmo elas têm significado. Nem seus parentes querem mais saber de suas micro conquistas.

Explicando a situação.

Acordei muito cedo para ir fazer a prova. Para um sábado, eu diria que acordei de madrugada. Junto comigo mais 2 pessoas fariam a prova, logo, como eu iria de carro para lá, ficou combinado de passar nas respectivas residências e levar ambas (minha irmã e sua amiga) para o recinto de realização da prova.

Chegamos, fizemos algumas piadas, conversamos sobre vários acontecidos, em meio a toda aquela gente ávida por números. Tinha pessoas com livros abertos em cima das mesas do refeitório. Uma dica rápida, se você estudou o tempo que estudou e não conseguiu aprender, não é na hora da prova que a sua mente vai se abrilhantar e você virará o novo gênio da medicina moderna.

Entrei na sala pra fazer a prova e todos já estavam sentados. Ar condicionado, ventilador e alguns sorrisos amigáveis. A vantagem do ar e do ventilador era que o calor que fazia no Rio de Janeiro (isso às 9:00 da manhã) era insuportavelmente quente, logo, um ventiladorzinho caía muito bem.

Pois bem. Fiz toda a prova, com muitas dúvidas e muitas questões pendentes. Muitos chutes e muita coisa a se fazer ainda. Após isso, ainda eram 11:29, horário longe demais do horário de se segurar até levar a prova pra casa (13:00) e perto demais de ser o primeiro a deixar a sala.

Como toda pessoa boa de coração, mesmo sabendo que as meninas iriam demorar, eu resolvi esperá-las para voltarmos para casa juntos. Claro que esse também tinha sido o combinado, mas faço questão de frisar a minha importante decisão de ficar e esperá-las. Queria companhia para voltar pra casa.

Nesse meio tempo, fiquei ali no portão, rodeado por gente que também tinha feito a prova e que também estava esperando algum amigo ou parente. Enquanto me distraía com o voar dos pássaros, com o chacoalhar das folhas das árvores, comecei a ouvir o som comumente proferido pelos “Bichos Grilo”. Fui me aproximando, com cautela para não afugentá-lo, embora esta raça maldita goste muito de atenção das pessoas ao redor, há boatos que dizem que dependendo de sua cara eles podem se afugentar e ficarem calados. Claro que, naquela situação, calá-la seria um favor que eu faria.

Suas vestimentas eram sinais óbvios de um “Bicho Grilo”: Saia desfiada, blusa larga e mal lavada, chinelos de dedo e o cabelo emaranhando como um ninho acima de sua cabeça.

Eu ouvi algumas sábias palavras uma vez e as reproduzo aqui: “Chinelo de dedo não foi feito para sair de casa, foi feito para ficar em casa”. Por mais “moderninho” e “prafrentex” que você seja, usar chinelo de dedos não te faz uma pessoa descolada e desapegada a moda, faz de você um maltrapilho imundo e que precisa urgentemente de atenção. Não há comercial bem feito das Havaianas que possa lhe dizer o contrário.

Visual típico do Bicho Grilo

O Bicho Grilo proferia frases como “se essa tem gente assim, imagina da UERJ que é tudo discursiva”, para logo em seguida dar seu grito desesperado de atenção e de aplausos: “Eu passei na UERJ”.

Agora, caros amigos, digam-me. Em qual situação você, uma pessoa estupidamente inteligente, altamente diplomada e com a inteligência de pôr inveja em William James Sidis, por quais motivos você iria querer fazer uma prova INFERIOR para uma universidade claramente inferior aos seus níveis de conhecimento?

O que eu fico tentando entender é o porque de você querer fazer uma prova para uma universidade inferior se você já havia conseguido passar na prova para uma universidade altamente disputada em seu estado. O que me leva a crer que aquele “Bicho Grilo Filho da Puta” estava mentindo, obviamente.

E tudo que ela dizia, ela dizia em tom de “Olhem pra mim, estou falando alto para que todos vejam”. Não era uma conversa dela com a conhecida dela, era uma conversa dela com TODOS ao seu redor. Isso é altamente repugnante, não importa o quanto minha sogra diga ao contrário*.

Sabe aquele tipo de gente que fala de um assunto, você conta uma história sua e ela ignora completamente o que você disse somente para ela poder falar dela? Aquele tipo de gente que nunca está conversando com você, ela está sempre falando e pedindo atenção, nunca dando. Então, é esse tipo de gente que o Bicho Grilo se encaixa.

Para finalizar, o Bicho Grilo passou por mim e se encaminhou para o lado de fora do colégio, onde rapidamente fez amizade com algumas pessoas próximas só para repetir TODAS as histórias que o pessoal lá de dentro já estava cansado de ouvir.

No fim das contas, a Bicho Grilo revelou-se ser uma moradora de Santa Tereza, um bairro longe pra caralho do local onde a prova estava sendo realizada e para qual o Polo seria destinado. Aí fica a pergunta: Se ela passou na UERJ e se ele mora há 10 minutos de lá, por quais motivos insólitos essa filha da puta resolveu fazer uma outra prova para uma universidade há séculos de distância de casa?

Tudo me leva a crer que além de bicho grilo ela era uma bela de uma mentirosa.

* Minha sogra tem a horrível mania de parar em qualquer lugar, olhar pro lado e puxar assunto com a primeira criatura em seu campo de visão. Seja ele desconhecido, conhecido, um vagabundo, uma prostituta pegando ônibus com a gente ou o que quer que seja.
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