Um convite surpresa

Caros amigos, essa é mais uma daquelas histórias em que você acaba caindo no meio dela sem mesmo saber como começou. Uma daquelas histórias em que, se fosse um filme, ela começaria do final e depois voltaria ao começo.

Em honra ao seu pacto de amizade, você acaba passando por coisas que não desejaria nem para o seu pior inimigo.

Certa vez um grande amigo meu me telefonou solicitando que eu fosse com ele no sábado a um determinado local no Centro da Cidade. Ele não me falou onde era, falou só que precisava da minha ajuda para ir a uma loja. Como eu sou conhecedor de apetrechos de informática e sempre o ajudei com este tipo de coisa, eu imaginei que fosse algo desse tipo. Uma ajuda referente ao seu computador.

Como este é um grande amigo e nunca demonstrou ter problema nenhum em me fazer favores, aceitei acompanhá-lo sem hesitar.  Nem mesmo questionei o horário nem nada.

Como já dito aqui, todo sábado eu ia para um curso que fazia em Copacabana. Como moro longe pra diabo, eu sempre passava pela região a qual meu amigo solicitou minha presença. Logo, não seria esforço nenhum pra mim acompanhá-lo.

No dia combinado, cheguei uma hora mais cedo na esperança de encontrá-lo e irmos juntos verificar o tal computador ou as peças que ele queria.

Ao chegar, ele já chegou com uma cara muito sem graça. Dizendo que precisava da minha ajuda mas que não sabia como pedir. Estava visivelmente sem graça com a situação que viria a me sugerir.

Neste momento já imaginei todas as maneiras possíveis de esmurrá-lo caso ele pedisse algo que degradasse minha integridade.

Vejam bem. Não tenho NADA contra ninguém que faça coisas contra (ou a favor, dependendo do ponto de vista) sua própria integridade, contanto que não queira que EU me envolva nisso, não vejo problema nenhum.

Meu amigo foi direto.

– Tem como ir num Sex Shop comigo?

Sabe uma daquelas situações que você não tem a menor idéia do que responder? Então, foi essa daí.

Não que eu visse problemas em ir a um sex shop. Problema nenhum, aliás. Eu só não conseguia imaginar que uma pessoa como este meu amigo, alguém super sério e que sempre passou a impressão de que fazer determinadas coisas era pecado.

Óbvio que estou exagerando. Qualquer pessoa, independente de sua religião tem OBRIGAÇÃO a realizar todas as suas fantasias. Não sei o que a bíblia diz sobre isso e, sinceramente, estou pouco me importando. Se você discorda e acha que recriar o ambiente de Adão e Eva no seu quarto, onde a maçã é uma vela estroboscópica que acende e exala aroma é pecado, então guarde esta sua opinião com você. Ninguém quer saber dela, além de você, é óbvio.

Mesmo estranhando toda a situação eu aceitei. Não via motivo algum para todo aquele mistério feito por este meu amigo, mas também não via necessidade de companhia para entrar em um local como este.

Pelo passado desta pessoa, imagino que ela nunca tenha entrado em um ambiente como aqueles.

Você aí, com 13 anos e a mão dentro das calças, deve estar se perguntando que tipo de ambiente estou falando, né? Eu explico. Se você já sabe exatamente como é este clima, pule para o próximo parágrafo.

Sex Shop é exatamente o que sua mente pervertida imagina como seja um shopping do sexo. Tirando os devidos exageros de filmes pornôs, onde as atendentes de Sex Shop são loiras gostosas com silicone até nos fios do cabelo e com disposição para testar cada tipo de produto e de óleo no próprio corpo enquanto você se delicia com a visão, nestes Sex Shop os atendentes costumam ser caras barbudos e com pouca disposição para elucidar suas dúvidas de onde enfiar cada aparelho. Pra falar a verdade, é até bom mesmo que você não queria enfiar nada que venda em Sex Shop dentro de você. Isso se você for homem, claro.

Parque de diversão da sacanagem

Parque de diversão da sacanagem

No resumo da história, partimos meu amigo e eu para este respeitado recinto.

Vamos fazer um teste?

Você é um nobre trabalhador de um balcão de Sex Shop. Você está acostumado a lidar com todo e qualquer tipo de casal que chega até você. Veja também que você não está ligado aos preconceitos costumeiros. Para você é comum ver um grupo de 3 ou 4 caras comprando alguns brinquedinhos na esperança de dar a eles a “surra de borracha” que tanto almejam.

Agora, diante desta visão, diga-me o que você acharia se entrasse em sua loja um cara comum e um cara DE CABELO GRANDE.

O cara, claro, não falou nada e nem deu a entender o que ele achava da situação. Achava não, tinha certeza.

Assim que adentrei a loja percebi exatamente a situação em que estava me metendo. Tanto foi verdade, que todo e qualquer produto que o cara explicava ele dava a função a ser usada no caso de relação gay. Nunca o cara explicava de uma forma que houvesse uma vagina (órgão genital feminino, pra quem não sabe) no meio. Eu comecei a ficar preocupado.

– Este óleo aqui você pode usar para lubrificar no caso de sexo anal…

– Esta “qualquer coisa” aqui você enfia no ânus e…

Se não bastasse eu me passar como homossexual, eu ainda estava me passando pelo homossexual passivo. Longe de mim querer parecer o ativo, mas naquela situação, eu nem mesmo sabia qualquer a melhor impressão a ser passada.

Fora a minha situação, havia um outro casal (homem e mulher) que estavam comprando um cinto com um “dildo” pendurado. Eu não consigo imaginar situação nenhuma em que um homem (já dotado de um dildo natural) comprasse um dildo para satisfazer a esposa. Era óbvio que a relação ali ia dar uma “aprofundada” a mais…no cara, pra variar um pouco.

Em meio ao meu próprio preconceito, percebi o erro que estava cometendo julgando o meu próximo. Vai ver o cara nem era casal coisa nenhuma, só um amigo muito do fudido que acabou aceitando um convite da amiga e acabou caindo numa arapuca como essa.

Pra garantir, toda vez que este meu amigo me chama pra algum lugar eu gosto de tirar todas as dúvidas que puder. Para evitar surpresas desagradáveis.

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