Minha vida de contravenção

Quem olha para mim agora, com essa com essa cara de idiota não imagina que alguns capítulos da minha vida serviram de inspiração para alguns filmes famosos como 11 Homens e um segredo e outros feitos por aí.


Tá certo que eu não tenho nenhuma cara de membro da liga cristã da boa juventude, mas convenhamos que pra um bandido eu passo longe. Pelo menos eu acho.
Há uns bons anos atrás eu era apenas um pequeno mancebo em uma das muitas residências em que já vivi. Rodeado por irmãos por todos os lados era apenas questão de tempo para dar alguma merda.

Avalie da seguinte forma: três de meus irmãos vinham da família do meu pai e traziam consigo uma bagagem de malandragem adquirida na FAVELA onde moravam. Eu não saberia definir melhor essa antiga fase deles, mas posso dizer que não deve servir de exemplo pra nenhum de seus atuais filhos.

Graças a essa mistura de famílias nós acabamos trocando conhecimentos de nossas vidas
Anteriores. Eu e meu irmão ensinávamos sobre videogames e coisas de jovens tecnológicos que éramos e eles…bem, eles nos ensinaram algumas coisas que não deveriam. Duas delas merecem destaque maior.

A treta da Raspadinha

Sabe aquele bilhete que você compra, raspa e depois estapeia a própria cara por ter desperdiçado a grana? Então, meus irmãos descobriram que elas eram feitas de um modo bem peculiar. Na área onde era “raspável” era posto uma espécie de papel vegetal bem fino para imprimir os números e depois botavam aquela camada de coisa para raspar. Vale lembrar que hoje em dia o processo é outro, portano não tentem fazer isso em casa ou vocês vão se ferrar magicamente.

Acontece que eles descobriram isso e perceberam que podiam pegar várias “raspadinhas” já raspadas e utilizá-las para montar uma nova. Dessa vez, premiada.

O processo era simples. Com um estilete você cortava levemente o número que queria, retirava aquela camada e colava em uma outra raspadinha, transformando uma raspadinha incapacitada em uma pequena fonte de renda ilegal. Não sei por quanto tempo fizemos isso, nem nunca fizemos isso com prêmios absurdos porque sabíamos que se passasse pela mão de uma segunda pessoa, que não o jornaleiro, nossa farsa seria descoberta.

Lembro de uma das vezes onde, talvez já desconfiado de nossa extrema sorte, o jornaleiro deu uma raspada com a unha no local onde havíamos colado o novo número e ele descolou. No instante em que ele desviou o olho para pensar o que faria naquela situação, nossas pernas correram infinitamente mais rápido do que tudo que já havia presenciado.

Daquele dia em diante largamos o “esquema” das raspadinhas e resolvemos partir para um outro golpe. O da ração do gato.

O Golpe da ração do gato.

Eu digo com todo orgulho que tenho que nunca tive orgulho nenhum nesse golpe da ração do gato. Tá certo que na época eu me divertia e não tinha a menor noção do que eu estava fazendo, mas isso não me isenta da culpa de ter desviado ração de gato do antigo (ou ainda existente, vá saber) Rainha de Coelho Neto.

O golpe da ração de gato consistia em irmos até o supermercado, comprarmos algumas bisnagas e andarmos pelo mercado nos distraindo um pouco.

Sem qualquer noção de higiene e sem nenhum medo da lei, nós comíamos todo o miolo de uma das bisnagas escolhidas. Possivelmente da mais rechonchuda, por motivos que você entenderá em breve.

Depois de comermos todo o miolo do pão, enquanto caminhávamos pelo supermercado, era a hora de comprarmos a ração do gato, com a diferença que não pagávamos nem sequer um centavo por ela.

A ração era posta cirurgicamente DENTRO da bisnaga devidamente desprovida de seu miolo. Depois colocávamos a ponta do pão de volta, com um precisão cirúrgica e partíamos para o caixa. Pagávamos os pães e caminhávamos de volta pra casa, na esperança de alimentar os irmãos aguardando o café e nosso querido gato.

Eu te digo que nessa época nossas despesas da casa não eram lá tão escassas. Não saberia detalhar exatamente o porque fazíamos isso e nem se havia necessidade real disso. Acho que fazíamos simplesmente porque nos achávamos “cool” extraviando produtos de grandes redes de supermercado.

Vale ressaltar que meus irmãos não fazem esse tipo de serviço hoje em dia, sendo até MUITO responsáveis em suas funções de pais de família. Um deles até me convidou para ser padrinho de um de seus filhos e devo dizer que tudo que possuem hoje é mais do que merecido. Isso realmente faz parte deum passado remoto e não devemos responder por isso na hora de um grande arrebatamento. Obrigado.

– Post inteiramente digitado no meu A50 “Oi Xuxa”.

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