Minha habilidade no futebol

<div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Eu sou um Ás do futebol, como vocês devem saber. Há alguns anos atrás (ponha alguns nisso) eu me inscrevi em um time de futebol, incentivado pelos amigos. Eu era tão bom naquilo, mas tão bom, que eu não tinha a menor idéia do que minha “posição” deveria fazer em campo. Apesar de todos os desencontros, eu me sentia um pequeno Pelé naquele campo de gramado escasso e de jogadores semi-profissionais.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Todo sábado pela manhã o ritual era o mesmo: Acordar cedíssimo, tomar um café leve para não atrapalhar meu desempenho físico, me arrumar sonhando um dia fazer aquilo profissionalmente, sair pela rua de chuteira e uniforme em um belo uniforme de camisa azul e short branco (o campo era conhecido como Campo do Cruzeiro, logo os organizadores da escolinha decidiram que usar o nome do time porque seria mais lógico. Daria a impressão de algo profissional) e sair pela rua chamando os dois outros amigos que também participavam da mesma empreitada que eu.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Certa vez, Thiago, </span><a href=”https://vamosdevan.wordpress.com/2010/01/17/perdao-bonecos-e-erros-que-cometemos/”><span style=”font-size: medium;”>o mesmo daquela história do boneco</span></a><span style=”font-size: medium;”>, resolveu que não iria para a escolinha. Ao invés de sair no portão e falar para nós como bom e velho amigo, a moçoila resolveu mandar sua irmã com a cara de quem acabara de acordar para nos avisar que ele estava doente e não iria para o treino. Compadecidos com a situação de nosso companheiro de aventuras, achamos por bem entrarmos para darmos ao nosso companheiro um pouco de nosso carinho e atenção. Após muita insistência de sua irmã, decidimos que não seria realmente legal. Iríamos acordá-lo, iríamos incomodar toda a família apenas para acabar com a fars….digo, apenas para darmos um abraço em nosso amigo.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Convencidos de suas necessidades, já estávamos nos virando para irmos embora quando percebemos um par de olhos grandes e observadores em uma das janelas. A pessoa parecia estar dando o máximo de si para se esconder. Mas sabe como é a esperteza das crianças, né? Aquela coisa de se esconderem atrás das cortinas e deixarem os pés de fora. Com a mesma técnica Thiago tentava, em vão, se esconder atrás das cortinas. Quem estivesse do lado de dentro da casa, com certeza só veria seus pés por baixo das mesmas, talvez até conseguindo passar despercebido. Mas nós, que estávamos do lado de fora, víamos claramente sua silhueta atrás do vidro ondulado. Não preciso dizer que seus momentos de felicidade terminaram ali, né? Além de zoarmos a irmã dele de mentirosa e ele de um péssimo jogador. Ficamos alguns bons minutos gritando em frente sua casa que ele era preguiçoso. Que ele estava fugindo porque não aguentava o tranco de um jogador profissional. </span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Só foram precisos mais algumas semanas para percebermos que nós também não tínhamos. Era uma mentira atrás da outra para não precisarmos ir. Aquele ânimo todo de começo de qualquer atividade não existia mais e tudo que nos restava era a vontade de dormir mais um pouco e de passar logo aquele horário de atividade esportiva. Quem foi o imbecil que me convenceu a entrar em um time de futebol? Ah, já sei. Foi o imbecil que estava se escondendo atrás das cortinas algumas semanas antes.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Depois de alguns anos eu ainda relembrei todo este ritual e esses sentimentos quando pegava uma carona com meu irmão para minha antiga morada e assistia ao jogo de futebol dele toda manhã. Exatamente no mesmo campo em que eu jogava alguns anos atrás. Algumas vezes isso me trazia nostalgia, outras me trazia vontade de jogar novamente, mas na maioria das vezes eu não sentia nada e ficava ouvindo minhas músicas no carro do meu irmão enquanto o jogo não terminava.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span><a href=”http://cdn.epltalk.com/wp-content/uploads/2009/11/kids-football.gif&#8221; onblur=”try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}”><img alt=”” border=”0″ src=”http://cdn.epltalk.com/wp-content/uploads/2009/11/kids-football.gif&#8221; style=”cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 281px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 545px;” /></a></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”white-space: pre;”><span style=”font-family: arial;”><span> </span></span></span><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”>Tudo isso também me faz lembrar das diversas aulas de educação física que eu não fiz na escola. Eu era perfeitamente apto a realizá-las, mas não fazia sentido para mim correr e saltar por alguns obstáculos, ou simplesmente quicar uma bola no chão e arremessar contra uma trave (Handebol é algo que NUNCA fez e nunca fará sentido pra mim). Nas poucas vezes em que pensei em me dedicar, foi a ser goleiro, afinal, não seria preciso um  condicionamento físico tão bom assim. Só precisava ficar parado, pular pro lado certo e pronto. Bola na mão e grito da torcida. </span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Quem me dera fosse simples assim.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”white-space: pre;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”>     </span></span></span><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”>Durante alguns anos dessa minha mesma juventude, resolvi que participaria das peladas organizadas pelos amigos em um campo cheios de pedra perto de casa. Como meu pé era sensível (Gay?) eu não podia ficar correndo por aí descalços, logo, resolvi virar o goleiro. Eu aceitava ser goleiro com algumas certas condições: Não podia dar bicuda, não podia chutar de perto e não podia fazer nada que pusesse minha vida em risco. Era meio “criado por vó”, eu assumo, mas eram as regras que eu precisava submeter meus amigos para que eu ficasse vivo até o fim do jogo. </span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Entenda como minha fé é tola. Um dos meus amigos está preso atualmente, então é de se imaginar que em meio a amigos deste nível (que fique claro que ele é o único que descambou pra esse lado, os outros ou se mudaram ou viraram gays) nenhum deles seguiria as regras impostas por mim. </span></span><span style=”white-space: pre;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”> </span></span></span><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”>Era chute na cara, voadora, pedra voando com as bicudas que eles davam. Tinha todo tipo de chutes especiais. Parecia até um jogo de videogame onde o personagem dá um chute na bola e ela se transforma em um cometa vindo em minha direção. Em uma dessas eu até consegui agarrar a bola com o cabelo, mas era raro o momento em que eu conseguia realizar uma defesa com precisão. Na maioria das vezes ela passava por mim de um jeito que eu nem conseguia vê-la. Foi questão de tempo para eu desistir novamente.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Minha trajetória no futebol foi tão rápida que hoje me pergunto se seria uma pessoa diferente caso tivesse continuado lá. Me pergunto se saberia ler com perfeição e se conseguiria escrever com tanta afeição assim caso continuasse a jogar futebol. Meus interesses seriam outros? Eu deixaria de ser bom em Fifa no PS3 (Chupem, eu tenho um PS3) e passaria a ser bom no futebol da vida real? Se não fosse preciso tanto esforço eu tentaria novamente. Se não fosse preciso tanta força de vontade em ignorar os pequenos crimes que o futebol comete, como criar inimizades, afrontar nossa dignidade ou coisa do tipo eu tentaria novamente. Dessa vez com um pouco mais de sagacidade, afinal, eu não seria só um jogador de futebol. Eu seria um jogador de futebol que contaria tudo que vi no jogo em um blog e isso, meus amigos, é coisa rara de se ver hoje em dia: Um jogador de futebol que sabe escrever.</span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”></span></span></div><div style=”text-align: justify;”><span style=”font-family: arial;”><span style=”font-size: medium;”><span style=”white-space: pre;”>     </span>Em resumo: Eu não sou um bom esportista, Handebol é para frustrados no  futebol/basquete e durante boa parte deste texto eu me vi como uma menininha chata e mimada. Que vida de merda era a minha. Embora, eu admito, eu tenha gostado bastante da minha infância. E você? Teve uma infância tão cheia de atividades assim?</span></span></div>

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