E assim morreu o humor!

Já repararam como é fácil fazer humor no Brasil? Só fazer uma rápida análise com os programas de humor ainda existentes e vai perceber o que estou falando.

Vamos exemplificar criando um personagem totalmente novo para algum periódico da tv aberta? Lógico, seguindo os padrões exigidos pelos mesmos. Vamos lá.

O primordial para um bom personagem de humor é ter alguma bagagem extra. É ter alguma coisa que chame sua atenção logo de cara. É o que vai prender a atenção do telespectador logo que ele passa pelo canal, caso ele não esteja vendo uma de suas novelas infinitamente repetidas. Para isso, podemos usar uma característica muito comum em personagens de humor: Uma bunda enorme com peitos gigantes de silicone. Se conseguir citar apenas um programa atual onde não haja este personagem eu te dou um prêmio.

Ótimo, já temos uma das principais características que nos faz um ótimo personagem de humor brasileiro. Desenvolva um jargão bem simples para que todos na rua possam gravar e repetir em qualquer canto que você vá. Nada complexo demais, nada de língua estrangeira, a não ser que dê uma conotação incrivelmente sexual em sua frase. Mas no geral, de modo bem simples, o jargão precisa ser algo que seja fácil de gravar. Algo como “É, né!”. Pronto, temos mais um ponto primordial para a criação de nosso personagem. Será fácil associar a frase “É, né!” com qualquer possível esquete que venha a ser desenvolvida com o personagem.

Temos peito, bunda e um jargão de fácil acesso ao público. Do que mais precisamos? “Texto” é só algumas palavras que separarão um jargão de outro jargão, logo, não será preciso um texto muito elaborado nem uma continuidade muito incrível. Só precisamos de alguém para comprar nosso programa e pronto.

Não só pela falta de criatividade em relação ao texto, o humor nacional também sofre de um problema que eu chamo de “Falta de criatividade a longo prazo”. Uma coisa comum em seriados de qualquer gênero é o “plot”. Plot é a característica mais marcante do seriado. Do que ele tratará, onde ele passará, tudo isso pode estar envolvido em um plot. Por exemplo: Dois caçadores homossexuais com carinha de criancinha sem saber definir quem é loiro ou moreno lutam contra criaturas sobrenaturais enquanto ouvem Black Sabbath e pegam garotas. Este é o plot de Supernatural.

Enquanto os seriados americanos são cancelados quando o plot já está batido ou já não se tem mais o que falar do tema, no Brasil uma prática muito comum e que me causa ojeriza é a prática de mudança de plot. Quando seu seriado é sobre duas garotas que alugam um bar e vivem altas confusões ali e não se tem mais o que contar no segundo programa, por que raios de motivo você acha que está certo ao alterar completamente o sentido da série e continuar contando histórias com os mesmos personagens mas em uma outra situação. Aquela série deixa de ser sobre uma academia badalada e passa a ser de uma escola chata e sem sentido. Nos EUA eles são dignos e assumem que a série foi pro saco. Imagina termos que aturar a história entediante de Fox Mulder depois de ter sido abduzido por um ET e viver altas aventuras em um shopping espacial. Tenham respeito pelos fãs. É o mínimo que pedimos.
A hora do óbito

 

É incrível como o humor está morrendo em uma velocidade absurda. Não é só no Brasil que ele vem definhando cada dia mais, mas em alguns filmes estrangeiros ele também já dá o sinal de fracasso que vem assolando nossas cabeças sedentas por um bom e velho humor. Ou melhor, quando aqui isso era uma prática comum, nós ainda tínhamos os filmes extrangeiros de real qualidade para nos acalmar. Se nem isso nós temos mais, para onde iremos correr?

É fato que hoje em dia não dá mais para jogar alguns cadetes da “Academia de Polícia”, imitar alguns sons com a boca, repetir algumas piadas e ver uma centena de jovens sorrirem alegremente. Hoje precisamos de muito mais para conseguirmos arrancar um sorriso, ainda que de meia boca, do rosto de algum espectador. Não sei se pela era da informação, não sei se pela burrice generalizada ou pela falta de capacidade de alguns em entender uma simples ironia ou sacar uma simples piada, sem uma claque que te informe a hora exata de rir. Exemplo claro disso é que vejo alguns comentários me censurando por minha visão generalizada no post sobre os roqueiros que eu fiz alguns posts atrás. Eles são inteligentes o suficientes para ler o texto, mas não o bastante para sacar que todo o texto é uma piada. Se bobear eu mesmo me encaixo em grande parte daquele conteúdo. Se tivessem um pouco mais de atenção, perceberiam que é puro sarcasmo.

Voltando ao assunto. A questão é que hoje em dia está muito difícil ir até a locadora e algumar um filme rotulado como comédia sem saber se você vai ter um ataque de peitos e bundas gigantes na sua tela, ferindo a visão de sua avó puritana ou se vai ter um filme que comece engraçado e termine depressivo te fazendo repensar todos os atos de sua juventude até hoje, chegando ao cume onde você se mata por perceber que toda sua juventude foi uma sucessão de erros e que nada que você fizer mudará isso. Nem mesmo se matar.

O que era pra ser um filme de algumas horas, onde você senta, se diverte,  

ri e comenta por algumas horas ou dias em mesas de bar, torna-se um fardo pesado e difícil de se carregar. O filme passa a invadir seus momentos de intimidade para revelar que você não teve escrúpulos quando pequeno e que agora merece nada menos do que a morte (ou uma simples conjutivite, dependendo do caso).
 


O mais incrível é que não foi apenas um filme (se você não percebeu que eu estava falando de Click, você não tem baço), de apenas algumas horas. Isso está virando moda nos filmes que vêm para nossa humilde terra. Muitos estão seguindo a mesma linhda e, arrisco-me a dizer, todos estão fadados ao fracasso. Embora tenha que admitir que Click foi um ótimo filme, os filmes que estão seguindo a mesma linha (Psicólogo, com Kevin Spacey – que embora não seja de humor, está sendo vendido por aqui com este rótulo – “Tá rindo de quê?” com Seth Rogens, e muitos outros) estão errando grosseiramente na tentativa de nos fazer rir e depois chorar. Se em Click você tinha alguns minutos de piadas antecedendo momentos tristes, nestes “novos” filmes você tem momentos de tristeza antecedendo momentos ainda mais sofridos. Não de drama, não confundam. Momentos tristes mesmo, onde você quer tirar seu fígado pelo ouvido, morder um suculento pedaço dele e enfiar novamente no seu local de origem, só para gerar algum sentimento nobre enquanto assiste estas obras de arte.

O pior é que se você não sorriu em nenhum momento deste texto, das duas uma, ou eu estou caindo no mesmo erro que meus colegas americanos ou eu estou precisando apimentar o texto com mais peitos e bundas gigantes.




P.s: Eu sei que personagem é feminino, mas eu não gosto dessa classificação então eu a uso como quiser.
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