Cry me a River

É com este título de uma música do Justin Timberlake que eu inicio um dos posts que mais vão entregar sobre minha personalidade. O ato de chorar por si só já é degradante (tem regra na língua portuguesa sobre três palavras acentuadas em seguida?) e é uma verdade absoluta que hoje em dia os programas de televisão tentam ao máximo tocar em uma parte de seu cérebro que te faça sentir-se uma mulherzinha e cair em lágrimas, seja onde for: Cinema, shopping, sentado no sofá, no motel. Onde for, não há limitações para a falta de escrúpulos de Hollywood e seus tentáculos de emoções.

Eu não sou um cara sentimental. Sou um cara tradicional. Gosto de ver filmes, gosto que as emoções cheguem até mim mas dificilmente vejo algo realmente digno de marejar meus lindos olhos castanhos. Tá, eles não são lindos, mas são olhos, o que faz dessa frase uma meia verdade.

AVISO

Caso você não tenha interesse de acompanhar Lost ou caso você já acompanhe mas esteja nas últimas temporadas, não tem problema algum em ler o texto a seguir. Caso não tenha visto ainda mas tenha intenção de ver, pare por aqui porque irei comentar um caso da série.

Pronto, agora podemos continuar sem interrupções de gente chata que fica se esmigalhando em lágrimas porque leu um spoilerzinho de nada.

Continuando o assunto. Poucos momentos da indústria cinematográfica foram importantes o bastante para me fazerem chorar e demonstrar meu lado mulherzinha. Por sorte eu sempre caio em desgraça quando estou sozinho.

Listo abaixo os poucos, vale sempre lembrar que foram poucos, momentos que me fizeram lembrar de como eu sou um franguinho indefeso diante de certas situações.

LOST

Essa série é um prato cheio pra ficar instigando aquela parte do seu cérebro que diz “Você vai chorar, seu filho de uma p***”. Em vários momentos de Lost esta área do meu cérebro foi afetada. Eu fiquei meio com medo, fiquei tenso, fiquei apaixonado pelas atrizes. Eu tive várias reações assistindo esta série que figura entre uma das 10 mais da minha lista de séries favoritas.

vejam o vídeo abaixo:

Não importa a hora, o dia, a época que eu vir este vídeo. Eu SEMPRE vou me emocionar ao ver o Charlie se esforçando ao máximo para morrer e salvar os outros membros da ilha. Eu me segurei por horas pra não soltar lágrimas vendo a despedida ensandecida de Charlie, mas não consegui. Ao vê-lo saltar no mar sabendo que o futuro era seu fim, eu não consegui e me acabei em lágrimas.  Este episódio inteiro (“Greatest Hits” – Melhores Momentos -3.21) me deixou com este sentimento deprimente, mas foi neste momento, no salto do Charlie em que meu coração não aguentou e se acabou em lágrimas.

Extreme Makeover

Para quem não conhece, é um programa de gringos designers/arquitetos que reúnem-se para reformar (ou reconstruir) uma casa para uma determinada família, escolhida por milhares de cartas que enviam pra eles (se você pensou em Lar Doce Lar, MORRA). Acontece que, como era de se esperar, a produção do programa escolhe as famílias que têm sempre uma coisa em comum, a morte de algum ente querido. Dificilmente você vê esse programa e não vê nenhuma família que tenha passado por uma tragédia foda e que tenha levado algum ente querido para o limbo. Vejam o naipe do programa.

Acontece que isso não me comove mais. Quem mora no Brasil e quem vê meia hora de TV brasileira, não pode nunca se comover com morte, com separação ou com crianças arrastadas por carros. Sempre tem uma Sônia Abrão da vida ligando pro pai da criança na hora em que ela está sendo arrastada, tudo isso só para mostrar solidariedade à família. Tá bom.

Tudo ia bem enquanto assistia ao show dos designers. Os caras sabem fazer a parada. Infelizmente não tenho um vídeo para vocês, mas posso garantir que foi uma coisa realmente comovente. Imaginem o Gato de Botas, com a cara mais fofinha dele, sendo trucidado por uma lata de refrigerante em camadas, cortando sua pele e retirando seu pêlo, depois sendo jogando em um liquidificador e sendo triturado por hélices vindas de cartazes de Jogos Mortas 64. Imaginou? Foi o mesmo que eu senti quando vi a cena do Extreme Makeover.

O lance é que o garoto havia morrido em um acidente de carro e a mãe estava com o coração dilacerado (sem piada porque isso é brabo). Daí, Ty (o apresentador do programa) resolve trazer a dita senhora um pouco mais cedo para casa, porque tinha uma surpresa para ela. A garota que havia recebido o coração doado de seu filho estava lá e queria agradecê-la pessoalmente. Ah, vá pra p***. Você pode estar batendo no peito aí que é fortão e você não choraria. Quero que você morra e seja estuprado pelos atores de Oz. Não adiantou. Eu estava acordado até aquela hora (a essa altura deviam ser umas 0:30 de domingo para segunda, logo, eu deveria estar dormindo pra ir trabalhar) e meu “sentimentômetro” não estava lá muito bem. Dessa vez a esposa já estava dormindo e eu aproveitei para desabar em lágrimas. Chorei igual criança quando perde seu brinquedo. Tentei parar e não conseguia. Daí no final, para culminar com minha inquietudo, os designers resolvem instalar uma placa de “Vá devagar” onde o garoto havia se acidentado. A mãe chorou, a irmã chorou, eu chorei, metade do mundo que estava vendo deve ter chorado. Só você, o fortão, que não chorou. Adebisi espera por você.

Sete Vidas

Esse não foi um caso meu, mas de uma pessoa próxima. Se você não viu o filme, não leia. Vou revelar um spoiler. Minha ex-cunhada, Andresa, é uma pessoa centrada. Faz faculdade, trabalha (demais, até), as vezes sai com os amigos e gosta muito de ver filmes. Certa vez, fomos ao cinema vermos um filme. Não sabíamos o que ver e eu nem lembro as condições exatas da situação, para ser mais sincero. Entre vários filmes em cartaz, escolhemos ver Sete Vidas. Drama estrelado por Will Smith e uma latina que não me recordo o nome mas que me lembra, de longe, a Eva Mendes.

Para que você entenda, eu avisei do Spoiler, Sete Vidas é um drama onde um cara que tirou a vida de sete pessoas, inclusive de sua mulher, passa a sua vida tentando reverter a situação, oferecendo uma nova vida para outras 7 pessoas. O filme tem uma idéia fantástica, embora meio óbvia. As situações são muito legais e algumas até meio “realistas” demais. Você já deve imaginar o que vem pela frente. O cara se apaixona pela mulher a quem ele doaria o coração, se arrepende de ter que fazer o que vai fazer, mas faz. Sem dó nem piedade ele se mata, com o cuidado de um cirurgião, para manter o coração intacto e poder oferecê-lo a sua, agora, namorada.

Claro que a cena comoveu muita gente que estava no cinema, mas Andresa, a ex-cunhada, não ficou só comovida como também fez questão de chorar e soluçar em altíssimo som. Era impossível não perceber e não sentir vontade de confortá-la. Imagino que todos que estavam próximos quiseram chegar mais perto e abraçá-la, oferecendo um ombro amigo a uma pessoa desamparada que acabara de perder alguém muito querido. Um personagem de um filme.

O melhor de toda a situação é que algum tempo depois, alugamos o mesmo filme para que o namorado dela pudesse ver, para mostrar para ele como o filme é bacana. Acontece que no final do filme a Andresa chorou em igual, ou maior, proporção do que a vez em que estávamos no cinema. Isso não faz dela uma pessoa frágil, só demonstra que ela também tem coração e que você será enrabado pelos atores de Oz se continuar rindo da gente.

Tá rindo de que, maluco?

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4 comentários

  1. Cara. Eu odeio ver Extreme Makeover. Não porque o programa é ruim, é pq ele sempre me emociona e me faz chorar. Talvez seja, conforme vc citou, que horário nos deixe um pouco mais “emotivo”, mas de qualquer forma, eles são fodas na arte de fazer marmanjos chorarem!!!

    Você esqueceu de citar outro clássico dos “fazer durões chorar”, o filme A Espera de um Milagre, onde um negão de 3,40m faz vc chorar feito criança. Não com um soco no meio da fuça, mas sim através de sua comovente historia, que faz com que os olhos encham tanto de lágrimas que seria capaz de um baiacú (nem se esse peixe é grande) nadar neles.
    Aquele que falar que não se emocionou nesse filme, merece ser enrrabado não só pelo Adebisi, mas pelo Esquibeta e toda a comunidade ariana também.

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