Super Trunfo do Jornalismo

Recentemente tivemos uma grande confusão gerada pelos grandes palpitadores da internet sobre a real necessidade do diploma para exercer a função de jornalista. Jornalista, para quem não sabe, é aquela função indigna de passar para palavras humanas acontecimentos hediondos que aconteceram no casamento da Grasi Massafera, no GP de Interlagos, na Ilha de Caras, na festa de 3 anos da Sasha, entre outros acontecimentos Uber importantes que precisam ser passados para nós, meros mortais.

Há, entre estes profissionais, uma cartilha não divulgada de práticas a serem repetidas à exaustão. Você já deve ter se deparado com muitos tópicos citados nesta cartilha, mas por estar tão acostumado com este tipo de artimanha maléfica praticada diariamente pelos grandes jornais, acabou passando despercebido por seus olhos de Lince. Para isso estamos aqui.

Listamos abaixo as práticas mais comuns entre os “profissionais” da informação, com o fim de lhe ajudar se um dia cair de Para Quedas em uma redação ou algo que o valha. Quando você for contratado por um jornal de renome apenas porque você é filho de alguém importante ou porque é gostosa e pôs silicone, você não precisará se dar ao trabalho de enfrentar anos e anos de estudo para repetir tudo que já estamos cansados de ver e mesmo assim ainda compramos os jornais para nos informarem.

Acidentes de Avião

Nunca esqueça dos que não foram.

Nunca esqueça dos que não foram.

Esta é uma das primeiras regras que você aprende nos meios de comunicação tradicional. Não importa a quem o acidente causou danos, não importa a companhia aérea que está tendo problemas no momento, não importa, nem mesmo, se haviam naquele avião uma embaixada inteira de integrantes de uma organização mundialmente famosa por distribuir armas para mercenários do Paquistão. A única coisa que importa em um acidente de proporções homéricas é “Quem NÃO pegou o avião no dia anterior”.

Seja por doença, por atos de vidência, por previsões da borra do café, por leitura de cartas ou tarot, ou até mesmo por leitura de textos encriptados de forma subliminar nos filmes da Disney, quem não pegou aquele avião é que vai se tornar notícia. Dê ao pobre rebento que nunca saiu de seu país a chance de aparecer em Rede Nacional afirmando que “O Rei Leão olhou pra ele e falou – Não vá naquele avião”. Para você pode parecer uma coisa chata, repetitiva, entediante, mas para o grande público, é uma coisa digna de se criar uma nova religião para adorar o garoto. Tendo, é claro, o Simba como Deus maior.

O espectador não quer saber do desfecho da história, dos culpados nem nada disso, ele, sem dúvida alguma, estará vidrado no fato de que uma senhora não conseguiu pegar o vôo seja lá o motivo que ela alegue. A esses, será dada a primeira página com algum título enobrecedor “Nascendo de novo” e todo o acidente passará em branco pelos olhos alheios, voltando a atenção exatamente ao que interessa. O cara que ficou vivo.

Crianças Prodígio

Ela canta, dança, sapateia. E não faz nada disso bem.

Ela canta, dança, sapateia. E não faz nada disso bem.

Não há nada mais irritante do que uma criança prodígio, você tem que concordar. Mas os jornais e televisões não as encaram assim. O fato de ter apenas 3 anos deixa claro que equilibrar pratos com o nariz, tal qual uma foca faria, é uma tarefa extremamente importante e deve ser noticiada até o fim de nossos mais sagrados dias, exceto se outra notícia melhor aparecer. Daí a gente esquece o garoto dos pratos e começa a seguir e adorar a garota que botou silicone no queixo para ficar parecendo o garoto propaganda da Cepacol.

De nada adianta citarmos as leis de proteção ao adolescente, processar os programas, ou simplesmente deixar de assistir. Esse tipo de prática é tida como “legal” por muitos telespectadores, logo, uma míriade de fãs saíriam às ruas para protestarem contra sua malvadeza em proteger uma criança dos holofotes. Lembrando apenas que os que estão protestando, poderiam estar trabalhando.

Acidentes com Criança

Acidentes rendem boas matérias.

Acidentes rendem boas matérias.

Mais irritante que ver uma criança prodígio é ver um acidente com uma criança, que por si só já é trágico, ser exibido ininterruptamente, na tentativa de nos sensibilizar e acabar com nossas vidas para protestar contra a morte alheia. Contra políticos ninguém protesta, agora contra a morte de uma pessoa que eles nunca viram, por que não, né?.

Não importa se só há especulações sobre os possíveis assassinos, vamos mostrá-los em rede nacional e pedir para que eles assumam a morte de uma criança que ainda nem foi realmente dada como morta, em algumas vezes.

Em casos em que se assume o crime, não há o que exibir. Uma pequena nota já basta. Em situações onde há suspeitas, muitas testemunhas, muitos desencontros de informações, é claro que vale noticiar cada passo que a polícia dá, levando a população ociosa ao furor a cada acusação realizada. Não importa se o povo pode apedrejar um inocente pelo simples fato de o jornal ter dito que ele é criminoso. O importante é a audiência que vai gerar a cada dia em que uma nova pista surgir inocentando o ex-criminoso que foi morto a pauladas por vizinhos no dia anterior.

Também é um ato comum fotografar e divulgar tamanha falta de trabalho do brasileiro quando este aparece no velório de alguém que ele nunca conheceu e de quem, possivelmente, nunca teve nenhum afeto antes do caso ir a público.

Novidades da Internet

Levem a série toda informação do Orkut.

Levem a série toda informação do Orkut.

Não importa quanto tempo faça que inventaram uma nova ferramenta social na internet, sempre haverá espaço para mais uma matéria falando sobre o mesmo, né Fantástico? Não importa se Twitter, Orkut, Facebook, ou o que for, sempre é tempo de apresentar para os mais desavisados qual a nova moda entre os internautas.

As chamadas da matéria sempre apontam a “nova” ferramenta como o sucesso entre os adolescentes, fazendo uma centena de novos integrantes migrarem para o mesmo minutos após a matéria, mesmo que depois disso elas não entendam nada do que está se passando e acabem abandonando o site.

Engraçado também é como alguns repórteres costumam ignorar nomes para não divulgar tais ferramentas. Nomes como “Site de relacionamento” ou “Site para encontros” são sempre usados em matérias “jornalísticas”, mesmo que todos saibam exatamente do site que esteja sendo abordado. Se quer usar o site para falar de alguma matéria, por que não podem fazer comercial gratuito? Se não pode, não fala.

Outra prática comumente irritante é quando repórteres usam comunidade de “um tal site de relacionamento” para traçar o perfil psicológico de uma pessoa. Ninguém procura saber o motivo para o cara estar em tal comunidade, mas afirmam logo que se está em “Dei o cu, agora vou casar” o cara era gay e adepto de práticas super homossexuais (se bem que nesse caso eu concordaria com eles). Eu mesmo já entrei em muitas comunidades apenas porque vi uma discussão interessante e quis participar. Nunca tive nada a ver com “Espancamento de Animais, eu gosto”, mas já fui membro da comunidade algumas vezes para defender meu ponto de vista. No caso de eu ter sofrido um acidente, meus pais devem correr logo para o Orkut para deleltar qualquer comunidade que possa me provar ser um louco psicopata? Um pouco mais de apuração nas fontes seria interessante.

Por falar em fontes, não custa nada citar os locais de onde vocês colheram tais informações. Um pouco de respeito não faz mal a ninguém.

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