Greve de fome forçada.

Ontem passei por uma das experiências mais desgastantes da minha vida. Fiquei sem comer em um rodízio.

Possivelmente eu esteja sendo um pouco exagerado quando digo que foi a “mais desgastante da minha vida”, mas com certeza foi desgastante ao ponto de eu não aguentar mais e desejar que minhas vísceras viessem à mesa para que eu pudesse ter algo para comer. Nesse ponto sim, não estou sendo exagerado.

Ontem, dia 29/09/2009, era aniversário de um amigo meu, o Guilherme. Logo ele achou por bem convidar todas as pessoas queridas que o rodeiam para se divertirem ao som de música ao vivo enquanto degustavam petiscos saboros servidos por garçons hábeis em matar nossa fome. Ele não esperava que a verdade fosse estar tão longe da realidade assim.

Imagino apenas que a música ao vivo não vinha inclusa no pacote de “diversão” oferecido por ele. Ninguém poderia se divertir com música ao vivo quando o repertório do cantor era composto apenas por músicas do Roberto Carlos e Renato Russo.

Longe de mim julgar tais artistas ou os fãs do mesmo, não é essa minha intenção. Eu só acho que em determinados lugares deveria ser proibida a execução de tais trilhas, para evitar que o local se torne um antro depressivo e consequentemente as pessoas deixem de consumir, tendo em vista que chorar não dá fome, mas sim vontade de ir embora, e de se matar, algumas vezes.

Contrariando os sinais de que o local nos traria mais tristeza do que alegria, tendo em vista as músicas do repertório do senhor “cantor”, continuamos a nos assentar em nossos lugares para apreciarmos as iguarias oferecidas pelo rodízio. Faixas e cartazes espalhados pelo recinto nos dizia que teríamos prazer, que seríamos bem atendido e que teríamos comida da melhor qualidade. Com certeza os cartazes foram roubados de algum outro lugar, pois o local dos cartazes não era ali.

Tal qual Indiana Jones que vive rodeado por fortunas em forma de ouro, que valem mais do que dinheiro, e não pode tocá-las, assim foi nossa árdua noite. Rodeados por comida de todos os lados, ou melhor, em todas as outras mesas, mas não poderíamos tocar. Simplesmente porque os garçons deviam ter algum sinal secreto para nos servirem. Antes que perguntem, eu fiz essa pergunta ao garçom, se havia algum sinal secreto que desse início ao serviço “bem prestado” e parassem com aquela farsa de mal atendimento. Aquilo já estava indo longe demais.

Tivemos nossa noite de Indiana.

Tivemos nossa noite de Indiana.

Toda a noite seria recheada de avisos ao garçom, de pedidos, de olhares maldosos desejando que suas pernas enroscassem uma na outra e derrubassem toda a comida direcionada a mesa ao lado em nós. Não ligaríamos se a comida fosse jogada em cima da gente, contanto que houvesse comida em nossos pratos, estaríamos felizes com isso.

O nome do Local é  “Baixo Sinal Verde” (passem longe se tiverem oportunidade) e imaginei que houvesse algum tipo de semáforo para indicar que já estávamos aptos a comer. Fizemos exame de sangue, teste físico, avaliação psicológica e nada nos impedia de comer, exceto a má vontade dos garçons, que superavam qualquer unidade de medida conhecida na matemática moderna.

Pior que agora consigo entender porque não poderia sair coisa boa daí.

Pior que agora consigo entender porque não poderia sair coisa boa daí.

Admito que me arrependi em saber, apenas depois de ter saído de lá, que o gerente estava na casa e que poderíamos ter conversado com ele, mas também vale informar que um dos membros da mesa (composta mais ou menos por 15 pessoas) era amigo de um dos garçons e estava recebendo toda sua farta comida como combinado. Mesmo depois de termos pedido para este nobre colega de mesa para solicitar os serviços para nós, eles continuaram a ignorar. Por deixar passar a oportunidade de falar com o garçom, eu consegui achar a porcaria do site do recinto prontamente enviei um e-mail informando que não só não aparecerei mais lá como também indicarei para todas as pessoas que eu conheço que nunca cheguem perto da espelunca, para não serem tratados com o desprezo que nós fomos. A não ser que meus amigos estejam de dietas e não se importem de serem tratados como homens invisíveis na festa da “cabra cega“.

É incrível ver que em um ramo com tanta concorrência alguém continue a crescer e se expandir com tal serviço. Recuso-me a acreditar que é apenas com o atendimento que eles sustentam aquilo e faço minhas apostas para que logo logo ele vá a falência. Uma falência linda e dolorida, que me trará felicidade e um sorriso na cara sempre que passar pelo vazio entre duas lojas e pensar comigo mesmo “É, esse sinal fechou”.

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3 comentários

  1. Cara. Acho que os caras que reclamam de fome na África, nunca participaram de um rodizio do “Sinal Verde”. Pq quando você vai a uim rodizio (pelo menos eu) me preparo e fico quase uma semana sem comer para que meu dinheiro renda…
    E pensando bem agora, acho que esse nome até vem a calhar pro lugar. Os garçons vêem que o sinal esta verde e passam direto. E sim. O local é tão ruim quanto essa piada…

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